Sapato de salto alto, segundo especialistas, também faz mal à saúde

Alguns médicos garantem que ele é o maior causador de problemas nos joelhos, tendinite e inflamação nas articulações

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04 NOV 201209h14

Os modelos são inúmeros e onze entre dez mulheres no mundo todo adoram salto alto e usam. Alguns médicos e pesquisadores garantem que ele é o maior causador de problemas nos joelhos, tendinite e inflamação nas articulações, entre outros malefícios, mas não adianta, o salto alto continua soberano. 

A indústria de calçados, por sua vez, tem se esforçado para tornar este tipo de sapato mais confortável tanto que alguns novos modelos proporcionam mais estabilidade do que outros mais antigos, mas a polêmica continua. Algumas mulheres se justificam dizendo que o salto alto as torna “poderosas” e elegantes.
 
História
 
É interessante saber de onde veio a ideia de aumentar a altura das mulheres. Tudo teria começado nas sociedades antigas, quando homens e mulheres conviviam em harmonia, dividindo tarefas e sem disputas entre si. Nesta época, os homens viviam envolvidos nas atividades de caça e não se envolviam nos assuntos domésticos cabendo às mulheres a missão de criar, educar e alimentar a família, tarefas essas bastante valorizadas por seus homens que tinham o hábito de homenageá-las com festas e danças.
 
Durante estes rituais tribais das sociedades primitivas, as mulheres eram colocadas em pedestais de pedras de quase dois metros de altura, em sinal de respeito e reverência. Com o tempo, as mulheres começaram a reclamar que, nesta altura, ficavam muito longe da festa e assim os pedestais diminuíram de tamanho, passaram a ser confeccionados em madeira e, mais leves, eram amarrados aos pés delas que, ajudadas por seus homens, podiam locomover-se na festa, mas sempre mais altas do que eles.
 
Bem, com a evolução das coisas, alguém teve a ideia de transformar os tais pedestais de madeira em sapatos que elevavam simbolicamente a mulher; é bom entender que elevar as mulheres nada tem a ver com o fato de o corpo dela ser menor do que o do homem; o uso do “salto alto”, ou seja, dos pedestais amarrados, era parte de uma cultura vigente na qual entendiam que as mulheres mereciam ser elevadas.
 
É fato que ao longo da história o papel masculino e feminino mudou muito e a mulher perdeu aquela importância primitiva e precisou lutar muito para ter seus direitos respeitados, mas isso é outro assunto. Voltando ao salto alto, em tempos nem tão longínquos, os reis franceses (os chamados Luises) usavam o artefato como importante peça do seu vestuário. Eles andavam com sapatos de salto de 15 centímetros (daí o famoso modelo de sapato Luís XV), como forma de mostrar o seu poder e autoridade perante os súditos.
 
Saltos mais finos devem ser guardados para ocasiões especiais. No dia a dia, o ideal são os saltos tipo anabela

De lá até os nossos tempos, a coisa evoluiu muito e o salto alto é o queridinho. Mas o que os médicos dizem a respeito dele?
 
A lista de calçados que podem trazer problemas para a saúde feminina é grande e mostra que a vaidade pode custar caro. Os principais sintomas são dores, torções e fraturas, além de calosidades e deformações nos dedos.
 
Segundo os especialistas, os joelhos de homens e mulheres têm a mesma estrutura e não apresentam diferenças, no entanto são elas que apresentam problemas nos pés quatro vezes mais frequentes e a incidência de artrite é duas vezes maior do que nos homens, principalmente após os 65 anos.
 
As mulheres têm uma tendência a ter joelhos voltados para dentro, o que contribui para a inclinação da patela, um pequeno osso em forma de pirâmide que se articula com o fêmur e protege a articulação do joelho; esta tendência associada ao uso de salto alto favorece o desgaste do referido osso.
 
Os saltos finos são ainda piores, já que exige mais esforço para equilibrar-se, tanto da patela como do fêmur. E o que fazer então, abolir o salto? Certamente a maioria das mulheres responderá: “Jamais!”. Aí, entram em cena novamente os médicos ensinando que o melhor meio de se prevenir é optar por calçados tipo anabela, mais baixos, com cerca de 4 centímetros, o que pode não dar o mesmo resultado estético mas, em contrapartida, é muito mais saudável.
 
O salto quanto mais fino, pior ele será, assim opte pelas plataformas que costumam distribuir melhor o peso do corpo. Além disso, aqui vão algumas dicas na hora de comprar o calçado: ande com o sapato pela loja e veja se oferece bom equilíbrio; priorize o conforto e não a aparência; opte por modelos com solado macio; os sapatos de bico quadrado proporcionam mais estabilidade e conforto; guarde os saltos agulha para as ocasiões especiais porque eles facilitam torções de joelhos ou tornozelos porque não dão boa estabilidade ao corpo.