Santistas afirmam que “fumacê” é válido para conter epidemia

A nebulização consiste no lançamento de inseticidade no ar para matar o mosquito adulto; Santos não adota a ferramenta para eliminação do mosquito

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18 JAN 201310h26

Moradores de Santos afirmam que para combater a epidemia de dengue que assola o Município todas as ações são válidas, entre elas o lançamento de inseticida no ar por meio de veículos nebulizadores.

Os santistas ouvidos pela reportagem se mostraram conscientes de que a principal iniciativa no combate ao mosquito transmissor da dengue é destruir os criadouros tomando as providências orientadas pelos órgãos de saúde dentro da própria casa. Mas, consideram que a nebulização ou “fumacê” é uma medida a mais para eliminar o mosquito.

Guarujá e São Vicente utilizam a nebulização via costal e veicular nos bairros de maior incidência de pacientes com dengue. Já Santos não faz a nebulização ou “fumacê” há dez anos.

Na opinião do motorista José Francisco dos Santos, de 60 anos, morador do Morro do São Bento, o “fumacê não é totalmente eficaz, o que resolve mesmo o problema da dengue é que as pessoas se conscientizem e façam a sua parte, em casa”.

O estudante Thaian Gonzaga do Nascimento, de 19 anos, residente na Vila São Jorge, afirmou que ele e toda a sua família contraíram dengue. Para ele, a nebulização é válida, mas também disse que “não é só a prefeitura que tem que fazer alguma coisa, as pessoas também têm que cuidar para acabar com o mosquito”.

Já a ajudante de despachante aduaneiro, Tânia Ramos de Souza, de 45 anos, que mora no Paicará, em Vicente de Carvalho (Guarujá), mas trabalha no Centro de Santos, disse que a nebulização funcionou no seu bairro. “Eu moro perto do pronto socorro. Lá passou o ‘fumacinha’ (carro nebulizador) e eu vi que o movimento de pessoas no pronto socorro diminuiu”, observou Tânia. No Paicará, a nebulização foi feita de março a abril, duas vezes por semana durante quatro semanas.

O Paicará era um dos bairros com maior índice de casos e, por isso, a Coordenadoria de Controle de Dengue de Guarujá com apoio da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), adotou a medida temporária para eliminar o mosquito adulto.

“Tudo é válido para acabar com a dengue, mas eu acho que tem poucas pessoas vistoriando as residências e é isso que funciona”, respondeu a dona de casa Geni Mendes Junqueira, de 59 anos, moradora do José Menino, em Santos, ao ser perguntada sobre o que achava da nebulização.

“O fumacê adiantou porque quando passava não tinha tanta gente doente como tem hoje”, disse a dona de casa Maria Aparecida de Souza, de 43 anos, que mora no Morro da Nova Cintra. Santos não faz nebulização há dez anos. “Tenho medo da dengue por causa do meu filho”. Maria Aparecida tem um filho de 1,9 ano.

Mais de 3 mil casos, 20 óbitos

Santos registra 3.118 casos confirmados de dengue, com 19 óbitos, e um total de 12.807 notificações, até o dia 30 de abril. Porém, no último domingo, a jornalista Juliana Regina da Silva Augusto, de 35 anos, morreu de dengue hemorrágica, na Santa Casa de Santos, aumentando a lista de mortes para 20.

Mas, a segunda cidade da Região com o maior número de casos, de acordo com o último boletim da Secretaria de Estado da Saúde, não faz uso da nebulização ou “fumacê”, mantendo apenas o bloqueio de controle de criadouros (BCC) através dos mutirões e vistoria em imóveis.

Em resposta ao DL à matéria sobre nebulização publicada na edição de ontem, o chefe da Seção de Controle de Vetores, Marcelo Brenna, enviou nota informando “que a nebulização, com aplicação costal de veneno, é realizada por equipe própria, seguindo as normas técnicas estabelecidas pelo Ministério da Saúde. O Município não utiliza fumacê há cerca de 10 anos. Sobre a ação de nebulização em conjunto com a Sucen, no momento, não há nada em andamento”.

Complementando a nota, a assessoria de imprensa esclareceu que apesar da epidemia, o Município segue “a normalização técnica da Sucen que excluiu a nebulização do combate à dengue, entre outros fatores pela baixa eficácia contra o mosquito”.

A assessoria informou ainda que, de acordo com Brenna, não houve reunião entre os municípios da Baixada Santista para discutir o uso do “fumacê”.

Secretaria de Estado da Saúde

Em nota, “a Secretaria de Estado da Saúde esclarece que a prática da nebulização para o combate à transmissão da dengue é eficaz ao que se propõe, que é eliminar o mosquito transmissor em vida e na fase adulta.

Para que ela não se torne uma medida obsoleta, é necessário trabalho de bloqueio e eliminação de focos na área onde será aplicado o veneno. Ou seja, é preciso eliminar as larvas antes de matar os mosquitos para que elas não se tornem novos mosquitos adultos horas depois da aplicação do inseticida.

Portanto, cabe aos municípios avaliarem se cumpriram todas as exigências antes de fazer a nebulização. Vale lembrar que todas estas decisões são tomadas pelas vigilâncias municipais, cabendo ao Estado apenas apoiá-las caso haja necessidade”.

Questionada sobre o risco de o mosquito se tornar resistente ao inseticida, uma vez que municípios alegam que a nebulização é usada com ressalvas, a assessoria de imprensa da secretaria estadual não se pronunciou a respeito.