Região registra mais de 1.400 casos de sífilis

Sífilis é uma infecção que pode ser curada e é exclusiva ao ser humano, causada pela bactéria Treponema pallidum.

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12 OUT 2019Por Luiza de Oliveira07h42
O médico Marcos Caseiro aponta escassez de dados sobre o tema.Foto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

A Baixada Santista registrou, só neste ano, 1.422 casos de sífilis. Em 2018, este número chegou a 1.998 ocorrências, excluindo as cidades de São Vicente e Peruíbe. Praia Grande foi o município que mais registrou mortes causadas pela doença, com 21 óbitos, quatro abortos e um natimorto.

Na região, até setembro de 2019, a cidade de São Vicente foi a que concentrou o maior número de casos, totalizando 495, entre gestantes e congênitos.

Em Santos, o número de casos este ano chegou a 279, sendo 192 por sífilis adquirida, que trata de casos em que a doença é proliferada por meio de relação sexual. O Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em 2017 revela, ainda, que a taxa de incidência de sífilis congênita por 1.000 nascidos vivos, no ano de 2016, no município, foi de 12,4%.

De acordo com a Prefeitura Municipal de Santos, a sífilis adquirida, transmitida por meio da relação sexual, voltou a ser uma epidemia no Brasil, fato que também se reflete na cidade.

"Diante do crescimento de casos, o município criou, em 2017, o Comitê de Investigação e Prevenção da Transmissão de Sífilis Adquirida e Congênita para planejar, desenvolver e acompanhar novas ações no enfrentamento à doença, o qual já tem trazido resultados", elucida a administração.

Guarujá, por sua vez, registrou 225 ocorrências. No ano de 2018, foram 486 casos, com 315 não especificados. Já Cubatão atingiu 185 casos em 2019, sendo 42 deles por sífilis em gestantes. Itanhaém teve 89 casos.

Bertioga vem em quinto lugar, com 72 casos neste ano contra 98 casos registrados no ano passado. Com 26 ocorrências não especificadas, Peruíbe tem 42 casos apontados até o momento. Por fim, vem o município de Mongaguá, com 35 ocorrências registradas este ano e 30 casos em 2018.

Quanto ao âmbito nacional, em 2017, os números de casos sobem para 119.800 por sífilis adquirida, 49.013 em gestantes e 24.666 por sífilis congênita. Em relação à sífilis na gestação, São Paulo está entre os nove estados que apresentam taxas de detecção superiores às do Brasil, com 17,6 por 1.000 nascidos vivos. A população mais afetada são as mulheres negras na faixa etária de 20 a 29 anos.

Segundo o médico infectologista e professor universitário, Marcos Caseiro, o aumento no número de casos a cada ano se deve a um retrocesso no que se refere à questão da discussão pública e às políticas de prevenção. "Não se ouve mais falar em sífilis, a gente não ouve mais falar em DST. Acho que os últimos anos foram esquecidos no que se refere a doenças infecciosas. Não estamos conseguindo conversar com essas populações, mudou a forma de se comunicar", afirma o professor.

O médico aponta, ainda, para a escassez de dados e estudos realizados e divulgados pelas administrações municipais. "As Prefeituras deveriam ter um boletim epidemiológico. Existe um enorme medo de divulgar dado, porque dado, na verdade, expõe uma situação real. Esses números que já são assustadores, você pode computar aí que há uma subnotificação tremenda. Então, esses números, embora já assustadores, são subestimados", revela Caseiro.

A SÍFILIS

Sexualmente transmissível, a sífilis é uma infecção curável e exclusiva ao ser humano, causada pela bactéria Treponema pallidum. Ela pode ser transmitida por relação sexual sem o uso de preservativo com um indivíduo infectado ou para a criança durante o período gestacional.

Com três formas de apresentação (adquirida, em gestantes ou congênita), as suas ocorrências estão interconectadas entre si. Isto é, segundo a prefeitura de Santos, um aumento nos casos de sífilis na população geral acarreta uma aumento dos casos de sífilis na gestação que, por sua vez, pode acarretar um aumento dos casos de sífilis congênita.

Já quanto a sua classificação, a sífilis é definida levando em conta o seu estágio de infecção, sendo dividida em sífilis primária, secundária, terciária ou latente.