Região registra mais de 1,3 mil casos de dengue

São Vicente apresenta maior risco de epidemia, segundo Ministério da Saúde. Itanhaém lidera a lista dos municípios com o maior número de casos confirmados da doença na Região

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13 MAR 201511h21

Apesar de ter 122 casos confirmados de dengue, entre janeiro e a primeira semana de março, São Vicente é o município da Baixada Santista com maior risco de epidemia da doença. Segundo o Levantamento Rápido de Índices para Aedes Aegypti (Liraa), divulgado ontem pelo Ministério da Saúde, a Cidade apresenta o maior número de larvas do mosquito. Na Região, foram notificados 1.303 casos no período. Itanhaém lidera a lista.  No País, já são 244 mil casos.

“Está correto, pois o risco de surto não se mede pela quantidade de casos, mas pela densidade de larvas. São Vicente tem potencial o suficiente para ter transmissão em grande quantidade. No entanto, a explicação para o baixo número de casos pode estar no tipo de vírus em circulação. Provavelmente, a população já esteja imune a ele”, disse Fábio Lopes, chefe do Departamento de Zoonoses, Vigilância Sanitária e Combate a Doenças Vetoriais de São Vicente.

O biólogo ressalta que é difícil os municípios registrarem epidemias seguidas. A última registrada em São Vicente foi em 2013. “O grande problema é quando o tempo vai passando e as pessoas foram atingidas seguidas vezes. Ela fica imune ao sorotipo, mas a reincidência deixa os vasos capilares frágeis possibilitando o desenvolvimento de dengue hemorrágica”, explica.

Lopes acredita que a incidência da doença em São Vicente será fraca em 2015, mas já se preocupa com o próximo ano. “Se nada for feito, com o número de larvas que a Cidade possui, no ano que vem a situação pode ficar bem difícil, pois há a possibilidade da entrada vírus tipo 4 e também da  Febre Chikungunya (doença também transmitida pelo Aedes Aegypti). É importante que a população receba bem o agente de saúde e também colabore na eliminação dos criadouros. Não queremos criar pânico, mas também não dá para omitir a situação. O trabalho precisa ser conjunto”, afirmou.

Terrenos e casas de veraneio preocupam população, que sofre com a doença (Foto: Luiz Torres/DL)

Região

Itanhaém lidera a lista dos municípios da Região com maior número de casos de dengue confirmados no primeiro bimestre deste ano — 431 no total. No levantamento do Ministério da Saúde — que não consta os municípios de Bertioga, Mongaguá e Peruíbe, já que a participação da coleta é voluntária — Santos aparece em segundo lugar em número de casos notificados — 360 no total.

Praia Grande registrou 148 casos da doença entre janeiro e a primeira semana de março. Guarujá apresentou 143 casos confirmados da doença. Cubatão registrou a menor quantidade de casos, segundo os dados do Ministério da Saúde, na Região — 99 no total.

O Diário do Litoral entrou em contato com as prefeituras das cidades que não constam na lista do Ministério da Saúde. Bertioga afirmou que possui 13 casos confirmados da doença até agora. Peruíbe informou que, até a semana passada, foram registrados oficialmente 220 casos da doença na Cidade. A Reportagem não conseguiu retorno de Mongaguá.
No último dia 4, o Diário do Litoral esteve no município de Mongaguá acompanhando a evolução da dengue na Cidade. Apesar de a Administração Municipal não se manifestar sobre o número de casos confirmados da doença, a Reportagem constatou que a situação é delicada.

Nos prontos-socorros da Cidade, a maior parte dos pacientes atendidos se queixa de sintomas característicos da dengue. Em dois bairros visitados pela Reportagem, pelo menos uma pessoa por residência disse ter contraído a doença. A principal reclamação dos moradores é referente as condições de terrenos e casas de veraneio.

Itanhaém lança Serviço de Monitoramento

Liderando o número de casos de dengue na Região, para reforçar o atendimento à população, a Prefeitura de Itanhaém iniciará na próxima segunda-feira, o Serviço de Monitoramento de Casos de Dengue.

A unidade, que funcionará das 7 às 19 horas, de segunda a segunda, terá uma equipe formada por médicos, enfermeiros e auxiliares para a realização da triagem que agilizará o diagnóstico. Após a confirmação dos sintomas, os profissionais orientarão a população sobre os procedimentos corretos a serem tomados.

O Serviço de Monitoramento de Casos da Dengue ficará na Rua Dom Pedro II, 58, no Centro.