“Reestruturar a Saúde no Município foi um grande desafio”

O secretário municipal de Saúde, Eduardo Falcão Paiva Magalhães é pré-candidato a prefeito de Cubatão

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17 FEV 201319h06

Pré-candidato a prefeito de Cubatão, pelo Partido da República (PR), o secretário de Saúde do Município, Eduardo Falcão Paiva Magalhães, 51 anos, fala ao DL, em entrevista exclusiva, sobre ações na área da saúde para este ano, candidatura e planos de governo.

Paiva é otorritonolaringologista, sanitarista e médico do Trabalho com exercício há 25 anos na cidade de Cubatão. Ingressou na vida pública há seis anos quando assumiu a secretaria a convite do prefeito Clermont Silveira Castor(PR) que o apoiará na disputa eleitoral como seu sucessor no Governo Municipal.

DL – Como foi o seu ingresso na Secretaria de Saúde de Cubatão?
Eduardo Paiva Magalhães
– Foi um desafio muito grande naquele momento. A saúde do Município apresentava um quadro falimentar, de desestrutura total, equipamentos de saúde sucateados, ausência de recursos humanos e as contratações eram uma verdadeira Torre de Babel. E isso fez com que nós fizéssemos uma grande reforma na área da Saúde.

DL – O que foi feito para reestruturar a área da Saúde?
Paiva
- Passamos a criar um quadro na Prefeitura estável, privilegiando a competência, assiduidade e valorização dos salários e capacitação. Fizemos uma ampla recuperação de todos os próprios públicos, reformas de prontos-socorros e outras unidades foram construídas.

DL – Com a rede de saúde organizada, quais foram os próximos passos junto à população?
Paiva
- Cubatão tem uma característica peculiar onde mais de 70% da população reside em áreas de preservação e invasão e existe uma dificuldade de acesso do poder público, porque você não pode construir, não pode reformar, fazer nada. Outro desafio é que esse mesmo contingente populacional não é servido por água tratada. Então foi traçada uma estratégia com três principais pilares. O primeiro era a humanização no atendimento, o segundo a garantia de acesso da população aos serviços de saúde e o terceiro, uma redução drástica na mortalidade materno/infantil que historicamente em Cubatão era muito alta: 24 óbitos para cada mil nascidos vivos. Conseguimos reduzir para 16 a cada mil nascidos vivos. Outro problema era falta de saneamento básico.
 
DL – Houve também uma reforma administrativa no Hospital Municipal Dr. Luiz Camargo da Fonseca e Silva, o Hospital Modelo, o que foi feito?
Paiva
– Passamos a administrar o hospital por metas, com indicadores de qualidade, mortalidade, leitos. Criamos um sistema de distribuição de medicamentos gratuitos ampliando de 40 itens para mais de 200, garantindo a possibilidade de atender 97% das patologias aqui do Município. E o restante que são medicamentos de alto custo, são custeados pelas esferas estadual e federal — para tratamento de doenças cardíacas, terapia renal substitutiva, tratamento de câncer.

DL – Qual a capacidade de atendimento do Hospital Modelo hoje?
Paiva
– Temos 141 leitos SUS, uma média de 800 internações/altas por mês, e mais de 250 cirurgias eletivas/mês (cirurgias agendadas). Cubatão tem 97 leitos de UTI. Uma retaguarda que é excelência na região metropolitana. Por ser uma cidade que fica no entroncamento rodoviário a cidade tem uma vocação para cirurgias do trauma. E nesses períodos de férias, temporada, nossa cidade acaba sendo penalizada com atendimento de alto custo que são, infelizmente, os acidentes. A cidade é entrecortada por uma malha rodoviária bastante complexa, um pólo industrial também complexo na Região e também por conta desses detalhes nosso hospital acaba sendo uma referência na parte de urgências e emergências. A gente estima o encaminhamento para hospitais de outras cidades entre 5% e 7% de procedimentos de alta complexidade. Quando você está inserido num contexto metropolitano, cada hospital é voltado para um tipo de atendimento. Eu não tenho número de pacientes necessários, por exemplo, para manter um núcleo de cirurgia cardíaca no Município.

DL – Quais os projetos para este ano na Saúde?
Paiva
– Temos alguns projetos ambiciosos: dar continuidade à informatização na saúde — o prefeito tem priorizado ações de saneamento básico no Município porque existe uma vinculação entre saúde e condições de vida, saúde e meio ambiente, saúde e saneamento básico. Tudo o que podia ser feito na esfera de prevenção, tratamento e reabilitação já foi feito, de alta e média complexidade. Agora, a saúde vai ser discutida num sentido mais amplo, voltada a essa questão.

DL – Um dos projetos é o ambulatório de especialidades. Como vai funcionar?
Paiva
– O Complexo de Saúde de Cubatão será construído onde antes ficava a Santa Casa e vai centralizar todas as especialidades, métodos de diagnóstico, imagens, laboratório, raio-X, fisioterapia e odontologia num único prédio. O ambulatório de alta resolutividade vai facilitar o acesso das pessoas. Num mesmo lugar a pessoa vai ser atendida e vai resolver tudo, num único dia.

DL – Qual será a capacidade de atendimento do Complexo de Saúde de Cubatão?
Paiva
– Algo em torno de 1.500 atendimentos dia em sua carga  máxima, mas nós vamos começar com 500 a 600 atendimentos/dia. O ambulatório terá 80 consultórios e quatro salas de cirurgia. 

DL – Quando será entregue o ambulatório de especialidades?
Paiva
– A licitação deve ser aberta mais ou menos em 20 dias e a construção deverá levar de 12 a 18 meses.

DL – A secretaria também informatizou a rede pública adotando o prontuário eletrônico. Como funciona?
Paiva
– Antes pessoas que passavam pela rede tinham um prontuário em cada local. Hoje, a gente tem a oportunidade de ter um prontuário único no qual nós alimentamos todas as informações. Então quando você passa por um atendimento você tem todo o histórico de medicamentos, exames e consultas do paciente garantindo um atendimento de melhor qualidade à população. Estamos disponibilizando uma rede de banda larga com 150 máquinas e servidores que armazenará todas as informações através de um software em um prontuário individualizado de cada munícipe cujo acesso será pelo número de registro dele ou do Cartão Saúde de Cubatão, o CSC, para ter acesso a esse banco de dados.  

DL – Quais as vantagens do Cartão Saúde de Cubatão (CSC)?  
Paiva
– Com este mesmo cartão você ainda terá acesso a farmácias privadas credenciadas para retirar medicamentos gratuitamente dentro e fora do horário administrativo.

DL – O senhor é pré-candidato do PR a prefeito de Cubatão, contando com o apoio do prefeito Clermont Castor. O senhor já tem alinhavado seu plano de Governo, caso seja eleito?
Paiva
– O prefeito Clermont iniciou um importante projeto de política habitacional que tem interface com a nossa área. Quando falei em saúde, falei no sentido amplo. Vamos dar uma ênfase à política habitacional numa parceria com os governos Estadual e Federal. Pretendo tratar das questões dos bairros cota, do parque estadual da serra do mar, levando infra-estrutura urbana, saneamento básico, água tratada e, principalmente, dignidade àquela população que há 50 anos vem sendo esquecida dentro desse processo de urbanização da Região Metropolitana. Tem projetos para a Vila Esperança e Vila dos Pescadores. Tem outro projeto que o próximo prefeito deve dar continuidade que é o Guará Vermelho. Eu estou me candidatando para dar continuidade aos projetos já em andamento na administração do prefeito Clermont e também trabalhar na geração de empregos e na criação de cooperativas de trabalho para absorver a mão de obra não qualificada da nossa Cidade. Também dar continuidade ao projeto educacional de ensino de 8 horas com garantia de alimentação de manhã, à tarde e à noite como uma forma de preparar as futuras gerações para que possam ter mais competitividade no mercado da Região. Hoje você tem um cem número de vagas de trabalho na indústria ocupadas por pessoas de fora justamente pela dificuldade de encontrar trabalhadores qualificados em Cubatão. Então isso passa pela necessidade de ampliar os projetos da fábrica da comunidade, cursos profissionalizantes e até pensar na formação da Escola Técnica Municipal como uma forma de absorver os jovens da Cidade. Temos que investir em cursos aqui e, também, no turismo. Explorar o ecoturismo e a parte histórica da Cidade. Tornar Cubatão uma passagem no turismo da Baixada Santista, gerando assim renda e auto-estima à população com o resgate da história da Cidade.