Professora propõe modelo matemático para auxiliar em medidas de controle na pandemia

Cristina Batistela diz que resultados podem vir a auxiliar em eventuais decisões de ações contra o novo coronavírus

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15 JUN 2020Por LG Rodrigues10h15
Professora explica que o primeiro modelo do estilo foi concebido durante o século XVIIIFoto: ARQUIVO PESSOAL

Uma professora de Santos está propondo um modelo matemático que tem chances de ser utilizado tanto por gestores públicos quanto profissionais da saúde para alinhar decisões que possibilitem a redução dos danos da pandemia do novo coronavírus que levou ao isolamento social de todo o Brasil desde o começo de março.

A santista Cristiane Batistela trabalha como professora no Colégio Objetivo de Santos e faz parte de um grupo de pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da USP. Física e atualmente realizando seu pós-doutorado, ela iniciou os trabalhos no modelo matemático logo assim que o isolamento social se iniciou, ainda durante março.

“Quando olhamos para uma doença se propagando em uma população, ela pode ser estudada por meio de modelos matemáticos representados por equações. E, como uma doença traz consequências políticas, econômicas e sociais, é possível, através dos resultados observados, estabelecer estratégias para combater essa doença”, afirma. 

Ela explica que o primeiro modelo do estilo foi concebido durante o século XVIII com o matemático holandês Daniel Bernoulli, que desenvolveu o que viria a ser o primeiro método científico a ser usado para estudar os impactos e possíveis estratégias contra a contaminação em massa pela varíola.

“Ele estudou a taxa de propagação de varíola e pegou o número de pessoas que morria e em função deste número ele foi capaz de descrever como a doença estava se propagando. Foi a primeira vez que as pessoas falaram em taxas de inoculação preventiva”, explica.

Resumindo um pouco, Cristiane explica que devido a estes estudos é possível definir quem são os grupos preferenciais que precisam se vacinar para manter a doença não erradicada, mas em controle. 

“Estudamos modelos matemáticos que podem fornecer estratégias de controle da propagação de doenças. O modelo mais básico se chama SIR, S de suscetível, I de infectado e R de removido. A população pode ser dividida entre grupos que estão suscetíveis a contrair a doença, aquelas que já estão doentes e podem transmitir e as pessoas que estão removidas, que não podem mais pegar a infecção, seja por vieram a óbito ou adquiriram imunidade”.

Feito sob supervisão do professor José Roberto Castilho Piqueira, doutor em engenharia elétrica e livro-docente em controle de automação, o modelo matemático está em fase de calibragem.

“O trabalho foi publicado em forma de nota técnica, e as taxas estão sendo calibradas, usando dados de países que já passaram pelo epicentro da doença”.

Embora ainda seja necessário amplificar a testagem, o modelo está sendo complementado ao estudarmos o grupo de imunização. Mesmo assim, os estudiosos já atestaram que o modelo matemático que criaram é viável. Uma vez que o trabalho esteja pronto, ele poderá servir como uma base sólida para que sejam tomadas decisões de controle da doença pelas autoridades sanitárias de todas as esferas administrativas públicas.

“Esses modelos matemáticos que estudam propagação de doença têm como objetivo estabelecer estratégias de controle da propagação da doença. Entre estas estratégias pode ser considerada a estratégia de isolamento social, que veio de resultados de simulações numéricas e de resultados experimentais. E, como neste primeiro momento, nós não temos testagens, nós estamos no momento do isolamento, mas num momento posterior nosso trabalho poderá servir para estratégias de vacinação. Poderemos mostrar através de dados mais precisos quais serão as melhores estratégias”.

Como já foi citado, o estudo já foi publicado em forma de nota técnica e parte dele pode ser conferido no portal do Jornal da USP, que também disponibiliza endereço de e-mail dos autores do estudo para contato.