Prefeito idealiza projeto para prevenção e combate às drogas em PG

Visita em comunidade terapêutica objetivou reunir informações e experiências

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21 NOV 201316h10

O prefeito Alberto Mourão, acompanhado do secretário de Saúde Francisco Jaimez Gago e do Promotor de Justiça da Infância e Juventude, Carlos Cabral Cabrera, visitaram na manhã de quarta-feira (20) a Clínica de Recuperação de Álcool e Drogas (CRAD) de Peruíbe, comunidade terapêutica conveniada com a Prefeitura de Praia Grande. A visita teve como objetivo conhecer o trabalho realizado no local e buscar dados e informações para o desenvolvimento de um projeto para trabalhar com a prevenção e combate às drogas no Município.

O CRAD possui coordenadores e monitores, além de voluntários, que trabalham com o dependente químico em diversas formas de terapia, com reuniões de espiritualidade, laboterapia (que consiste nos trabalhos domésticos para manutenção da limpeza do local e alimentação dos pacientes), além de leituras e estudos gerais. As internações são involuntárias, na maioria dos casos.

A comunidade possui convênio com a Prefeitura de Praia Grande, recebendo o dependente após diagnóstico feito no CAPS. “Assim que é detectada a vulnerabilidade e extrema necessidade, determina-se a internação involuntária do paciente na comunidade. A Prefeitura arca com o valor de R$ 1.500 reais por mês por paciente”, afirma o secretário de Saúde Francisco Jaimez Gago.

De acordo com ele, o objetivo da Administração Municipal é repaginar a saúde mental da Cidade, para evitar a internação, oferecendo ao dependente e sua família alternativas para buscar a reinserção social. “Nossa ideia é realizar um grande laboratório para esse projeto, dando suporte em tudo o que for necessário, em conjunto com várias pastas como a Promoção Social, Cultura, Esporte, Cidadania, e trabalhando juntamente com a Promotoria da Infância e Juventude”.

A comunidade possui convênio com a Prefeitura de Praia Grande, recebendo o dependente após diagnóstico feito no CAPS (Foto: Divulgação)

Após visitar as instalações e conhecer as atividades realizadas no local, o prefeito Alberto Mourão falou sobre o drama da dependência química. “O uso de drogas arrasa uma família inteira. São vidas que se destroem e nós, como Poder Público, precisamos buscar alternativas e soluções. Precisamos nos perguntar: como estruturar um sistema fazendo com que o dependente em recuperação possa retornar à sua família, ter novamente a confiança dos seus entes queridos?”.

Para o chefe do Executivo, o convívio com a família é de extrema importância para a recuperação. “Muitas vezes, a pessoa volta para seu lar e a família ainda não consegue lidar com esse retorno porque aquele núcleo precisa ser reconstruído. Acredito firmemente que, se o dependente, após o período considerado crítico de internação, puder passar o dia em uma comunidade e retornar a sua casa à noite, pode ter mais chances de uma recuperação completa, porque o convívio com seus entes queridos não lhe foi privado”.

Segundo o prefeito, é necessário realizar um grande estudo, com dados mais concretos, para atacar a questão das drogas de frente. “Precisamos de um grande levantamento porque as estatísticas no Brasil sobre uso de drogas e dependentes não são profundas. Só assim saberemos de que modo agir. Por isso, nossa ideia é fazer um projeto para realizar um tratamento adequado sem que o dependente precise ficar internado por tanto tempo em uma clínica ou comunidade”.

O trabalho preventivo com a participação da população tem destaque. “Devemos utilizar todas as ferramentas possíveis, como o SuperEscola, onde o aluno realiza atividades esportivas e culturais no contraturno escolar, intensificar a ação da Guarda Civil Municipal (GCM) no combate a possíveis traficantes que ajam perto de escolas. Mas o cidadão deve ser participativo como um todo. A discussão deve ser: “qual o meu dever nesse coletivo?” E não somente “qual o meu direito nesse coletivo?”. Um projeto sistêmico, com a reorganização dos modos de prevenção e o auxílio de toda a sociedade, pode ser uma grande saída para esse problema”, diz Mourão.

O promotor da Justiça da Infância e Adolescência, Carlos Cabral Cabrera, acredita que é necessário traçar um plano terapêutico para o dependente no momento da internação. “A equipe que vai cuidar do usuário deve ser forte e bem treinada. É importante que um plano seja feito assim que ele chegar à clínica, com o acompanhamento necessário, para que se possa organizar o tratamento de forma a promover a reinserção social rápida e a reintegração à família”.

Caps AD - O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), da Sesap, complementa a estrutura da rede de assistência à saúde mental de Praia Grande. A unidade, voltada ao tratamento para adultos com dependência de álcool e drogas, realiza trabalhos e ações que buscam ressaltar o aspecto de sociabilização do tratamento e, desta forma, motivar os atendidos e suas famílias. A Cidade já conta com projetos para ampliar este tipo de atendimento.

A unidade, na Rua São Caetano, 400, no Bairro Boqueirão, possui equipe composta por psiquiatra, médico clínico, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, enfermeiro e auxiliares de enfermagem. O espaço ainda conta com consultórios, salas de medicação, cozinha, área de convivência e de lazer, refeitório, repouso e outros.

Recentemente, Praia Grande aderiu oficialmente ao Programa ‘Crack, é possível vencer’. A Cidade assinou o termo de pactuação do projeto do Governo Federal. A iniciativa tem a finalidade de prevenir o uso e promover atenção integral ao usuário de crack, bem como enfrentar o tráfico de drogas.

A adesão praia-grandense só foi possível devido aprovação do Governo Federal da documentação primária sobre o tema, encaminhada pela Cidade. O programa define um plano de ação local, que vai mapear as áreas de maior incidência e as metas de cada município do País, incluindo o trabalho de recuperação de dependentes de drogas e prevenção da dependência.

A Cidade criou em 2013 a Comissão de Enfrentamento ao problema do consumo de drogas, que atua também no Programa ‘Crack, é possível vencer’. Um grupo técnico de trabalho conta com a participação de secretários municipais, funcionários das áreas envolvidas e representantes da sociedade civil organizada, como ONGs e igrejas, Ministério Público e Polícia Civil.