Praia Grande dá 15 dias ao Estado para não fechar leitos

Mesmo com o depósito de R$ 1,8 milhão executado ontem pelo Governo do Estado, Hospital e Prefeitura exigem regularização do contrato dos termos aditivos e acerto das contas

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10 JAN 201319h45

A Prefeitura de Praia Grande deu prazo até 15 de agosto ao Governo do Estado para regularizar o contrato dos termos aditivos para manutenção dos 50 leitos do Hospital Irmã Dulce. Estes leitos são destinados ao atendimento de pacientes de outras cidades. Na última quinta-feira (28), o secretário municipal de Saúde, Adriano Springmann Bechara, anunciou que fecharia os leitos a partir da próxima segunda-feira, 1º de agosto, passando a atender somente pacientes que residem em Praia Grande.

A diretoria e superintendência do hospital municipal, juntamente com o secretário Bechara, convocaram coletiva de imprensa na tarde de ontem para esclarecer sobre a dificuldade financeira enfrentada pela unidade e sobre os entraves contratuais com o Governo do Estado e atrasos nos repasses mensais.

“O Governo do Estado depositou R$ 1,8 milhão na conta da Prefeitura referentes aos meses de maio e junho que serão repassados imediatamente ao hospital, mas para nós é ponto pacífico que não reabriríamos os leitos enquanto não tivéssemos uma situação jurídica que garantisse o bom andamento e o planejamento da administração do Hospital Irmã Dulce”, declarou o secretário.

Bechara disse que o secretário–adjunto do Estado, Edmur Mesquita, garantiu ao prefeito Roberto Francisco que toda essa situação estará regularizada até 15 de agosto. “A situação é convênio assinado com a Prefeitura e o Governo do Estado, com garantia dos repasses em data fixa, incluindo o do mês de julho. Então, em nome do bom atendimento da região e da parceria de Praia Grande com os demais municípios, os leitos não serão fechados até o dia 15 de agosto, daremos mais um crédito para a Secretaria de Estado da Saúde para que não haja prejuízos a saúde de toda a região”.

Segundo o superintendente do Hospital Irmã Dulce, Inácio Peres Lopes Júnior, o déficit é de aproximadamente R$ 2,7 milhões, sendo que a defasagem está sendo coberta em parte por R$ 1,5 milhão através de um crédito em conta consignada, autorizada pela Fundação do ABC, administradora do hospital. O montante restante é devido a empresas e equipes médicas, que também estão com os vencimentos atrasados.

O superintendente garante que nenhum paciente foi prejudicado até o momento. “O hospital sempre gira com internação de 90% a 95%, ou seja, UTIs lotadas e leitos todos ocupados com os pacientes de cirurgias”, disse o superintendente.

Segundo o secretário municipal de Saúde, o Hospital Irmã Dulce tem média de internação de 900 pacientes por mês, entre eles moradores de Praia Grande e de outros municípios.

O superintendente explicou que o hospital Irmã Dulce atende alta complexidade (cirurgias) e UTIs, que demandam alto custo porque os equipamentos são caros e a manutenção das equipes especializadas também. O hospital é voltado principalmente para atendimento de trauma e neurocirurgia devido ao índice de acidentes de motociclistas na região.

De acordo com o diretor técnico do hospital, Airton Gomes, devido aos atrasos nos repasses, as equipes médicas estão com os pagamentos atrasados e a falta de verba também prejudica a compra de equipamentos. “Temos nos empenhado para que o atendimento não seja prejudicado”.

Airton Gomes afirmou ainda que não poderia dispensar profissionais que são qualificados para esse tipo de atendimento. Prestam serviços ao hospital pelo menos 400 médicos diretos e outros 600 indiretos, fora profissionais de enfermagem, entre outros.

Reajuste no repasse para R$ 1,2 milhão

O superintendente do Hospital Irmã Dulce disse ainda que apesar do aporte de aproximadamente R$ 900 mil mensais contratualizados com o Governo do Estado, as despesas mensais ultrapassam esse valor em R$ 300 mil por mês. Então uma das propostas negociadas com o Governo do Estado, segundo ele, é aumentar o valor do repasse para R$ 1,2 milhão mensal.

O secretário Bechara afirmou que o interesse maior na manutenção do contrato e regionalização do atendimento é do Governo do Estado. “O Governo do Estado foi quem propôs o convênio à Prefeitura de Praia Grande para o atendimento regionalizado”, afirmou. Bechara complementou que a prioridade do Hospital Irmã Dulce é atender a população de Praia Grande e honrar os pagamentos com a Fundação do ABC, administradora do hospital.