Paciente de câncer luta pela vida sem tratamento adequado

Com o rosto comprometido pelo câncer, paciente necessita com urgência de remoção para hospital especializado

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23 JAN 201320h15

Serafina Rosa Raimunda da Silva, de 57 anos de idade, acometida por um câncer de pele, cujo rosto está praticamente comprometido, está à mercê de um impasse médico e de imbróglios judiciais.

O drama de Serafina começou em fevereiro quando ela foi internada no Hospital Santo Amaro, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com uma ferida no rosto, provocada pela doença.

Segundo a sobrinha de Serafina, Antonia Maria de Oliveira, a ferida está evoluindo rapidamente e já se espalhou pelo rosto de Serafina. “Ela está internada há três meses e quinze dias no Hospital Santo Amaro, e não está sendo tratada como deveria. Em fevereiro ela tinha uma ferida pequena no rosto. No dia 8 de maio, o médico dela deu alta, sendo que ela já perdeu o olho direito, a boca e está quase perdendo o nariz. Nós não tiramos ela do hospital naquele estado.”, disse alarmada Antonia.

De acordo com Antonia, em abril Serafina foi encaminhada para o Hospital Sociedade Portuguesa de Beneficência, em Santos, para radioterapia, e não pôde fazer o tratamento. “O médico da Beneficência disse que ela precisaria ser operada primeiro porque senão a radioterapia não teria efeito. Serafina voltou para o Santo Amaro e continua sem tratamento de radio e quimioterapia, e a ferida aumenta muito rápido”, afirmou Antonia.

“Por causa do estado avançado da doença, pedimos ao médico dela, Dr. Fernando, que pedisse a transferência dela para um hospital especializado, mas ele disse que ‘não dava transferência, só alta’”.

Antonia também disse ao DL que a família tentou falar com a direção do hospital para pedir a transferência. “Não sabemos nem onde fica a diretoria do hospital porque ninguém nos informa dentro do hospital quem é o diretor ou onde fica o setor. É um descaso só e ela precisa de uma transferência com urgência”.

Em nota, o diretor técnico do Hospital Santo Amaro, Hermano de Mattos Boechat Poubel, informou que “a respeito da paciente Serafina Rosa Raimundo da Silva, o que existe, de fato, é uma discordância entre equipes médicas quanto ao melhor procedimento a ser adotado a paciente. Um grupo sugere abordagem cirúrgica e o outro acredita que o procedimento cirúrgico é de risco elevado. Não existem reclamações dos familiares quanto a infraestrutura do hospital, inclusive a informação quanto a não realização dos curativos pela Enfermagem é inverídica, sendo que os familiares se desculparam perante a Enfermagem da notícia veiculada".

Desesperada diante do impasse do hospital, a família espera que a Justiça ajude Serafina. O advogado que representa a paciente, Sidnei Aranha, ingressou com ação na 3a Vara Cível de Guarujá contra o Hospital Santo Amaro e contra a Prefeitura de Guarujá, que, segundo alega, são os responsáveis pelo estado de saúde da paciente.

A única medida concreta executada até o momento foi a ordem judicial do juiz Gustavo Gonçalves Alvarez, determinada na segunda-feira, para que o HSA esclareça qual o estado de saúde da paciente. O hospital, segundo o advogado Sidnei Aranha, ainda não se manifestou. Porém, a transferência ou não de Serafina Rosa Raimunda de Mendonça dependerá ainda, segundo Sidnei Aranha, desse relatório do Hospital Santo Amaro.

O secretário de Saúde de Guarujá, Geronimo Ferreira Vilhanueva, afirmou que a Prefeitura ainda não foi notificada sobre a ação movida pelo advogado Sidnei Aranha, mas que a Administração “tomará as providências necessárias quando for notificada”.

Enquanto médicos não decidem qual o melhor tratamento para Serafina e a Justiça analisa o estado da paciente e a quem cabe a responsabilidade pelo descaso, Serafina luta contra o tempo pela vida a espera de uma transferência para um hospital especializado em tratamento de câncer.