Mulheres demoram mais para perder a audição do que homens

Estudo aponta diferenças de audição entre os sexos, mas especialista garante que todos devem cuidar da saúde auditiva

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06 MAR 201517h37

Mulheres e homens têm capacidade auditiva diferente e elas tendem ter problemas auditivos com menos frequência que eles. “Mas, isso não significa que elas podem descuidar da saúde auditiva”, pondera Ana Paula Lopes, fonoaudióloga da Direito de Ouvir Amplifon Brasil – que pertence ao grupo italiano Amplifon, que é líder mundial em soluções auditivas.

As diferenças entre homens e mulheres, quando o assunto é audição, ficaram mais claras em um estudo publicado no EUA – um dos maiores e mais importantes da especialidade. “Antes deste, os estudos eram inconclusivos sobre a especificidade da diferença de sexo associada à perda auditiva”, comentam os autores.

“Mulheres tendem a ouvir melhor que homens os sons em frequência mais alta. Por isso, inclusive, há algumas diferenças de comportamento, sobre a atenção a conversas paralelas, por exemplo”, explica a fonoaudióloga da Direito de Ouvir Amplifon Brasil.

Os hormônios femininos protegem a audição, por isso os problemas auditivos são mais frequentes em homens. Essa diferença só se estabiliza após os 50 ou 60 anos, época em que as células auditivas começam a morrer naturalmente. O início do declínio auditivo nas mulheres acompanhadas pelo estudo foi mais tardio quando comparado aos homens. Essa é a razão pela qual Ana Paula recomenda que, após os 50 anos, todos façam uma visita anual ao otorrinolaringologista.

Nem na audição, eles e elas não são iguais (Foto: Divulgação)

O estudo mostrou que a sensibilidade auditiva diminui mais de duas vezes mais rápido em homens que em mulheres em quase todas as idades e frequências. Os pesquisadores coletaram dados de 681 homens e 416 mulheres sem evidência de doença otológica (de ouvido), desde 1965, para chegar às suas conclusões. “Os níveis de audição são altamente variáveis, mesmo em um grupo seleto” sublinham os pesquisadores.

Entretanto, os achados documentam diferenças entre os sexos quanto se trata de níveis de audição e mostram que a associação entre idade e perda auditiva ocorre até mesmo em grupos cujas atividades são realizadas com exposição a baixo ruído e sem evidência de perda auditiva induzida por ruído.

“Por isso é tão importante cuidar da saúde auditiva”, defende a fonoaudióloga.  Evitar a exposição a ruídos e não utilizar hastes flexíveis descartáveis para limpar o ouvido – já que elas podem machucar o conduto auditivo – são duas atitudes saudáveis. “E, a qualquer sintoma, como zumbido, ouvido tampado ou dificuldade de entendimento, o ideal é consultar um especialista”, finaliza.