Maioria não se protege da radiação solar, diz pesquisa

Segundo Sociedade Brasileira de Dermatologia, 68,5% não se protegem

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03 MAR 201300h13

Dia ensolarado e praia cheia é sinônimo de faturamento para o ambulante, Josafá José dos Santos. Ele trabalha cerca de 12 horas por dia, a semana toda. Contudo, tanta exposição ao sol, em vez de lucro, traz prejuízos à saúde de Josafá. “Não uso protetor solar e esses dias debaixo do sol fiquei com a boca rachada e com a pele descascando por causa da queimadura. A partir de agora vou começar a usar protetor”, afirmou o trabalhador que tem consciência dos riscos para a saúde reconhece seu descuido.

A falta de cuidados especiais com a pele durante a exposição à radiação solar, acarreta uma série de doenças que vão desde o envelhecimento precoce da pele ao câncer, alerta a dermatologista, Sônia Voss.

A dermatologista ressalta a importância da prevenção, pois doenças como sardas brancas, catarata, lupus e o câncer só se manifestam depois de anos de exposição aos raios ultravioleta. “Essas doenças são resultado do efeito cumulativo da agressão sofrida pela pele”, explicou.

“Os cuidados devem ser tomados não só na praia como no dia a dia também. Na praia, é necessário passar o protetor solar de duas em duas horas, com fator 15, no mínimo, além de usar chapéu, óculos e guarda-sol.

De acordo com a dermatologista, as pessoas de pele branca são mais vulneráveis a ação do sol, mas que as negras também não estão livres das doenças de pele e devem se proteger do sol. “Vale esclarecer que o bronzeador não protege a pele, pois a ação do produto é justamente o contrário, para queimar”, afirmou a médica explicando que há pessoas que acham que estão protegidas com o bronzeador que garante uma cor bonita à pele. “De nada adianta uma pele bronzeada e bonita propensa a desenvolver doenças graves como o câncer”, completou. 

Sônia afirma que a cada ano surgem 100 mil novos casos de câncer de pele, no Brasil. Entre os tipos de câncer estão o carcinoma basocelular, o carcinoma espino celular e o melanoma, este último é a forma mais agressiva da doença podendo até levar à óbito.

Levantamento do Instituto Nacional do Câncer (INCA) revela que a incidência de câncer de pele responde por 25% de todos os tumores malignos. Outra pesquisa, feita pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, realizada em 2005, confirma este quadro. A entidade ouviu 34.928 pessoas. Dessas, 68,5% não usam qualquer tipo de proteção contra os raios ultravioleta, apenas 24,8% se protegem e 6,7% não se expõem ao sol.