Lei antifumo poderá prevenir doenças

A qualidade do ar em bares, restaurantes e casas noturnas será medida antes e depois da vigência da lei; médica diz que ar ‘limpo’ protegerá não fumantes

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29 JAN 201321h56

A vigência da lei antifumo poderá reduzir ao longo dos anos os índices de morte por doenças provocadas por exposição à fumaça de derivados do tabaco, no Estado de São Paulo.

A lei proibirá a partir do dia 7 de agosto fumar dentro de estabelecimentos públicos fechados como bares, restaurantes e casas noturnas para melhorar a qualidade do ar nesses ambientes e, por conseqüência, a saúde dos frequentadores. Pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) revela uma realidade alarmante: sete pessoas morrem por dia vítimas de doenças causadas por inalação da fumaça de cigarros, charutos e similares. 

Para saber os efeitos da lei nº 13.541/2009 na qualidade do ar, a Secretaria de Estado da Saúde em parceria com o Instituto do Coração (Incor) vai medir a qualidade do ar e os índices de monóxido de carbono em 840 estabelecimentos, antes e depois da vigência.

O monitoramento iniciou no último dia 24. Cerca de 100 técnicos do Centro de Vigilância Sanitária percorrerão bares, restaurantes e casas noturnas para avaliar as mudanças na qualidade do ar. A segunda fase do monitoramento começará 12 semanas após a entrada em vigor da lei.

As medições são feitas por um equipamento chamado Tox Co — trazido da Inglaterra pelo Incor — que mede a concentração de monóxido de carbono por meio de um sensor eletroquímico.

As visitas dos agentes ocorrem de quinta-feira a domingo, das 21 às 3 horas. A médica homeopata Selma Freire, que foi coordenadora do Núcleo de Integração de Conscientização e Controle do Tabagismo (Niccot) de Santos, da Secretaria de Estado da Saúde, durante 15 anos, afirma que a proibição do fumo em locais públicos fechados protegerá principalmente os não fumantes.

“A mudança de comportamento das pessoas em não fumar em locais fechados poderá diminuir os casos de doenças e mortes causadas pelo fumo”, no entanto, salienta que essa mudança será paulatina. “Mudar de comportamento leva tempo”.

De acordo com o estudo ‘Mortalidade atribuível ao tabagismo passivo na população brasileira’, do INCA e Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da UFRJ, pelo menos 2.655 não-fumantes morrem a cada ano no Brasil por doenças atribuíveis ao tabagismo passivo. A maioria das mortes ocorre entre mulheres (60,3%).

“Segundo a OMS, a morte de fumantes passivos é a terceira maior causa evitável do mundo”, afirma Selma, que atualmente é voluntária do Programa de Controle ao Tabagismo do Hospital Guilherme Álvaro, realizado em parceria com a Liga de Combate a Nicotina (Licotina).

Selma ressalta que 95% dos elementos cancerígenos lançados no ar no ato de fumar vêm de produtos do tabaco. “Um estudo mostra que um não fumante perto de um fumante inala 50% do alcatrão e 5% da nicotina e do monóxido de carbono lançados na fumaça. Quem convive com fumante respira o equivalente a 10 cigarros por dia e tem seis vezes mais chance de desenvolver câncer de pulmão”.

Selma explicou também que um cigarro possui aproximadamente cinco mil substâncias tóxicas e que os efeitos danosos não mudam com a redução do teor de nicotina e alcatrão no produto. Selma ressaltou ainda que mesmo um ambiente ventilado não atenua os efeitos da exposição ao tabaco. A prevenção eficaz é a ausência total das substâncias tóxicas do tabaco no ar em qualquer ambiente.

Fumantes

Levantamento do Ministério da Saúde mostra que existem no Brasil aproximadamente 30,3 milhões de fumantes. Desses, 200 mil morrem de doenças provocadas pelo fumo.

Selma citou outras pesquisas que revelam estatísticas preocupantes. Segundo lembrou, entre as complicações causadas pelo fumo, 90% dos fumantes desenvolvem câncer de pulmão, 80%, bronquite crônica; 40%, acidente vascular cerebral –derrame; e 25%, infarto do miocárdio. As toxinas dos produtos derivados de tabaco provocam mais de 40 doenças.