Itanhaém com medo da dengue

“Minha família quase toda pegou dengue. Eu peguei. Estamos todos com medo. Agora só ando com repelente”, afirmou a estudante Marina Mangueira Ciconetti

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04 MAR 201322h53

Moradores e veranistas de Itanhaém estão com medo. Só no primeiro trimestre deste ano foram notificados 268 casos de dengue. Destes, 93 foram confirmados, conforme divulgou a Secretaria de Estado da Saúde. Recentemente o Instituto Adolfo Lutz confirmou a morte por dengue hemorrágica de uma paulistana, de 26 anos, que teria contraído a forma mais grave da doença, no Município. Ainda segundo a secretaria, Itanhaém é a cidade da Baixada Santista, que concentra o maior número de notificações.

“Minha família quase toda pegou dengue. Eu peguei.  Estamos todos com medo. Agora só ando com repelente”, afirmou a estudante Marina Mangueira Ciconetti. A dengue pode afetar até os negócios. Esse é o receio do comerciante Samuel Siqueira Silva, que tem um quiosque de lanches em frente ao Pronto Socorro Municipal, no Centro. Ele afirmou que todos os dias vê muitas pessoas procurarem o Pronto Socorro com sintomas da doença. “A epidemia está aí e eu tenho medo de pegar dengue e não poder trabalhar. Eu sou autônomo e não posso parar”, disse ele.

A aposentada, Adnalva Maria Marques, afirmou que faz a sua parte evitando a proliferação do mosquito transmissor da dengue, Aedes aegypti, mas questiona a Prefeitura quanto aos terrenos baldios — favoráveis aos criadouros do mosquito. “Eu moro no Cibratel 2. Cuido da minha casa para não deixar juntar água parada, mas lá tem muitos terrenos vazios que acumulam mato e água. É um brejo só. Não é perigoso isso? A Prefeitura tem que tomar uma providência. Está uma vergonha o meu bairro”, declarou indignada.

Veranistas

A paulistana Andréa Yamamoto morreu no último dia 1º de março, vítima de dengue hemorrágica. O diagnóstico foi confirmado no final do mês passado pelo Instituto Adolfo Lutz. Foi a primeira morte no Estado provocada pela manifestação mais grave da doença. Andréa teria contraído a dengue hemorrágica no final de janeiro quando passou alguns dias em Itanhaém. Ao retornar para a Capital onde morava começou a sentir os sintomas da doença falecendo um mês depois.

A notícia alarmou veranistas que possuem casa em Itanhaém. Marisa de Almeida Lima, por exemplo, que reside em Barueri, está reduzindo sua frequência à Cidade. “Tenho casa aqui, vinha com frequência, mas agora tenho vindo menos porque tenho criança pequena. Se os adultos pegam com facilidade, imagine as crianças”. A dona de casa, Rosana Alves dos Santos, de São Bernardo do Campo, também teme pela saúde dos filhos. “Eu ficava direto (em sua casa, em Itanhaém), mas nos últimos quarenta dias, já subi várias vezes. Não tenho coragem de deixar meus filhos aqui não”, afirmou.

Secretário de Saúde

O secretário de Saúde do Município, Marcelo Di Giuseppe, não foi encontrado por nossa equipe de reportagem, na última quarta-feira, às 16h30 — horário marcado para a entrevista sobre as ações de combate à dengue na Cidade. Funcionários e secretários foram dispensados antes do meio-dia, devido a uma pane no sistema de energia elétrica no Paço Municipal, conforme informou um assessor de uma secretaria que se encontrava no local, mas não se identificou.