Informação e prevenção são as armas contra a gripe A (HINI)

O médico infectologista Álvaro Hilinski esclarece sobre os mais diversos vírus da gripe e em especial, o A(H1N1)

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29 JAN 201321h54

No inverno os casos de gripe aumentam consideravelmente. Mas, nesse inverno, em especial, o novo vírus Influenza A(H1N1), que se espalhou rapidamente pelo mundo, causando uma pandemia, deixou a população em alerta. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a gripe A (H1N1), que ficou conhecida, em princípio, como gripe suína, já contaminou mais de 130 mil pessoas, causando mais de 800 mortes, em 160 países.

No Brasil, dos 10.623 casos suspeitos de algum tipo de gripe informados pelas secretarias estaduais e municipais de saúde, 1.958 foram confirmados como influenza A (H1N1) entre os dias entre os dias 25 de abril e 25 de julho. A doença já matou 56 pessoas, segundo boletim divulgado até a manhã do dia 29.

Só no Estado de São Paulo foram confirmadas 37 mortes pela gripe suína. O Estado concentra o maior número de casos, no País. Para obter mais esclarecimentos sobre como se comporta o vírus A (H1N1) e outros vírus causadores da gripe, o Diário do Litoral, ouviu o médico infectologista Álvaro Hilinski.

Hilinski ressalta que não há razão para pânico, e que o grau de gravidade da nova gripe é o mesmo que o da gripe comum. O médico afirma ainda que a prevenção individual ainda é a melhor maneira de evitar o contágio e que o medicamento fosfato de oseltamivir (Tamiflu) só deverá ser indicado para tratamento de casos graves ou de pacientes considerados de risco, e nas primeiras 48 horas, após o surgimento dos sintomas.

O especialista em imunizações defende a necessidade de maiores investimentos no País em pesquisas científicas para investigação de novos vírus, para produção de vacinas, e tratamentos.

Hilinsk destaca que a gripe é uma das doenças mais antigas, cujo vírus está em constante mutação. Existem três tipos de Influenza: A, B e C. Dentro desses tipos surgem as mutações. 

“Quanto ao combate ao novo vírus Influenza A (H1N1) a parte técnica está pronta, o que falta fazer é o operacional”, afirma Hilinski mencionando que há laboratórios espalhados pelo mundo e também no Brasil trabalhando em vacinas todos os anos contra as doenças que surgem, porém, ressalta que se os investimentos para pesquisas científicas de contenção de doenças e epidemias fossem maiores, aceleraria muito mais a produção de medicamentos e vacinas.

No entanto, Hilinski salienta que não cabe somente ao poder público o levante à prevenção ao vírus da nova gripe, mas também ao indivíduo. “A pessoa tem que se cuidar, fazer a sua parte. Se não fizer, o que adianta?”.

O H1N1 apresenta algumas diferenças em relação ao vírus da gripe comum. Ele atinge mais os adultos jovens, enquanto a gripe comum atinge crianças e idosos. Mas, ele surgiu há apenas alguns meses e as causas ainda não foram identificadas. “As pesquisas estão sendo feitas”, afirma.

O especialista afirma que as principais armas contra a nova doença hoje são a informação, a prevenção e calma. “Mantenha-se informado, não tenha pânico. A estrutura está pronta. O Governo tem o remédio. O serviço público tem leitos. Os convênios estão atendendo, os hospitais privados estão atendendo. Não é nada muito mais do que a gente teve e isso seguramente vai passar. Não deve ser uma coisa a longo prazo”. 

Mais informações sobre o vírus Influenza A(H1N1) podem ser obtidas no site do Ministério da Saúde http://portal.saude.gov.br/saude/ ou pelo Disque Saúde 0800 061 1997.

DL - Como é o vírus Influenza e como age?
Álvaro Hilinski
- Existem três tipos de vírus Influenza, A, B e C. O tipo C não faz quase nada. Então a gente só tem praticamente dois. O chamado tipo A entra na célula, muda o código genético e essa célula começa a replicar o vírus. As pessoas estão preocupadas com o vírus. O vírus foi identificado, tem centros maravilhosos no mundo inteiro trabalhando nele, o CDC de Atlanta, no Brasil tem o Butantan, FioCruz, e Instituto Pasteur. Ele (vírus) é conhecido, é bem estudado. O remédio nós temos e deve ser tomado em até 48 horas por pacientes graves ou que estejam no grupo de risco (idosos, crianças menores de dois anos, gestantes, diabéticos, cardíacos, pacientes com câncer, aids, obesos mórbidos e anemia falciforme).  

DL – Por que o paciente precisa tomar o medicamento nas primeiras 48 horas?
Hilinski
– O remédio tem uma utilização nas primeiras 48 horas. Ele impede a replicação do vírus. Depois que o vírus replicou não há mais o que fazer.

DL – Por que o remédio fosfato de oseltamivir (Tamiflu) não pode ser indicado para o tratamento de todas as pessoas que contraíram o vírus A(H1N1)?
Hilinski
– Se o remédio for mal utilizado, e se as pessoas tomarem indevidamente, o vírus pode criar resistência. E aí, vamos perder o remédio, por isso ele não pode ser utilizado indiscriminadamente. E a partir da próxima (temporada de surto do vírus), vamos ficar sem nada. Você tem que garantir o remédio para agora, para os que precisam e para as próximas gerações. Não é uma questão de economia.

DL – O clima afeta o tempo de sobrevida do vírus fora dor organismo?
Hilinski
– Sim. O vírus fica no ar. No inverno não tem quase sol e o sol esteriliza o ar matando os germes. No frio, a umidade do ar aumenta, então o vírus permanece mais tempo no ar. No frio, se as pessoas se aglomeram nos locais, o risco de contaminação é maior. No tempo frio, esse vírus dura cerca de 24 horas no ar, num ambiente fechado e sem ventilação.

DL – Uma pessoa que contraiu o vírus da gripe A(H1N1), mas não apresenta sintomas, pode transmitir esse vírus?
Hilinski
– Não. Porque a pessoa não colocará esse vírus no ar. Ninguém pega vírus da pele. Ele tem predominância pelo trato respiratório. A transmissão é através da tosse ou espirro.

DL – Qual o período de contágio do vírus?
Hilinski
– O período no adulto é de mais ou menos uma semana. Já nas crianças, o período é de duas semanas. Uma criança pode passar a doença durante 15 dias. Talvez, por isso, a Secretaria da Educação suspendeu as aulas por um tempo nessa época de tanto frio.

DL – Uma pessoa pode contrair ao mesmo tempo o vírus da gripe comum e o da gripe A (H1N1)?
Hilinski
– Acredito que não.

DL – A vacina da gripe comum pode ser uma defesa a mais para o organismo, contra o vírus A (H1N1)?
Hilinski
– Surgem três vírus novos a cada ano no mundo. Então, a vacina da gripe é feita com três sorotipos: dois tipos A e um tipo B. Eles são parecidos. Estima-se que o efeito da vacina seja de cinco anos para os três vírus. No outro ano você toma outra vez, são mais cinco anos, e assim por diante. Cinco anos de vacina equivalem a 15 níveis de proteção. Então quem tomou vacina nos últimos cinco anos, provavelmente tem uma capacidade muito boa para enfrentar esse vírus. Porque o organismo está mais ou menos acostumado porque é da mesma família Influenza, como se o H1N1 fosse um primo dos vírus da gripe comum. O organismo terá uma resposta imunológica melhor.