Gripe: Sintomas, mitos, cura e prevenção

Na próxima segunda-feira começa a campanha de vacinação contra a gripe; o pneumologista Rui Coelho Pereira esclarece dúvidas sobre a doença mais comum em todo o mundo

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14 JAN 201321h06

Você já teve gripe? Imediatamente você responderá que sim. A doença viral mais comum do planeta é benigna e, na maioria dos casos, é branda e de rápida recuperação. Mas, não se pode descuidar, porque uma simples gripe poderá evoluir para uma pneumonia, por exemplo.

O intuito dessa reportagem é esclarecer sobre essa doença, como preveni-la e derrubar mitos criados pela população. Além disso, a gripe é facilmente confundida com outras infecções do sistema respiratório.

“A gripe (Influenza) é uma doença causada por um vírus que afeta as vias respiratórias. Entra pela árvore respiratória, tem predileção pelos pulmões, pelas vias aéreas superiores e causa um processo inflamatório que se repercute no organismo com os sintomas que todo mundo conhece. Coriza, tosse, mal-estar. É um vírus normalmente de potência regular para fraca. Não tem vida longa. É uma doença fugaz”, esclarece o médico pneumologista Rui Coelho Pereira.

Existem vários tipos de vírus da gripe, normalmente cepas do Influenza. Mas, o especialista alerta que em crianças, idosos pessoas imunodeprimidas (sistema de defesa do organismo deficitário) e com doenças crônicas a gripe pode ser perigosa e até fatal.

“Uma gripe em quem já tem uma doença preexistente é muito mais séria do que em quem não tem. Doenças como diabetes, insuficiência cardíaca, bronquite, enfisema, aids, pessoas em tratamento quimioterápico contra o câncer. Nesses casos a gripe é perigosa e pode matar”, explica o especialista.
 
Gripe e Resfriado

É a mesma coisa? Não. São duas viroses diferentes com sintomas semelhantes. “Resfriado é uma coisa bem mais simples do que a gripe, menos potente. Os sintomas do resfriado são locais e restritos às vias áreas superiores como nariz, garganta, olho e com pouca tosse.

Em três dias acaba. Já a gripe tem manifestações gerais como dor de cabeça, queda do estado geral (mal estar)”. Tanto a gripe quanto o resfriado podem provocar febre, porém no resfriado a febre é mais fraca. A febre é uma reação do organismo para matar o vírus. O vírus da gripe, por exemplo, encontra ambiente ideal para se reproduzir no frio.

Complicações da gripe

Quando os sintomas persistem por mais de uma semana a dez dias, o doente deve procurar um médico porque alguma complicação da gripe existe. “As que a gente mais tem medo são as pneumonias em primeiro lugar e, em algumas gripes, a hemorragia”.

Dr. Rui alertou ainda para a tuberculose que apresenta sintomas semelhantes aos da gripe, mas que deve ser investigada quando o doente tem tosse por mais de três semanas.

Gripe mal curada não existe

Entre os mitos da doença, está a famosa “gripe mal curada”. Segundo o Dr. Rui Pereira não existe gripe mal curada, mas “infecção bacteriana pós estado gripal”. Ele explica: “na gripe a sua resistência (imunológica) cai e você fica mais suscetível a outras infecções. Nessa fase, você tem um pulmão com bastante secreção, ambiente ideal para a reprodução do pneumococo (bactéria causadora da pneumonia), por exemplo.

Então ela instala no pulmão, se multiplica, e desenvolve a pneumonia depois de sete dias de incubação. A pneumonia é grave principalmente nas crianças e nos idosos”. Vale lembrar que quanto mais cedo for feito o diagnóstico e o tratamento da doença, mais fácil será a recuperação do paciente.

Coriza, catarro branco e catarro amarelo

O pneumologista explica que nos resfriado e na gripe a secreção é líquida, clara e transparente (coriza), mas o pulmão também pode produzir um catarro branco, uma gosma branca. Já quando a secreção é amarelada e densa, a enfermidade complicou porque pode ser um sinal de pneumonia, sinusite ou qualquer outra infecção do trato respiratório mais grave. Nesses casos o tratamento é à base de antibióticos.

Remédio para gripe

De acordo com o Dr. Rui existem medicamentos para curar a gripe e medicamentos para aliviar os sintomas. Mas, os remédios contra o vírus só têm eficácia se forem tomados nos primeiros dois dias da infecção.
 
Água é a melhor prevenção

Segundo o Dr. Rui é possível prevenir a gripe com hidratação. Quanto mais água ou qualquer outro líquido a pessoa ingerir, melhor será a hidratação dos pulmões e das vias respiratórias reforçando as defesas naturais do organismo contra o vírus da gripe. Os fumantes também são os mais vulneráveis a contrair gripe porque a fumaça resseca as vias aéreas e os pulmões.

Cuidados

O pneumologista Rui Pereira recomenda que aos primeiros sintomas de gripe, as mães não levem seus filhos para a escola ou creche afim de evitar a transmissão da doença. A gripe, segundo explica, é transmitida pela tosse e também ao tocar em outras pessoas. “É praticamente impossível evitar que uma criança toque em outra”. Dr. Rui afirma que o inverno é a época mais propícia à gripe devido ao frio e o contágio é facilitado em locais fechados.  

Ficar gripado após tomar a vacina

O pneumologista esclarece ainda que existem dois fatores que levam uma pessoa a ficar gripada logo após tomar a vacina contra influenza sazonal (gripe comum). 

“Você não pega o vírus hoje e fica doente hoje. Tem o período de encubação. Existe a possibilidade de você já estar com o vírus encubado, não tem sintoma, coincidiu de você tomar a vacina e vem a virose. E também não é porque você toma a vacina hoje que já está imunizado.

Você tomou uma medicação para estimular a produção de anticorpos para aqueles tipos de vírus e depois de um certo tempo você está imunizado. E existe a possibilidade de uma reação pós-vacinal, que não é que a pessoa pegou gripe.

Há sintomas que a pessoa desenvolve, muito parecidos com a gripe, que mostra que o seu corpo acusou o recebimento daquele vírus atenuado e está produzindo anticorpos para combatê-lo. Então a pessoa pode apresentar sintomas de uma gripe atenuada. Normalmente a pessoa apresenta mal estar, coriza, febrícula de um a dois dias (pequena febre) e acabou”.

Estatísticas

Conforme números de 2008, a gripe comum gerou 27,3 mil internações em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) e 753 mortes, patamares próximos de 2007, naquele ano. Os governos gastaram R$ 18 milhões com as internações dos doentes. As doenças respiratórias são a principal causa de internações no país. No total, houve 1,3 milhão de internações em 2008.