Gripe A (H1N1) começa a recuar na Baixada Santista

Órgãos de vigilância epidemiológica dos municípios informam redução nas notificações de pacientes com sintomas de síndrome gripal aguda

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20 JAN 201315h30

Segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde no último dia 16, o número de casos graves de gripe A (H1N1) caíram pela quinta vez consecutiva. O número de notificações na semana entre os dias 6 e 12 de setembro foi 65 vezes menor que o registrado na semana de 2 e 8 de agosto. Foram registrados 35 casos graves na segunda semana de setembro, enquanto no começo de agosto os registros foram de 2.283 casos.

Assim como no quadro macro do País, os órgãos de vigilância epidemiológica dos municípios da Baixada Santista também constatam queda na incidência de casos confirmados ou suspeitos de gripe suína. Porém cidades como Santos e Praia Grande devem divulgar nos próximos dias um boletim epidemiológico da evolução e recuo da doença, desde o aparecimento dos primeiros casos, no mês de julho. 

Embora os relatórios comparativos da evolução da doença não estejam finalizados, todas as secretarias municipais de saúde enviaram ao DL os balanços gerais com dados que variam entre notificações, casos confirmados, casos descartados, casos monitorados — pacientes acompanhados em domicílio, pacientes internados, pacientes com suspeita que aguardam resultados e óbitos. Com esses dados, a reportagem do DL faz um “Raio X” aproximado da epidemia de Influenza A (H1N1) na Região Metropolitana da Baixada Santista.

Santos

Santos é a cidade com o maior número de casos confirmados de gripe A (H1N1). Segundo boletim semanal, divulgado às quartas-feiras pela Seção de Vigilância Epidemiológica (Seviep), da Secretaria Municipal de Saúde de Santos (SMS), desde 30 de abril foram confirmados 126 casos de gripe por Influenza A (H1N1) em residentes na Cidade, entre os quais três óbitos.

Atualmente, são monitorados 154 pacientes. Destes, 83 estão internados em hospitais da Cidade. Os demais (71) permanecem em isolamento domiciliar. Todos os pacientes são acompanhados diariamente pelos técnicos da Seviep. Aguardam resultados de exames 42 pacientes.

Dos 126 casos positivos, 71 pacientes são homens e 55, mulheres. As faixas etárias apresentadas são: 1-9 anos (30 casos); 10-19 anos (49 casos); 20-49 anos (36 casos), 50-59 anos (5 casos), acima de 60 (2 caso). Idade ignorada (4).

Equipes de hospitais, unidades de saúde, pronto-socorros públicos e privados foram treinados pela Seviep para o atendimento de pacientes com sintomas da síndrome gripal comum ou A(H1N1). Os profissionais de saúde receberam orientações, recomendadas pelo Ministério da Saúde, sobre definições de caso suspeito e confirmado; isolamento do paciente; fatores de risco para complicações e as medidas de prevenção que devem ser adotadas para reduzir o risco de transmissão.

A Secretaria de Saúde disponibilizou um quarto de isolamento no Hospital Arthur Domingues Pinto, na Zona Noroeste, para pacientes com suspeita de gripe suína. Já os pacientes com diagnóstico positivo são encaminhados para o Hospital Estadual Guilherme Álvaro ou ao Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

São Vicente

São Vicente é o município com o segundo maior número de diagnósticos positivos para a Influenza A (H1N1). De acordo com informações da assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde, a cidade registra 274 notificações, sendo 24 casos confirmados, dois óbitos, e dois aguardando resultado dos laudos laboratoriais.

A assessoria informou ainda que nos últimos 15 dias, o número de notificações caiu 50% na Cidade, e esclareceu que todas as equipes da rede pública de saúde estão capacitadas para atender pacientes com suspeita da enfermidade. Os atendimentos são feitos nos pronto-socorros, entre eles o CREI, e nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Pacientes graves são encaminhados para o Hospital Guilherme Álvaro — referência na Região.

Cubatão

De acordo com o Serviço de Vigilância Epidemiológica de Cubatão, de julho a setembro foram feitas 47 notificações, sendo 22 casos positivos para a Gripe A (H1N1). Em julho foram registrados quatro casos positivos, em agosto o número subiu para 16, e em setembro, foram registrados dois casos até agora.

Três pacientes morreram na Cidade e três aguardam resultado dos laudos laboratoriais para confirmação ou não da doença. No momento não há nenhum paciente internado com suspeita de gripe A (H1N1).

Ainda segundo o órgão, todas as unidades de saúde do Município estão preparadas para atender casos leves da doença. Casos graves são encaminhados ao Pronto Socorro Central que tem estrutura para atendimento específico com isolamento dos casos. A estrutura será mantida apesar da diminuição de casos confirmados. Quando há necessidade de internação o paciente é encaminhado ao Hospital Dr. Luiz Camargo da Fonseca e Silva, antigo hospital modelo.

Guarujá

Último boletim divulgado pela Vigilância Epidemiológica do Município na última quinta-feira contabiliza 243 notificações de pessoas com sintomas de síndrome gripal de qualquer natureza. O Município registra 18 casos positivos de Influenza A (H1N1), sendo que dois pacientes morreram em decorrência das complicações da doença.

De acordo com o secretário de Saúde de Guarujá, Gerônimo Ferreira Vilhanueva, oito munícipes se encontram internados, sendo sete distribuídos entre o Hospital Santo Amaro, em Guarujá, e o Hospital Guilherme Álvaro, em Santos. O oitavo paciente foi encaminhado ao Hospital Emílio Ribas, na Capital paulista, que é o hospital referência para atendimento de pacientes com síndrome A (H1N1). Os oito pacientes aguardam resultado dos exames de diagnóstico.

Segundo Vilhanueva, o número de notificações de síndrome respiratória aguda vem caindo na Cidade e ele aposta na melhora do tempo para a redução dos casos no Município.

Praia Grande

Na cidade de Praia Grande, a Prefeitura realizou 2.152 atendimentos em uma tenda montada de 27 de julho a 31 de agosto. Desse universo, segundo informou a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde, 1.275 pessoas consultadas apresentavam sintomas de gripe, sendo que em 60% dos casos, os sintomas eram leves.

No balanço geral, a Cidade registrou 21 casos positivos para a gripe A (H1N1), com um possível óbito que está sendo investigado. Além desses pacientes, duas pessoas aguardam resultado dos laudos laboratoriais do Instituto Adolfo Lutz para confirmação ou não de gripe suína.

O óbito sob investigação trata-se de um paciente que é morador de Praia Grande, mas foi atendido em São Vicente, como se fosse morador daquela cidade. Entretanto, A Secretaria de Saúde de São Vicente descartou esse paciente como sendo da cidade, considerando-o munícipe de Praia Grande.   

Em Praia Grande, o atendimento emergencial de pacientes com sintomas de gripe seja ela do tipo sazonal ou suína está concentrado no Pronto-socorro do Bairro Quietude, com retaguarda do Hospital Irmã Dulce para internação. Mas, os pacientes também estão sendo atendidos nos pronto-socorros Central, no bairro do Boqueirão, e no bairro Samambaia.

Mongaguá

O Município tem três casos sendo monitorados, mas nenhuma confirmação pela contaminação do vírus Influenza A (H1N1). Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Mongaguá, os pacientes permanecem em isolamento domiciliar e são tratados com Tamiflu, que é o medicamento específico para o tratamento da síndrome gripal A (H1N1).

Apesar de a Cidade não registrar casos confirmados da doença, a Secretaria de Saúde mantém uma área isolada no Pronto-socorro do bairro Vera Cruz para atendimento de pacientes com sintomas de gripe em geral.

Itanhaém

Itanhaém contabiliza 15 pacientes sob suspeita, com sintomas de gripe. Dez estão internados e cinco são monitorados no próprio domicílio. A Prefeitura informou, por meio da assessoria de imprensa, que a Cidade não possui nenhum caso positivo para Influenza A (H1N1) e nenhum óbito. Já as notificações de pacientes com sintomas de gripe em geral caíram 60% em setembro em comparação com o mês de agosto.

A Secretaria de Saúde concentra o atendimento de pacientes com gripe no Pronto-socorro instalado no centro da Cidade, onde destina uma área somente para receber esses pacientes. A área de triagem será mantida enquanto houver expectativa de contaminação pelo vírus da gripe suína.

Peruíbe

A cidade de Peruíbe registra duas mortes de pacientes pela gripe suína e cinco notificações de pacientes doentes graves com sintomas de gripe em geral. Já os casos totais sob suspeita são 140.

Segundo informou a assessoria de imprensa da Prefeitura, em nota, “o município não dispõe de estrutura para atender pacientes suspeitos de gripo suína. A Unidade Hospitalar do município montou uma tenda na área externa da unidade e todo paciente que chega gripado é orientado para receber máscara e em caso grave é encaminhado para o Hospital Regional de Itanhaém ou ao Guilherme Álvaro, em Santos”.

Os casos de gripe caíram 90%, segundo avaliação da vigilância epidemiológica do Município, informada pelo órgão de imprensa da Cidade.

Bertioga

O Município registra três casos confirmados de gripe suína e 70 suspeitos. De acordo com a assessoria de imprensa, os três pacientes passam bem. A Departamento de Vigilância Epidemiologia do Município mantém ações de prevenção junto às redes públicas de ensino e de saúde. A cada 15 dias o pessoal da vigilância epidemiológica se reúne com educadores e profissionais de saúde que tem contato direto com o público para orientações.

Notificações

Conforme orientação do Ministério da Saúde, atualmente são notificados pelos municípios somente os casos graves de gripe, diferente da etapa inicial, quando todos os pacientes com sintomas leves e graves de influenza entravam para a lista de notificações.

Segundo último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, na semana passada, o Brasil já registrou 899 mortes pela gripe A (H1N1), até o dia 12 de setembro. A taxa de mortalidade do país é de 0,46 a cada cem mil habitantes. O boletim anterior, divulgado no dia 2, indicava 657 mortes pela doença.

O Ministério alertou que o acréscimo no número de mortes não se refere a casos novos de pessoas que morreram no período analisado, mas aos casos que tiveram confirmação laboratorial entre os dias 30 de agosto e 12 de setembro.

Os países com as maiores taxas de mortalidade estão no Hemisfério Sul, onde, em decorrência do inverno, a pandemia apresenta maior impacto, segundo o ministério, e os países adotam periodicidade diferente para atualização do número de óbitos.

No Brasil, o estado com maior taxa de mortalidade é o Paraná (2,08 mortes a cada cem mil habitantes e 222 mortes) seguido pelo Rio Grande do Sul (taxa de 1,36 e 148 mortes), por São Paulo (0,79/100 mil habitantes e 327 mortes), Santa Catarina (taxa de 0,78 e 48 mortes) e Rio de Janeiro (taxa de 0,52 e 84 mortes).

Um total de 3.521 mulheres em idade fértil (15 a 49 anos) tiveram resultado positivo para o novo vírus e desenvolveram a forma grave da doença, sendo 856 grávidas. Das gestantes, 91 morreram. O Brasil têm 3,4 milhões de mulheres que estão grávidas, segundo o Ministério da Saúde.