Fiocruz testa antiviral para hepatite e obtém resultados positivos contra a Covid-19

Fundação realizou testes in vitro com três linhagens de células; remédio apresentou uma eficácia maior que outros medicamentos já estudados

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26 JUN 2020Por Da Reportagem13h33
Mesmo com resultados promissores, a fundação alerta que testes em humanos são necessários para comprovar a eficácia

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) liderou um estudo com medicamentos usados no tratamento da hepatite C e o resultado mostrou que os remédios apresentaram uma eficácia contra a Covid-19. De acordo com a fundação, os testes foram realizados com três linhagens de células, incluindo células pulmonares humanas.

Segundo o estudo, o antiviral daclastavir impediu a produção de partículas virais do novo coronavírus. Ainda de acordo com o estudo, o medicamento foi de 1,1 a 4 vezes mais eficiente que outros remédios já estudados, como a cloroquina.

Além disso, o antiviral também superou a eficácia do atazanavir, um antirretroviral utilizado no tratamento da HIV. “As análises apontaram que o fármaco [daclastavir] interrompeu a síntese do material genético viral, o que levou ao bloqueio da replicação do vírus. Em células de defesa infectadas, o fármaco também reduziu a produção de substâncias inflamatórias, que estão associadas a quadros de hiperinflamação observados em casos graves de covid-19”, revela a Fiocruz.

O estudo também mostrou que outro medicamente contra a hepatite, o sofosbuvir, foi menos eficiente que o daclastavir. Ele não apresentou efeito em células.

O resultado foi publicado no site pré-print bioRxiy. O estudo foi liderado pelo pesquisador Thiago Morendo, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), em parceria com cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e dos Laboratórios de Imunofarmacologia e de Pesquisa sobre o Timo do IOC. Também colaboraram o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Universidade Iguaçu (Unig), Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Inovação de Doenças de Populações Negligenciadas (INCT-IDPN) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Neuroimunomodulação (INCT-NIM).

No entanto, mesmo com resultados promissores, a fundação alerta que testes em humanos são necessários para comprovar a eficácia. “Todas as pessoas com casos suspeitos ou confirmados de covid-19 devem procurar atendimento médico para orientação da terapia adequada”, alerta a Fiocruz.