Fim da intervenção no Santo Amaro não afetará atendimento

Hospital volta a ser administrado integralmente pela antiga mantenedora, a Associação Santamarense de Beneficência

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16 FEV 201300h20

Após 14 anos sob intervenção da Prefeitura de Guarujá, o Hospital Santo Amaro (HSA) volta a ser administrado pela Associação Santamarense de Beneficência do Guarujá, antiga mantenedora.

A intervenção encerrou no dia 31 de dezembro, conforme decreto municipal, porém uma comissão interventora de transição já havia sido nomeada em 2007, sendo presidida por Urbano Bahamonde, que permanece como administrador do hospital.

A partir desse mês, o Santo Amaro não receberá mais a subvenção municipal de R$ 262.500 da Prefeitura, apenas o repasse SUS, cujo valor anual é R$ 1,4 milhões. Esse valor pode chegar a R$ 1,7 milhão conforme a demanda de procedimentos realizados no hospital, de acordo com o secretário de Saúde de Guarujá, Benjamin Rodriguez Lopez.

O administrador do HSA, Urbano Bahamonde disse que são feitos por mês, em média, 750 atendimentos SUS/dia.A partir de agora, conforme Bahamonde, a gestão administrativa será revista com o intuito de reduzir custos, enxugar o quadro administrativo, e otimizar os atendimentos.

Atualmente o HSA enfrenta dificuldades financeiras e déficit no corpo clínico. “Primeiro enxugaremos a folha de pagamento efetuando cortes no setor administrativo. A meta é reduzir em 10% os funcionários da administração e aumentar em 50% o número de médicos, que hoje é de pouco mais de 100 profissionais, nos próximos seis meses”.

Quanto a otimização do tempo de internação nos leitos SUS, o intuito, conforme o administrador, “é aumentar a capacidade de atendimento à população, enxugando despesas, mas sem prejudicar a qualidade no atendimento”. Ele exemplifica que uma internação de oito dias pode ser reduzida para quatro, atendendo dessa forma, dois pacientes.

Sem a subvenção, o Hospital Santo Amaro passará a vender serviços ambulatorias para a Prefeitura. “A partir de agora o Santo Amaro passa a ser um prestador de serviços do Município. A Prefeitura pagará por todos os atendimentos públicos que forem feitos nos ambulatórios como exames e consultas”, disse ele.

Benjamin disse que o Município é o maior comprador desses serviços e que eles serão custeados com o repasse do SUS, pelo Ministério da Saúde, havendo a possibilidade de uma contratualização de serviços ambulatoriais. Benjamin explicou que o repasse do SUS é destinado a internações, porém, também cobre os procedimentos ambulatoriais.

Unifesp

Em princípio, a Prefeitura havia iniciado tratativas para firmar convênio para consultoria com a Unifesp, porém, de acordo com o secretário, o projeto foi rejeitado na Câmara Municipal.

Atendimento

O Hospital Santo Amaro tem 200 leitos SUS para internação fora os leitos de UTIs. Segundo Bahamonde, o HSA é o que oferece o maior atendimento pelo SUS, na Baixada Santista. “Fazemos 15 mil atendimentos por ano, mais que a Santa Casa e a Beneficência Portuguesa, de Santos, juntas. As duas totalizam cerca de 14 mil atendimentos/ano. E nós ainda recebemos pacientes de Bertioga e litoral norte”.

Dívida

O Hospital Santo Amaro acumula uma dívida em torno de R$ 60 milhões que será paga em 20 anos pela Prefeitura por meio do Refis. De acordo com Bahamonde, 90% do saldo devedor é referente a INSS, FGTS e Receita Federal.