Evaldo expõe problemas e Calvo promete melhorias

Vereador vistoriou três PSs de Santos; secretário entregou plano ao prefeito.

Comentar
Compartilhar
17 JAN 201309h47

Uma paciente toma soro, em pé, segurando a própria bolsa do produto. Um consultório com poça de sangue no chão. Uma bancada para higienização das mãos dos médicos suja, sem condições. Pacientes sendo tratados em filas de maca, sem ter ao menos uma cortina para o mínimo de privacidade. E uma senhora, com uma perna amputada, com muletas, esperando, em pé, o atendimento.

As cenas típicas de atendimento em um campo de guerra foram apresentadas ontem na Câmara de Santos e referem-se aos três prontos-socorros da Cidade (Central, Zona Leste/Macuco e Zona Noroeste).

Quem despiu o cenário de abandono do setor de urgência/emergência foi o presidente da Comissão Permanente de Saúde e Higiene, o médico e vereador Evaldo Stanislau (PT). Ao seu lado,  o médico Marcos Calvo, que há 16 dias assumiu a pasta da Saúde.

Estado crítico  - Atendimento inadequado, mobiliário rasgado e medicamentos armazenados irregularmente foram constatados. (Foto: Matheus Tagé/ DL)

A sessão extraordinária da Comissão de Saúde discutiu o relatório feito por Stanilslau, durante três visitas não agendadas aos PSs, nas quais esteve acompanhada da arquiteta Pacita Franco. Entre os presentes ao auditório, foi difícil encontrar quem não se sentiu medo de ser atendido em uma dessas unidades.

As irregularidades constatadas pelo vereador aparecem em três níveis: estrutural (mobiliário velho, quebrado e inadequado), funcional (ausência de uma rotina adequada de atendimento e procedimentos) e de pessoal (falta de médicos).

PS Central

No PS Central, a cena dramática registrada pelo parlamentar foi a de uma senhora, portadora de mal de Parkinson, em uma maca sem colchão, sendo conduzida por um profissional não qualificado: seu próprio filho. Além dela, outros pacientes não tinham conforto enquanto aguardavam atendimento.
Um dos dois elevadores da unidade está quebrado e há. salas sem ventilação adequada.

Quanto aos profissionais do PS Central, Stanislau identificou excessos de plantões extras, profissionais sem identificação adequada e falta de um serviço social por 24 horas.

PS Zona Leste

O vereador constatou corredores lotados de paciente aguardando atendimento, pias sem sabonetes e mobiliário rasgado. Stanislau ainda identificou um pote de soro sem data de validade, lixo sem tampa, vacinas mal conservadas e foi informado que à noite “há presença de ratos”.

PS Zona Noroeste

Um ponto positivo: foi o único PS a apresentar informe sobre a classificação de risco para critério de atendimento. Mas não faltaram irregularidades, como lotes de remédios psicotrópicos armazenados em um armário sem chave, entre outras.

Há 16 dias no cargo de secretário de Saúde de Santos, Marcos Calvo não tinha obrigação de comparecer à audiência.

Marcos Calvo: ‘trabalho é para quatro anos’

Calvo ouviu os vereadores e representantes de entidades civis e destacou o fato de, nesse momento, estar montando sua equipe. À tarde, ele entregaria ao prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) as ações a serem adotadas nos 100 dias de governo da sua pasta. Não há data de quando o chefe do Executivo vai apresentar esse plano.

“Estamos fazendo um diagnóstico detalhado de situações como essas, não só nas unidades de emergência”, informou o secretário, destacando que o passo seguinte é o de planejamento das ações. “Este ano, teremos a Conferência Municipal de Saúde, que vai legitimar o projeto de Saúde que está sendo construído em Santos”.

Marcos Calvo disse que desde que assumiu a pasta ficou claro para ele algumas prioridades, como a dengue.