Epidemia de dengue faz alguns municípios aderirem ao “fumacê”

Duas das três cidades da Região com maior incidência de casos — Guarujá e São Vicente — fazem a nebulização para eliminar o mosquito Aedes aegypti

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18 JAN 201310h42

A Coordenadoria de Controle de Dengue de Guarujá inicia nesta terça-feira, 4, a segunda etapa de nebulização com inseticida em bairros onde foi constatada maior incidência de casos da doença. Desta vez, os caminhões nebulizadores percorrerão os bairros Santa Rosa, Vila Lígia, Jardim Helena Maria e Primavera também nos dias 11, 18 e 25.

A primeira etapa iniciou, na última semana de março, nos bairros do Paecará e Parque Estuário, ambos no Distrito de Vicente de Carvalho. Segundo a coordenadora de Controle de Dengue de Guarujá, Ana Lúcia Gama da Cruz, a nebulização em Vicente de Carvalho foi feita em quatro ciclos — duas vezes por semana durante quatro semanas.

De acordo com Ana Lúcia, o lançamento de inseticida no ar para eliminar o mosquito Aedes Aegypti adulto é utilizado com ressalvas devido ao risco de resistência do mosquito. O inseticida é usado quando o combate aos criadouros não é suficiente para conter os casos em determinada localidade.  Porém, Ana Lúcia adianta que a ação surtiu o efeito esperado que foi a redução dos casos em Vicente de Carvalho.

De acordo com Ana Lúcia, a nebulização, em princípio, não deverá ser feita em outros bairros. “Isso vai depender da semana epidemiológica, do número de casos”. Ana Lúcia ressalta que o meio mais eficaz de combater ao mosquito é destruindo os criadouros, cujo trabalho vem sendo intensificado no Município.

Guarujá é a cidade com o maior número de casos de dengue na Região totalizando 4.031, segundo último boletim divulgado na sexta-feira, 30.

Santos

Santos, a segunda cidade com o maior número de casos, de acordo com o último boletim, não faz uso da nebulização ou “fumacê”. O município contabiliza 3.118 casos confirmados, sendo 19 óbitos.

Em nota, o chefe da Seção de Controle de Vetores, Marcelo Brenna, informou “que a nebulização, com aplicação costal de veneno, é realizada por equipe própria, seguindo as normas técnicas estabelecidas pelo Ministério da Saúde. O município não utiliza fumacê há cerca de 10 anos. Sobre ação de nebulização em conjunto com a Sucen, no momento, não há nada em andamento”.

Complementando a nota, a assessoria de imprensa esclareceu que apesar da epidemia, o Município segue “a normalização técnica da Sucen que excluiu a nebulização do combate à dengue, entre outras coisas pela baixa eficácia contra o mosquito”.

A assessoria informou ainda que, de acordo com Brenna, não houve reunião entre os municípios da Baixada Santista para discutir o uso do “fumacê”.

São Vicente

Já o Departamento de Combate à Dengue de São Vicente realiza os dois tipos de nebulização: a costal que é feita por um agente com equipamento portátil nos imóveis, e a veicular, quando o caminhão passa pelas ruas lançando a fumaça do inseticida.

A chefe do Departamento, Carla Guerra, disse que os bairros atendidos foram o Parque das Bandeiras (Área Continental), Jóquei Clube e Parque Continental (área insular), que apresentam o maior número de pacientes com dengue.

No entanto, Carla ressalta que a nebulização é feita em última instância. “A ideia é diminuir o máximo possível os criadouros e intensificar o trabalho educativo junto à população e nas escolas”.

Segundo Carla, houve redução de casos nos bairros atendidos com a nebulização, mas a ação não deverá se estender para outros bairros. A nebulização costal termina no dia 8 e a veicular no dia 14.

São Vicente contabiliza 3.057 casos confirmados de dengue, aparecendo no ranking da Região Metropolitana como o terceiro município de maior incidência.

Sucen recomenda

A Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) esclarece que este trabalho será realizado à noite, das 18 às 23 horas. A recomendação da Sucen é que os moradores abram portas, janelas e box do banheiro, levantem as colchas da cama e cubram alimentos e bebedouros de animais durante a aplicação do inseticida.

Não é recomendado que as pessoas fiquem nas ruas durante a passagem do carro. Em caso de intoxicação, um médico deverá ser consultado. Já as larvas devem ser combatidas em casa pelos moradores, com a retirada dos criadouros.

Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, nos primeiros quatro meses deste ano, a Baixada Santista confirmou 12.119 casos de dengue contra 343 ocorrências, em 2009. Só este ano a dengue já matou 37 pessoas.