Doença do Beijo afeta principalmente crianças; entenda

Especialistas do Grupo São Cristóvão Saúde alertam sobre os riscos de transmissão da Mononucleose Infecciosa e dão dicas de prevenção

Comentar
Compartilhar
16 ABR 2019Por Da Reportagem18h45
O hábito de beijar os filhos pequenos na boca pode transmitir Mononucleose InfecciosaFoto: Divulgação

O hábito de beijar os filhos pequenos na boca pode transmitir Mononucleose Infecciosa, alerta a pediatra do Grupo São Cristóvão Saúde, Dra. Claudia Conti. Conhecida como a Doença do Beijo por ter a saliva como principal condutora do vírus Epstein-Barr (EBV), a Mononucleose afeta principalmente as crianças. “O contágio também pode acontecer por meio do compartilhamento de objetos pessoais, por exposição à tosse ou espirro”, explica.

A melhor maneira de prevenir a doença, portanto, é evitar que a criança leve à boca objetos utilizados por outras crianças ou adultos. A pediatra indica que os pais de crianças pequenas evitem beija-los na boca e sempre higienizem as mãos antes de pegá-los no colo. “Dessa maneira, reduzem bastante o risco de contaminar as crianças”, destaca.

Como ocorre a contaminação

Após o contato, o vírus fica incubado por cerca de quatro a oito semanas antes de se manifestar. O infectologista Jorge Isaac Garcia, do Grupo São Cristóvão Saúde, explica que, muitas vezes, a doença é confundida com uma gripe, pois a pessoa apresenta sintomas semelhantes, como febre, fadiga, dor e inflamação na garganta, dor de cabeça e sensação de mal-estar.

“Ao apresentar o quadro de mononucleose, o indivíduo excreta o vírus até 18 meses após a infecção”, afirma o médico. “Nesse período, ele pode infectar outras pessoas durante contato próximo ou prolongado”, complementa.

Há, ainda, outras formas de contágio que são mais raras, mas ainda assim podem ocorrer e exigem atenção. São os casos de contaminação por transfusão de sangue e via transplacentária. A pediatra do Grupo São Cristóvão Saúde explica que, quando a gestante adquire o vírus durante a gravidez, pode acontecer a transmissão ao feto pela placenta.

Nesse caso, o bebê pode apresentar os sintomas nas primeiras semanas do nascimento. “Mesmo que não haja um controle se a criança foi contaminada na barriga ou depois do nascimento, é importante ter atenção redobrada, pois os recém-nascidos são os mais vulneráveis aos sintomas”, reforça Dra. Claudia.

“Para ter uma ideia, estima-se que mais de 90% da população adulta já contraiu o vírus da Mononucleose Infecciosa em algum momento da vida”, revela a médica. Ela explica que, na maioria dos casos, os sintomas são leves ao ponto de algumas pessoas não perceberem que foram contaminadas. Porém, segundo ela, no caso dos pequenos, um quadro comum pode evoluir para uma infecção secundária, levando à necessidade de internação e acompanhamento médico.

Diagnóstico e prevenção

A suspeita de contaminação pode ser indicada em um hemograma. Nesse caso, o médico irá solicitar a confirmação laboratorial através da resposta sorológica. “Se o exame detectar a presença de anticorpos heterofilos e/ou a presença de anticorpos específicos, a presença do vírus da Mononucleose pode ser confirmada”, diz. A partir daí, o tratamento inclui repouso e uso de medicação para redução dos sintomas, conforme orientação do médico.

Colunas

Contraponto