Diagnóstico precoce de doença autoimune evita doenças graves do fígado

O rastreamento da Fosfatase alcalina e Gama GT pode identificar a cirrose biliar primária em seu início, tornando o tratamento mais eficaz

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21 NOV 201312h50

A cirrose biliar primária é uma doença autoimune do fígado que destrói paulatinamente os ductos biliares.  Costuma ser silenciosa, mas  quase que invariavelmente, a Fosfatase alcalina e a Gama GT se elevam antes de qualquer manifestação clínica.  Esta doença atinge mais comumente mulheres com mais de 40 anos. Essa destruição dos ductos dentro do fígado pode levar à fibrose e, consequentemente  à cirrose. Por isso, a doença deve ser detectada e devidamente tratada nos seus estágios mais precoces.

“O diagnóstico precoce da cirrose biliar primária é simples e barato. Se dá através do rastreamento da Fosfatase alcalina e Gama GT em mulheres com mais de 40 anos. “Este exame pode ser solicitado por qualquer médico, independente da sua especialidade”,  lembra o Dr. Raymundo Paraná, médico hepatologista e professor da Universidade Federal da Bahia. Caso estas enzimas se encontrem elevadas a Ultrassonografia será de grande valia para afastar obstrução biliar. Uma vez afastada a obstrução dos ductos biliares, os exames que praticamente  definem o diagnóstico são o FAN (Fator antinúcleo) no padrão de membrana nuclear e o anti Mitocondria. Estes exames positivos numa mulher com Fosfatase alcalina e GGT elevadas fortemente sugerem o diagnóstico de Cirrose Biliar Primária.

Os primeiros sintomas e sinais apresentados são fadiga e indisposição. Só nas fases mais avançadas aparecem o prurido (coceira) e a icterícia (olhos amarelos). Pode ocorrer também aumento do colesterol e a presença de depósitos de colesterol na pele.

A doença progride lentamente podendo levar também à osteoporose e câncer do fígado. “Se a Fosfatase alcalina e Gama GT estiverem elevadas, o paciente deve ser encaminhado a um hepatologista para definir um diagnóstico mais específico. Se for acusada a cirrose biliar primária, ele poderá se beneficiar do tratamento através do ácido ursodesoxicólico”, observa o médico. Quanto mais precoce for instituído o tratamento, mais eficaz ele será.

Os primeiros sintomas e sinais da doença apresentados são fadiga e indisposição (Foto: Divulgação)


Até o momento, esse é o único medicamento que retarda a progressão da doença, principalmente nos pacientes que ainda não desenvolveram cirrose, podendo retardar ou evitar o transplante do fígado. Em adição, deve-se instituir o tratamento de suporte com reposição de vitaminas lipossolúveis (A, D, K) para reduzir a osteoporose como também hipovitaminoses e suas consequências.

“Pode levar muitos anos para que os primeiros sintomas da doença se manifestem. Daí a importância do rastreamento com Fosfatase alcalina e Gama GT a partir dos 40 anos. Dessa forma, o tratamento em fase precoce ajuda a pessoa a levar uma vida praticamente normal”, alerta o Dr. Raymundo.