Conjuntivite alérgica cresce no Brasil

Para especialista, este crescimento está relacionado à piora da qualidade do ar provocada pela falta de chuvas em grande parte do país neste início de ano

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06 MAI 201416h55

Olhos vermelhos, coceira, aversão à luz, pálpebras inchadas, secreção aquosa e visão embaçada são comuns entre brasileiros. De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, sinalizam a conjuntivite alérgica que está em alta no país. “Os prontuários do hospital mostram que de janeiro a março deste ano o número de consulta, comparado ao mesmo período do ano passado, se manteve estável em 12,7 mil atendimentos, mas o diagnóstico de conjuntivite alérgica teve um acréscimo de 20%. Saltou de 1,06 mil para 1,2 mil casos”, relata.

Para o especialista este crescimento está relacionado à piora da qualidade do ar provocada pela falta de chuvas em grande parte do país neste início de ano.  Isso porque, um estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde) revela que nas cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes a concentração de poluentes por metro quadrado  é o dobro do recomendado. “A poluição aumenta a evaporação da lágrima que tem a função de proteger a superfície ocular. Por isso, os olhos podem dar uma resposta exagerada aos agentes externos, conforme acontece com todo processo alérgico. O olho seco é mais intenso entre mulheres na pós-menopausa e idosos”, diz.

Relação com outras alergias

Segundo o ISSAC (Estudo Multicêntrico Internacional de Asma e Alergias na Infância) 20% dos brasileiros têm algum tipo de alergia e 6 em cada 10 alérgicos desenvolvem a doença nos olhos. Queiroz Neto ressalta que entre crianças a conjuntivite alérgica está frequentemente associada às doenças respiratórias como asma, rinite e bronquite que chegam a triplicar no outono/inverno, segundo  estimativa da OMS.

“A dermatite atópica também pode funcionar como gatilho, principalmente entre mulheres por causa do uso de maquiagem e cosméticos”, comenta.

O especialista explica que a alergia ocular desencadeada pelas doenças respiratórias pode desaparecer na puberdade, mas é uma importante causa do ceratocone. “O hábito de coçar os olhos afina a córnea que se torna abaulada e faz desta doença a maior causa  de transplante no Brasil”, afirma .

Já a conjuntivite alérgica relacionada ä dermatite atópica, destaca, pode provocar blefarite, inflamação  palpebral recorrente  e baixa visual por inflamação na córnea.

Os principais vilões são a falta de chuva, outras alergias e automedicação (Foto: Divulgação)

Riscos da automedicação

Uma das principais causas de alergias graves que podem afetar a visão é o hábito que o brasileiro tem de usar medicamentos por conta própria. Para os olhos, Queiroz Neto afirma que o uso indiscriminado de antiinflamatórios hormonais, corticoides, representa o risco de desenvolver catarata e glaucoma, além da hipertensão arterial causada pela retenção de água e sódio. O especialista também chama a atenção para as interações perigosas entre colírios e medicamentos de uso interno. “’É o caso da aplicação incorreta de colírio antibiótico e pilula que pode cortar o efeito do anticoncepcional. Por isso é necessário sempre consultar um médico para tomar uma medicação nova”, adverte.

Cuidado com lente de contato

O especialista afirma que o uso além do prazo de validade ou ininterrupto de lentes de contato pode causar conjuntivite papilar gigante. A doença é caracterizada por intolerância à lente de contato. \Neste caso a recomendação é interromper o uso e consultar um oftalmologista para acompanhar o caso.  Insistir no uso da lente, observa, pode causar diminuição permanente da visão.

Prevenção

Independente do tipo de alergia a melhor prevenção é evitar o agente causador.  Para proteger os olhos, as dicas de Queiroz Neto são:
Proteja os olhos da poluição com óculos nas atividades externas.
Inclua na dieta alimentos ricos em ômega 3 – salmão, sardinha e semente de linhaça.
Evite ambientes com ar condicionado
Evite plantas, flores e animais com pelo dentro de casa.
Mantenha os ambientes arejados e livres de pó.
Elimine os travesseiros de pena e objetos de decoração que acumulam pó.
Substitua a vassoura por aspirador de pó e o espanador por panos úmidos
Evite esfregar ou coçar os olhos.
Forre almofadas e colchões com capas impermeáveis
Retire toda a maquiagem antes de dormir
Não use medicamentos sem prescrição médica
Tome 2 litros de água/dia para manter i corpo hidratado
A qualquer desconforto interrompa o uso de lentes de contato.