Saúde - Como o efeito sanfona afeta o organismo?

O emagrece-engorda pode causar queda na imunidade e ainda ajuda no surgimento de doenças crônicas; uma dieta orientada por um profissional evita problemas futuros

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09 JAN 2021Por Gazeta de S. Paulo10h38
Dietas muito restritivas, sem orientação médica e planejamento, não costumam dar o resultado desejado, mas sim o contrárioFoto: Jcomp/Freepik

Por: Vanessa Zampronho

No início do ano, uma das resoluções mais anotadas é o começo de uma dieta. Mais do que uma questão estética, perder peso tem muito a ver com a preservação da saúde. Mas dietas muito restritivas, sem orientação médica e planejamento, não costumam dar o resultado desejado, mas sim o contrário: ganhar peso rapidamente e sem controle.

“Quem passa por isso são pessoas que passam por dietas malucas, aquelas muito restritivas, e têm um perfil alimentar de muito abuso no consumo e depois ganha peso muito rapidamente. Isso demonstra uma má relação com os alimentos, o que não é o que queremos quando falamos em estilo de vida saudável”, diz a endocrinologista Lorena Amato. É o tal efeito sanfona.

 

Essa dificuldade de emagrecer por meio da dieta vem do próprio corpo: ele não está acostumado com a privação de alimentos. Assim, ao reduzir o consumo, ele aumenta a produção dos hormônios relacionados à fome. Mas não é só isso. “O corpo está preparado para juntar calorias, porque é muito novo na história da humanidade a oferta alimentar abundante. Mas, depois de um tempo, quando a pessoa começa a perder peso, abaixa o metabolismo corporal, dificultando ainda mais o processo. Já é difícil emagrecer, e o corpo ainda fica sabotando!”, explica a especialista.

Outro detalhe importante sobre a dificuldade de perder peso é a adaptação do corpo com o peso atual. É como se ele se acostumasse com o ganho de peso e achasse isso normal. “O corpo ajusta seus mecanismos reguladores e diz, por exemplo, ‘o normal nosso aqui é 130 kg’. Quando você começa a tentar emagrecer, ele entende ‘o que é isso? Vamos voltar para os 130 kg’”.

Os sintomas não ficam somente na parte estética. O surgimento de estrias e flacidez na pele são alguns deles, mas o corpo também sente. Embora não haja estudos definitivos sobre o tema, há indicadores de que essa oscilação no peso afeta nossas defesas naturais. “Esse desequilíbrio na alimentação pode desbalancear o sistema imunológico”, afirma – o que, em tempos de coronavírus, pode ser tornar um problema ainda maior.

Outros problemas que podem aparecer são a hipertensão, diabetes e colesterol elevado no sangue: eles não estão diretamente relacionados ao efeito sanfona, mas sim aos maus hábitos alimentares. “Por que a pessoa engordou? Porque ela abusou da alimentação, e isso está associado a uma maior chance de diabetes, hipertensão e colesterol alto”.

Dessa forma, para evitar que a sanfona toque e fazer o corpo manter o ritmo, o ideal é sempre procurar ajuda profissional, como nutricionistas, endocrinologistas e educador físico. Em alguns casos, auxílio psicológico também pode fazer a diferença. “Se a pessoa ganha peso muito rapidamente, dá para suspeitar de transtornos de ansiedade, compulsão alimentar, e o tratamento psicológico é essencial, até psiquiátrico”.

Mesmo porque emagrecer não diz respeito somente a comer menos – por isso o tratamento deve vir de vários lados. “As pessoas trabalham só no aspecto alimentar, e não é só isso. É educação física, sono, estresse, apoio social, se só você faz dieta e sua família toda não faz, é difícil sustentar isso a longo prazo”, afirma. “Precisa mudar toda uma visão em relação à obesidade. É uma doença, tem que dar a mão pra esses pacientes, tem que acolher e tratar com respeito”, completa.

Não é falta de vontade

Obesidade é considerada uma doença, que precisa ser tratada de várias formas, e não como falta de vontade de emagrecer. "A obesidade é sempre vista como opção, as pessoas acham que alguém é gordo porque quer, 'você sabia que não podia comer tanto, sabia o que tinha que fazer, por que não fez? Agora, emagreça sozinho', dizem para os obesos", afirma a endocrinologista Lorena Amato. Assim, mais do que força de vontade, o paciente precisa de apoio multidisciplinar e repensar seus hábitos. "É um reajuste social, tem que cuidar do sono, dos níveis de estresse, fazer atividade física, do bem-estar como um todo, para que ela consiga fazer uma modificação do estilo de vida dela e manter o tratamento", diz.

Mantendo o corpo no ritmo

Manter o corpo funcionando sem problemas exige um certo equilíbrio e, quando algo o tira do eixo, ele se defende. Dietas, por exemplo, são entendidas como uma privação, e o organismo precisa se manter, mesmo que seja com um peso elevado. Afinal, dentro da lógica do corpo, perder peso significa perder depósitos de energia - que, há muitos anos, era o que ajudava os seres humanos a passar por longos períodos sem comida. Veja os problemas que o efeito sanfona causa:

- Estrias e flacidez na pele;

- Pode acarretar hipertensão, diabetes e aumento dos níveis de colesterol;

- Há estudos que mostram diminuição na imunidade do organismo;

- Ansiedade, dificuldade para dormir e depressão.