Câncer de Mama: Comissão avalia a incorporação de medicamentos para o tratamento avançado no SUS

A população e os profissionais de saúde podem participar da avaliação através do site da CONITEC

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13 SET 2021Por Da Reportagem12h20
Segundo o INCA, em 2020 foram diagnosticados cerca de 66.280 novos casos de câncer de mama no BrasilSegundo o INCA, em 2020 foram diagnosticados cerca de 66.280 novos casos de câncer de mama no BrasilFoto: Divulgação

A CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) iniciou a consulta pública para a incorporação de CDKs, classe terapêutica inovadora voltada ao tratamento de pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático, na última sexta-feira (10). Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) já conta com esse tipo de inovação para apenas 20% (1,2) dos casos, enquanto a maior parte das pacientes carece de novas opções de tratamento.

“É importante que o SUS  esteja preparado para receber mulheres de diferentes faixas etárias e ofertar soluções de alto impacto em qualidade de vida para pacientes com câncer de mama”, comenta o Dr. André Abrahão, diretor médico da Novartis Oncologia.

Os medicamentos que estão em votação na consulta pública, os CDK's, são para efeito de regulac?a?o da progressa?o do ciclo celular. Estão em avaliação os medicamentos: Abemaciclibe, palbociclibe e succinato de ribociclibe, para o tratamento de pacientes adultas com câncer de mama avançado ou metastático com HR+ e HER2.

Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), em 2020 foram diagnosticados cerca de 66.280 novos casos de câncer de mama no Brasil. Apesar do número crescente, especialistas temem uma onda de câncer de mama em fase metastática no pós-pandemia, o que chama a atenção para um sistema de saúde público e universal que esteja preparado para receber essa demanda. “Por isso a universalidade do SUS é tão necessária, o sistema é responsável por oferecer acesso à saúde a 75% da população brasileira”, informa Abrahão.

Desde o início da pandemia, números relatam uma queda de aproximadamente 50% na realização de mamografias de rastreamento. Esse dado preocupa especialistas, que temem uma epidemia de diagnósticos de câncer de mama avançado para os próximos anos.

“Existe um estereótipo que câncer de mama acomete apenas mulheres acima dos 50 anos, mas isso não é verdade. Hoje em dia, cada vez mais o tumor afeta mulheres pré-menopausa, ou seja, que são jovens e em idade economicamente ativa, comprometendo autoestima, saúde mental, o relacionamento com o mercado de trabalho, a própria educação, relacionamentos e a possibilidade de ter filhos ou não”, adiciona o Dr. André Abrahão.

Segundo o oncologista, o câncer de mama, em alguns casos, se manifesta de maneira mais agressiva em mulheres mais jovens, com taxas de mortalidade mais elevadas quando comparadas às mulheres de idade mais avançada.

"É preciso que, cada vez mais, os medicamentos incorporados atendam todas as pacientes, de todas as faixas etárias. Também é nosso papel como cidadãos ter isso em mente e, quando chegar a oportunidade de contribuir com uma consulta pública, demonstrar a importância da inclusão de todos os pacientes na lista de medicamentos oferecidos no Sistema Único de Saúde”, completa o executivo.

As consultas públicas devem promover a participação da sociedade civil e médica nos processos de tomada de decisão da administração pública sobre políticas públicas de saúde. A CONITEC disponibiliza suas recomendações em consulta pública por um prazo de 20 dias. A consulta em questão está aberta até 29 de setembro de 2021. Para o envio de contribuições, é necessário acessar o site conitec.gov.br/consultas-publicas.

Para contribuir com as consultas públicas em vigência, é necessário acessar o site da Conitec, procurar pela consulta pública pelo seu número ou checar as listas em vigência e os procedimentos previstos por cada uma. Médicos, profissionais da saúde, pacientes e a população em geral podem se engajar nesse processo.