Baixada Santista atinge 3 mil mortes pelo coronavírus em menos de um ano

A cidade de Santos tem mais de mil óbitos sozinha e segue sendo o município com mais infectados durante a pandemia

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22 JAN 2021Por Da Reportagem18h07
Número de mortes dispara em todo o Estado de São Paulo e a Baixada está entre regiões mais afetadas pelo vírusFoto: Tarso Sarraf/Folhapress

O número de pacientes que contraíram o novo coronavírus e faleceram em decorrência da patologia chegou à marca de 3 mil na Baixada Santista. Dentre moradores das nove cidades, mais de 90 mil cidadãos já foram confirmados com a Covid-19. Atualmente, o Estado de São Paulo registra mais de 51 mil óbitos, o que significa que as cidades caiçaras correspondem a aproximadamente 5,8% das mortes no Estado.

Em todo o Brasil, mais de 215 mil pessoas já faleceram em decorrência da infecção pelo novo coronavírus. Santos é a cidade com mais casos registrados da doença na Baixada. Ao todo, o município possui atualmente 32.978 casos confirmados e 1.010 mortes. Na sequência, Guarujá já confirmou 11.897 pacientes com a doença e 551 mortes. Praia Grande tem 13.781 pessoas infectadas pela Covid-19 e 371 mortes.

Quarta cidade mais afetada, São Vicente tem 10.522 doentes e 538 mortes. Cubatão tem 9.677 casos confirmados e 260 mortes. Bertioga já contabiliza tem 2.723 cidadãos com o vírus e 51 óbitos. Mongaguá confirmou 2.277 pacientes doentes e 43 óbitos. Itanhaém possui 2.810 moradores doentes e 107 mortes. Por fim, Peruíbe tem 2.749 infectados e 65 mortes.

Todas as informações foram divulgadas pelas secretarias de saúde de seus respectivos municípios e se encontram atualizadas até o começo da tarde desta sexta-feira (22).

LINHA DO TEMPO.
A chegada de casos confirmados de moradores da Baixada Santista infectados com o novo coronavírus começaram a ser registrados durante o mês de março de 2020. Poucos dias antes do primeiro exame atestar um resultado positivo, os nove prefeitos da Região decidiram utilizar o Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) como uma forma de unir os chefes do Executivo e coordenar ações da saúde.

Em uma reunião ocorrida no dia 16 de março, os então prefeitos de Santos, Praia Grande, Guarujá, Cubatão, Itanhaém, Peruíbe, Mongaguá, Bertioga e a vice-prefeita de São Vicente se reuniram no Paço Municipal de Santos e anunciaram à imprensa e ao público, todos juntos, que a Baixada Santista fecharia as portas no dia seguinte, 17, para tentar conter o avanço do vírus entre as nove cidades.

No dia 20 do mesmo mês, a Vigilância Epidemiológica de Peruíbe informou que no início da manhã que havia recebido o primeiro caso confirmado do coronavírus (COVID-19) no município e, por consequência, o primeiro caso de Covid-19 confirmado na Baixada Santista. Atualmente, as nove cidades somam quase 100 mil pessoas infectadas, um dado que as coloca a frente de países inteiros como Suíça, Gana, Paraguai e Austrália.

O primeiro óbito registrado na Baixada foi acompanhado imediatamente no mesmo dia do segundo caso de vítima fatal. As informações divulgadas pela Secretaria de Saúde de Praia Grande informaram que uma idosa de 84 anos de idade e um homem de 59 faleceram e seus exames testaram como positivo para a covid-19, confirmando que os óbitos ocorreram devido à doença que já matou mais de 2 milhões de pessoas em todo o planeta.

Durante a última quinzena de maio, o Governo João Doria iniciou uma classificação das regiões do Estado de São Paulo por cores, na qual os municípios incluídos na chamada Zona Vermelha ocupariam a área numa fase de isolamento social mais rígida possível, onde apenas os serviços considerados essenciais poderiam funcionar. A Baixada Santista, junto com a Grande São Paulo e o Vale do Ribeira figuraram como as três regiões consideradas em estado mais grave, especialmente devido às taxas de ocupação de leitos de UTIs dedicados a pessoas infectadas com o novo coronavírus.

Apesar disso, as autoridades caiçaras negociaram por semanas a reclassificação da Baixada Santista para a fase laranja diretamente com as autoridades sanitárias do Estado. Em meio a protestos de empresários em passeatas que reuniram grande número de automóveis e mesmo enquanto os números de casos subiam, os nove prefeitos conseguiram reverter a situação e começaram a reabertura do comércio se encaminhando para a fase amarela. Com a passagem das festas de fim de ano, em dezembro, entretanto, todo o Estado registrou uma disparada de novos casos e óbitos. Em meio ao início da vacinação contra a Covid-19, o Governo Doria decidiu recolocar todo o Estado na Zona Vermelha sempre a partir das 20h para tentar conter o rápido avanço de óbitos e casos.