Aumenta notificação de casos de catapora na Baixada

Secretaria de Estado da Saúde descarta epidemia

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15 JAN 201321h56

As notificações de casos de catapora nas cidades da Baixada Santista aumentaram em relação ao ano passado. No entanto, a Secretaria de Estado da Saúde descarta quadro de epidemia de catapora. Entretanto, a Secretaria de Saúde de Cubatão atribui aumento de casos no Município ao não fornecimento de doses da vacina pelo Estado.

A preocupação com a doença causada pelo vírus da varicela começou após a morte de uma criança em Guarujá e dos casos superarem em 167% os números do ano passado. São 206 casos, sendo 186 ocorrências em 18 escolas. Em 2009, o total de pessoas doentes notificadas foi de 77.

Já a Vigilância Epidemiológica de Praia Grande informou que, no ano passado, foram informados 69 casos de catapora. Neste ano foram registrados 312 casos da doença. Por não se tratar de doença de notificação compulsória e, em algumas situações, os pais não apresentam o atestado médico à creche ou escola, o número de casos informados, tanto em 2009 como neste ano, podem estar abaixo da quantidade real de crianças que tiveram ou estão com varicela.

A Secretaria de Saúde Pública já aplicou 361 doses da vacina em crianças, na faixa etária de 1 ano a 5 anos e 11 meses de idade. A chefe do setor de Imunização de Praia Grande, Denise Ribeiro Rodrigues Gatto, disse que já foram solicitadas 1.200 doses da vacina que serão distribuídas entre oito escolas.

Embora não seja uma doença de notificação compulsória, a Secretaria de Educação orientou a direção de escolas e creches municipais que informem todos os casos de catapora para que a Secretaria de Saúde Pública encaminhe os pedidos de vacinas conforme a necessidade do Município.

A terceira cidade com o maior número de notificações este ano, é Itanhaém, com 10 surtos em creches e 107 crianças doentes. No ano passado, foram notificados nove casos. As informações são da Prefeitura.

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde de São Vicente, foram registrados na cidade 100 casos de catapora contra 13, de 2009. Em Santos, a Seção de Vigilância Epidemiológica (Seviep), da Secretaria de Saúde de Santos, registrou, até o momento, este ano, 45 surtos de catapora. Em 2009 foram acompanhados 16 surtos.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde de Santos, basta um único caso numa escola de educação infantil (pública ou particular), com crianças menores de 6 anos, para a SMS iniciar as ações de bloqueio. Ao serem comunicados, os técnicos da Seviep acionam a equipe de enfermagem da Unidade Básica de Saúde de referência do bairro onde a escola está localizada, para que seja iniciado o processo de investigação junto ao estabelecimento de ensino.

É preciso apurar o número de crianças na sala, saber quantas contraíram a doença e contabilizar as que já foram imunizadas. A apuração é necessária para que possa ser solicitada à Secretaria de Estado da Saúde a quantidade de doses de vacina para as demais. A aplicação também fica a cargo da UBS.

Este ano, segundo dados da Central de Imunização da SMS, foram aplicadas 1.422 doses da vacina contra a varicela. Dos 45 bloqueios, 9 ainda estão em andamento aguardando envio de doses da vacina para serem concluídos. Segundo o protocolo, a vacinação das crianças deve ocorrer em até quatro semanas do primeiro caso. Se não aparecerem novos casos após 21 dias do primeiro registro, o surto é considerado controlado.

A Prefeitura de Cubatão informou, em nota, que “em 2009 foram registrados dois surtos e sete casos da doença. Em 2010 foram registrados até agora três surtos e 85 casos ocorridos em três creches do Município”.

Em razão dos surtos, a Secretaria Municipal de Saúde solicitou doses da vacina contra a doença junto à Secretaria de Saúde do Estado, mas informa que ainda não recebeu as doses.

A Secretaria atribui o aumento de casos ao não fornecimento das vacinas. “Sem as vacinas que deveriam ser fornecidas pelo Estado para conter o surto, o número de casos aumentou. Em 2009 foram fornecidas doses da vacina para a imunização das crianças. Lembrando que a faixa etária das crianças suscetíveis à doença é de 1 a 5 anos de idade”, diz a nota da secretaria.

Na nota, a Secretaria de Saúde informou ainda que está orientando pais, alunos, professores e diretores das escolas sobre como proceder caso a criança apresente os sintomas da doença. A recomendação da secretaria é para que, detectado o primeiro caso da doença, ele seja notificado ao Serviço de Vigilância Epidemiológica, para que se tomem as devidas providências.

Além disso, os pais estão sendo orientados a monitorar os filhos que porventura tiveram contato com alguma criança doente. Se a criança apresentar algum sintoma, os pais devem procurar o serviço de saúde mais próximo de suas casas. A criança deve ficar em casa de repouso e não compartilhar objetos e utensílios com outras crianças. É importante manter o local arejado e limpo.

Em Mongaguá, dez casos foram informados, sendo nove adultos e uma criança. Já em 2009, houve duas suspeitas, mas os exames deram negativo para varicela. As prefeituras de Bertioga e Peruíbe também foram procuradas, mas não forneceram os dados até o fechamento desta edição.

A catapora

A chefe de Imunização de Praia Grande, Denise Gatto, explicou que o vírus da varicela permanece encubado no organismo por até duas semanas e o risco de contágio começa dois dias antes do aparecimento dos sintomas, das vesículas que são pequenas bolhas de água que surgem na pele e que podem estourar.

O risco de contágio é em média de cinco dias, por isso a criança ou o adulto doente deve permanecer em casa ao menos durante uma semana. Os doentes podem apresentar febre também. Denise explica que não há tratamento medicamentoso contra a catapora, apenas medicação para aliviar os sintomas, com acontece nos casos de gripe. 

Secretaria de Estado da Saúde descarta quadro de epidemia

Em nota oficial, “a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo esclarece que a situação epidemiológica da varicela (catapora) no Estado de São Paulo está absolutamente controlada, não havendo qualquer motivo para alarme. O número de casos registrados até 14 de setembro deste ano, 10.018, ainda está abaixo da média anual de ocorrência da doença dos últimos cinco anos, de 17,3 mil. O pior ano da doença no Estado foi 2003, com 51,6 mil casos”.

A secretaria explica ainda que “o Estado de São Paulo é o único que distribui a vacina contra a catapora gratuitamente, para imunização de bloqueio em creches que notificam surtos (dois ou mais casos em um mesmo ambiente), uma vez que o produto não faz parte do calendário de imunização de rotina do Sistema Único de Saúde (SUS), definido pelo Ministério da Saúde. Por isso São Paulo é o único estado que tem notificação sistemática da doença e que realiza o controle de casos e surtos.

A catapora é uma doença benigna, raramente há complicações e a cura acontece por reação do próprio organismo. A orientação para crianças que tiverem a doença é lavar bem as mãos com bastante água e sabonete bacteriano, para evitar infecções secundárias, além de ingerir líquidos de forma abundante, fazer repouso e nunca arrancar as crostas que se formam no corpo. Os pais e responsáveis de crianças infectadas também devem redobrar os cuidados com a higiene.

É importante ressaltar que a vacina contra a catapora também é aplicada gratuitamente nos Cries (Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais), para grupos de risco pré-definidos como bebês prematuros e pessoas imunodeprimidas, entre outras. A relação dos Cries está disponível no site do Centro de Vigilância Epidemiológica da pasta: www.cve.saude.sp.gov.br, por meio do link Imunização.”, conclui a nota.