Associação de Clínicas repudia declaração do Governo sobre não obrigatoriedade da vacinação

Dados da OMS indicam que 80 milhões de crianças abaixo de um ano estarão com o calendário vacinal desatualizado após a pandemia

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02 SET 2020Por Da Reportagem16h33
O presidente Jair Bolsonaro afirmou que "ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina"Foto: AGÊNCIA BRASIL

A Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (ABCVAC) torna público seu desacordo e descontentamento com a declaração do presidente da República, Jair Bolsonaro, que ao ser questionado por uma apoiadora sobre a vacina para Covid-19, proferiu: "Ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina".

Mais do que representar o interesse setorial das clínicas de vacinas na defesa das boas práticas de mercado, a ABCVAC entende o seu papel social para a melhoria contínua da promoção da saúde por meio da vacinação. "Devemos lembrar o Programa Nacional de Imunizações, um dos maiores do mundo, tem avançado a cada ano para proporcionar melhor qualidade de vida a? população com a prevenção de doenças, e a vacina contra a covid-19 virá para assegurar que estejamos aptos à retomada com segurança do curso normal de nossas vidas", afirma, em nota.

Segundo a ABCVAC , as vacinas são seguras e estimulam o sistema imunológico a proteger a pessoa contra doenças transmissíveis. Com elas erradicou-se no mundo a varíola, e a poliomielite está presente em apenas dois países. No Brasil, também se eliminou a rubéola, a síndrome da rubéola congênita, o tétano materno e o tétano neonatal.

Durante a pandemia do novo coronavírus, houve um reforço para que as pessoas continuassem se vacinando, justamente para evitar que outras doenças que pudessem agravar o quadro de uma possível infecção de covid-19. "Não estar com o calendário vacinal em dia – sejam crianças ou adultos – e? um risco adicional, que pode culminar com o aparecimento de outras doenças infectocontagiosas", diz a ABCVAC .

Em fevereiro, o Governo Federal sancionou a Lei 13.979/20 que permite a vacinação compulsória como forma de enfrentar a pandemia da covid-19. O artigo 14 da Lei 8.069/90, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), também determina ser "obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias", podendo haver penalidades pelo descumprimento.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que após essa crise, 80 milhões de crianças abaixo de um ano estarão com o calendário vacinal desatualizado, e isso significa a porta de entrada para o retorno de doenças como sarampo e poliomielite. "É fundamental dar atenção para a vacina da covid-19, e principalmente, não se esquecer das vacinas que se têm disponível hoje. A vacinação e? mais que um ato de proteção individual, é um bem coletivo. Mais do que uma obrigatoriedade, a vacinação é a certeza de que caminhemos para uma sociedade cada vez mais saudável e segura", encerra a ABCVAC.