Alimentos funcionais auxiliam na prevenção de doenças

Dentro da chamada Nutrição Funcional, esses alimentos são usados para prevenir e tratar desordens crônicas simples, ­funcionando como verdadeiros remédios naturais.

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29 JUL 2018Por Rafaella Martinez11h43
A nutricionista Vanessa Borelli.A nutricionista Vanessa Borelli.Foto: Rodrigo Montaldi/DL

Quantas vezes você já escutou que prato colorido é prato saudável? A filosofia passada de geração em geração tem sentido: embora todos os alimentos tenham funções nutricionais específicas, alguns possuem compostos bioativos e fornecem efeitos benéficos adicionais à saúde, sendo considerados ‘funcionais’.

Dentro da chamada Nutrição Funcional, esses alimentos são usados para prevenir e tratar desordens crônicas simples, ­funcionando como verdadeiros remédios naturais.

De acordo com a nutricionista Vanessa Borelli, o conceito de nutrição funcional visa o equilíbrio físico e mental do indivíduo. “Uma alimentação funcional é fundamental em um contexto onde o ser humano está exposto a desordens causadas pela falta de exercícios físicos ou descompromisso com o mesmo; alimentação inadequada; o ar que respiramos; a qualidade do sono e também as alterações emocionais.

Para considerar o alimento um agente de prevenção é preciso estar atento ao fato de que saúde é um complexo de fatores”, pontua.

Diversos alimentos são considerados funcionais, desde temperos como cebola, alho e cúrcuma até a raiz de chicória, grãos como a linhaça, verduras como o pimentão e frutas como goiaba, maçã e uva (veja arte).

Esses produtos possuem compostos bioativos capazes de atuar como antioxidantes (substâncias que protegem as células sadias do organismo contra a ação oxidante dos radicais livres) e anticarcinogênicas (que agem contra o câncer).

De acordo com a mestre em Ciências dos Alimentos, Thamyris Agnes, em casos de doenças crônicas não transmissíveis a medicação ainda é necessária, mas é possível balancear a alimentação para reduzir o uso de remédios. “Uma alimentação equilibrada proporcionará uma ­melhora significativa para a saúde, mesmo que não exista uma cura para aquele quadro. Em tese, o consumo desses compostos funcionais deve ser feito hoje para inibir o surgimento de doenças no futuro”, conta. 


A nutrição funcional se baseia em cinco princípios: individualidade bioquímica, foco no paciente, equilíbrio nutricional, inter-relações em teia e saúde como vitalidade positiva (leia mais no box ao lado). 

Inclusão no cardápio.
Vanessa Borelli aponta que a melhor forma de incluir esses alimentos na dieta é ter uma alimentação variada, rica em vegetais e frutas, além de oleaginosas (como castanhas e nozes), peixes e sementes (linhaça e aveia), além de ser esssencial o consumo de água. “Precisamos colocar na nossa mesa comida de verdade e evitar alimentos industrializados. O velho conceito de ‘­desembalar menos e descascar mais’.

Ser saudável é ter o corpo em pleno ­funcionamento, não se expor a fatores estressantes - como o fumo, a bebida e o consumo inadequado de um ingrediente - ser grato e estar feliz”, finaliza a ­nutricionista.

Princípios da Nutrição Funcional

- Individualidade bioquímica
Cada ser é único: um alimento pode fazer bem para uma pessoa e não fazer tão bem para outra

- Foco no paciente e não na doença
Abordagem da pessoa como um todo (físico, mental e social)

- Equilíbrio nutricional e biodisponibilidade de nutrientes
Aborda a interação positiva dos alimentos X organismo e sobre a oferta de nutrientes em quantidades adequadas para que haja uma melhor absorção e aproveitamento desses nutrientes

- Inter-relações em teia de fatores fisiológicos
Estudo do problema para além de uma única causa específica

- Saúde como vitalidade positiva
Não estar doente não significa que estamos saudáveis. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define o termo saúde como ‘um estado completo de bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de enfermidades e doenças

Alimentação do futuro: nutrigenômica

A chamada nutrição nutrigenômica estuda como os alimentos, nutrientes e outros compostos bioativos (substâncias presentes em legumes, frutas e verduras) podem favorecer a saúde e o combate a doenças com base no genoma de cada pessoa.

De acordo com Thamyris Agnes, o objetivo é entender os impactos de fatores externos no nosso genoma e pensar uma alimentações específica para cada pessoa. 

“No Brasil essa ciência ainda caminha a passos lentos, mas em tese é o estudo do conjunto das moléculas do DNA humano e as potenciais doenças que esses indivíduos poderão desenvolver ao longo da vida. Por exemplo, se esse mapeamento apontar que, com base nas informações genéticas uma pessoa poderá desenvolver diabete aos 40 anos, ela deve começar desde já a ter uma alimentação mais restrita”, aponta Thamyris.

Alimentos ‘especiais’ e suas ações no organismo

Licopeno
Onde encontrar? Tomate, goiaba vermelha, melancia, pimentão vermelho
Ação: antioxidante, reduz níveis de colesterol e tem ação anticarcinogênica, principalmente em relação ao câncer de próstata.

Catequinas
Onde encontrar? Chá verde, cereja, amora, metilo, framboesa, uva e vinho tinto
Ação: Auxilia na melhora do sistema imunológico, reduz os níveis de colesterol e tem ação anticarcinogênica

Ômega 3
Onde encontrar? Peixes como sardinha, atum e salmão
Ação: Anti-inflamatório, ajuda na redução do LDL colesterol

Flavonóides
Onde encontrar? Soja, alcachofra, frutas cítricas, pimentão 
Ação: Ação antioxidante, combate o envelhecimento celular e tem ação anticarcinogênica

Tanino
Onde encontrar? Maçã, uva, caju e manjericão
Ação: Antioxidante e antisséptico 

Probióticos
Onde encontrar? Iogurte e leite fermentado
Ação: Melhora a função gastrointestinal, reduz o risco de constipação e de câncer de cólon 

Prebióticos
Onde encontrar? Raiz de chicória e batata yacon
Ação: Frutooligossacarídeos, ativa a flora intestinal que favorece o bom funcionamento do intestino

Alicina
Onde encontrar? Alho, cebola, açafrão da terra e cúrcuma
Ação: Reduz o colesterol e a pressão sanguínea, melhora do sistema imunológico e tem ação protetora do coração.