Sem médicos, abertura da UPA Cidade Náutica é prejudicada

Prefeitura tenta atrair profissionais, mas baixo salário e problemas em pagamento são barreiras

A abertura da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Cidade Náutica, em São Vicente, depende apenas de recursos humanos. Em obras desde o início de 2015, o equipamento, que deveria ser entregue em junho deste ano, ainda está de portas fechadas. Com salário inicial baixo e problemas no pagamento de servidores públicos, o processo seletivo emergencial promovido pela Prefeitura para a contratação de médicos atraiu apenas dois profissionais. A unidade necessita de ao menos 18 para dar início às atividades. A seleção foi prorrogada até o próximo dia 22.

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“A necessidade maior atualmente é que a gente consiga completar o RH (recursos humanos) para reabertura da UPA Náutica, que já vinha numa situação de programação de reabertura para junho. Completamos a unidade, ela está toda adequada com os equipamentos, mas a gente necessita de médico”, afirmou Mônica Palma, secretária de Saúde. Segundo a gestora, os profissionais de enfermagem e administrativo estão sendo chamados do último concurso. A administração da unidade ficará por conta da Prefeitura. 

Pensando na reabertura da unidade, a Secretaria de Saúde iniciou, no último dia 3, processo seletivo para a contratação 20 médicos de clínica geral e 16 pediatras. A seleção seria até ontem (11), mas apenas dois profissionais se inscreveram. Diante da baixa procura, a Prefeitura decidiu prorrogar o chamamento. O salário é de R$ 1.836,04 para 24 horas semanais. A remuneração somada aos benefícios pode chegar a R$ 8 mil, segundo a secretária. 

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“Acredito que a baixa procura esteja aliada a diversos fatores. A gente tem uma situação progressiva com deficit de pagamentos, um salário que não é atrativo para os médicos da região, mas eu, enquanto secretária de saúde, tenho que trabalhar para manter um funcionamento tão importante como aquele aberto”, destacou Monica. 

Desde o dia 27 de julho, os médicos do Hospital Municipal trabalham em operação padrão. Apenas casos de emergência são atendidos. O esquema é devido ao atraso no pagamento. “O salário dos médicos de uma maneira ruim vem sendo pago dentro de mês. Tanto o salário como a produtividade médica estão sendo pagos separadamente e com atraso. O salário estão pagando de forma escalonada e a produtividade em outra data”.

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Deficit

Durante entrevista coletiva concedida ontem, Mônica também ressaltou o deficit de profissionais na rede municipal de saúde, que conta apenas com 153 médicos no setor de urgência e emergência. Para suprir a demanda são necessários 345 profissionais. 

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“Temos plantões contratualizados com uma Organização Social, mas ela sozinha não vai conseguir atender, porquê de uma maneira emergencial já vem nos contemplando com plantões para implementar o deficit do Hospital Municipal e da Maternidade. Aliás, principalmente a Maternidade é onde menos profissionais estou conseguindo”, ­destacou. 

No Hospital Municipal, o antigo Crei, a necessidade para atender a demanda é de 200 médicos para atender todas as especialidades, mas a unidade conta atualmente com 108 profissionais. “As especialidades que são in loco e as especialidades que prestam serviço a distância, que seria neurologia, cirurgia vascular e todas as especialidades que ficam a distância. O total somamos esse número de médicos”.

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Segundo a secretária, o município não conta com nefrologista. “Não é uma situação do município de São Vicente. É uma situação de todos os municípios da Região. Estamos em uma situação tão triste, que se vier um nefrologista já é bem acolhido, porque temos um prestador que faz atendimento aos pacientes, mas que não faz o atendimento ambulatorial”, destacou.