Cratera em avenida mobiliza equipes de manutenção em São Vicente / Reprodução/Redes Sociais
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A Prefeitura de São Vicente se manifestou nesta quinta-feira (26) a respeito de uma nova cratera que se abriu na área externa do Edifício Solaris. A situação, ocorrida novamente no início deste mês, resgatou um problema que começou em 19 de abril de 2025, após fortes chuvas atingirem o município.
À época, a cidade acumulou 115 milímetros de chuva em apenas 24 horas, ocasionando um buraco de quase cinco metros na esquina da Avenida Marechal Deodoro com a Rua Pero Lopes de Souza, na Vila Valença, ao lado do condomínio residencial.
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Equipes da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e técnicos do Instituto de Pesquisas Ambientais realizaram vistorias e descartaram risco estrutural imediato ao prédio, não sendo necessária a evacuação até então.
Em 28 de abril, a Prefeitura executou o fechamento da cratera e informou que a causa estava relacionada a uma obra irregular no subsolo do edifício, realizada sem alvará. O condomínio foi multado e intimado a apresentar laudo técnico que atestasse a segurança estrutural.
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No dia 4 de fevereiro deste ano, São Vicente voltou a ser atingida por fortes chuvas que provocaram a abertura de uma nova cratera. O deslizamento do asfalto ocorreu ao lado do prédio residencial e também mobilizou equipes de emergência.
Diante do risco inicial, chegou a ser avaliada a evacuação preventiva dos moradores do Edifício Solaris, mas, após uma vistoria técnica, a medida foi descartada.
Após uma nova análise minuciosa, a Prefeitura afirmou que ambos os episódios de abertura de crateras são “consequência direta de uma obra irregular executada pela construtora no subsolo do edifício”.
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A administração municipal diz que houve demolição integral da laje do piso sem licenciamento, sem responsável técnico habilitado e sem acompanhamento do poder público. A intervenção teria comprometido o sistema de drenagem, já considerado deficiente.
Em um comunicado, a gestão acrescentou que a remoção da laje permitiu a infiltração descontrolada de águas pluviais e do lençol freático, provocando o carreamento de solo da área externa para dentro do prédio. Esse processo teria criado vazios sob a calçada e a via, resultando nos afundamentos e na abertura recorrente de crateras.
A Prefeitura ainda detalhou a tramitação do processo administrativo de regularização da obra, que foi protocolado pela construtora apenas em 12 de agosto de 2025, quase quatro meses após o primeiro incidente.
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Segundo o Município, já em 13 de agosto foi emitido um “comunique-se” apontando 15 inconsistências técnicas na documentação apresentada. Novos documentos foram entregues em 28 de agosto e 30 de setembro, mas permaneceram erros graves de compatibilidade.
Desde 3 de outubro de 2025, o processo estaria paralisado, aguardando manifestação da construtora. A administração sustenta que está pronta para expedir o alvará assim que a documentação adequada for apresentada.
No episódio mais recente, a erosão atingiu níveis considerados críticos, criando vazios sob escadaria, rampa e área de acesso ao edifício. Parte dessas estruturas encontra-se em condição de balanço, ou seja, parcialmente sem apoio, o que representa risco de colapso local.
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Como medidas paliativas, a Prefeitura informou ter realizado bloqueio e sinalização das áreas afetadas; implantação de barreiras provisórias para contenção do fluxo de água; cobertura da área com lonas e materiais impermeabilizantes; e monitoramento contínuo por equipes da Defesa Civil, agentes de trânsito e engenheiros municipais.
Segundo o Executivo, o fechamento definitivo exige estabilização do solo, preenchimento e compactação técnica em camadas, além de reforço estrutural nas áreas comprometidas.
A Prefeitura ressalta que, com o solo ainda saturado e previsão de novas chuvas, não há segurança para a circulação de máquinas pesadas ou atuação de operários neste momento.
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Em nota, o Município reafirmou que realizará novamente o fechamento da cratera “tão logo as condições técnicas e climáticas garantam a segurança da operação”. No entanto, enfatiza que a solução definitiva depende da correção da obra irregular no subsolo do edifício, conforme determinação judicial.
Enquanto a causa estrutural interna não for resolvida pela construtora, a administração avalia que o risco de novos episódios continuará existindo, mesmo com intervenções externas de recomposição da via.
A Prefeitura de São Vicente afirma que segue à disposição dos moradores e mantém monitoramento permanente da área, com prioridade absoluta à segurança da população.
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