Prefeito eleito pretende retomar transbordo do Sambaiatuba

Pedro Gouvêa diz que vai trabalhar para que área do parque também volte a abrigar projetos sociais

O cenário lembra o período em que o antigo Lixão era a grande ferida de São Vicente. Moscas se amontoam nas pessoas, cachorros surgem no meio do material acumulado, crianças vasculham os resíduos. O que já foi o Parque Ambiental Sambaiatuba, com projetos sociais voltados aos antigos catadores e espaço para lazer sumiu gradativamente nos últimos cinco anos. Nem mesmo o espaço utilizado pela Prefeitura para transferir o lixo e encaminhá-lo ao seu destino final se salvou.

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Em entrevista ao Diário do Litoral, na última quinta-feira (6), o prefeito eleito Pedro Gouvêa (PMDB) disse que pretende viabilizar autorização para reativar a área de transbordo e retomar os programas existentes no local. 

“Vamos fazer com que a prefeitura consiga novamente a autorização para a área do transbordo, que hoje está interditada. Hoje existe um grande problema lá. Mas nós iremos revitalizar aquele espaço”, ¬afirmou Gouvêa. A área de transbordo localizada no interior do Parque Sambaiatuba está interditada desde janeiro de 2015, quando a Cetesb, órgão que fiscaliza o setor, constatou operações realizadas de forma inadequada. 

A importância do complexo ao município também foi destacada por Gouvêa. “Além das questões ambientais, envolve um trabalho com pessoas, com seres humanos que foram abandonados. A gente vai resgatar isso para devolver a cidadania das pessoas”, finalizou.

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Lixão

O antigo lixão de Sambaiatuba foi desativado em 1º de abril de 2002. Desde então, tornou-se um parque ecológico com uma área destinada apenas para a baldeação, ou seja, os caminhões coletores despejam os resíduos para que os veículos basculantes possam levá-los ao destino final, localizado no Sítio das Neves, na área Continental de Santos. Sem esta opção, o caminhão responsável pela coleta urbana, faz também a viagem até o Sítio. Isto causa lentidão no processo e afeta os trabalhos de limpeza da cidade.

A operação de transbordo no Parque foi satisfatória até dezembro de 2010, quando foram constatadas as primeiras irregularidades, como acúmulo de lixo, odores fortes e formação de chorume. 

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Os problemas tornaram-se constantes e a Prefeitura de São ­Vicente chegou a ser multada pela Cetesb. Na época, a administração alegou que o recolhimento do lixo pelos caminhões atrasou porque houve impasses com a empresa prestadora do serviço.

Abandono

Na última semana, a Reportagem esteve no Parque para verificar a situação do local. Desde que foi desativado, em abril de 2002, o lixão se transformou em uma área para convívio social, onde até meados de 2012 eram oferecidos cursos de informática, panificação, oficina de costura, entre outros.

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Os catadores, que antes viviam das atividades do lixão foram ­inseridos no programa social desenvolvido pela Codesavi denominado “Caminhos para a Cidadania”, para integrarem a coleta seletiva do ­Município e trabalharem de forma autossustentável a frente da Cooperativa de Trabalho da Cidade Alta, a Coopercial, instalada dentro do parque.

O complexo, que chegou a ser premiado em 2008 pelo Governo Federal e pelas Nações Unidas, pelo sucesso com o projeto de inclusão social, hoje está abandonado.

As salas de aula onde eram ministrados os cursos profissionalizantes aos moradores da comunidade estão fechadas. A padaria que abrigava o projeto “Mão na Massa”, assim como os equipamentos da cozinha está sem uso.

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A estrutura que acomodava a horta hidropônica quase não existe mais. O que restou está coberto pelo mato. O lugar já chegou a produzir 3.500 pés de alface por mês, que eram destinados a merenda escolar da rede municipal. 

Além da reciclagem, também havia uma usina de ­reutilização do óleo de cozinha e restos de coco da praia.

Cooperativa não recebe apoio da Prefeitura

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Atualmente, o único serviço que continua funcionando dentro do Parque e de forma independente, são as atividades da Coopercial. A venda dos recicláveis para empresas cadastradas é o que gera a renda dos cooperados. Dos 220 funcionários que a unidade chegou a abrigar, hoje não mais que 40 continuam por lá.

“A cooperativa gera trabalho e renda, principalmente ao pessoal de mais idade que não consegue emprego”, desabafa Francisco Ribeiro Souza, de 43 anos. 

Em julho, ele assumiu a presidência da cooperativa e tenta junto aos cooperados manter as atividades. Mas, explica que sem o apoio da Codesavi e da Prefeitura, a situação se complica a cada dia.

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Desde o fim do convênio com a Codesavi, em março deste ano, eles não recebem mais a verba mensal destinada ao pagamento dos funcionários e dos caminhões que faziam a coleta. No momento, há apenas um caminhão próprio trabalhando. O outro está quebrado e sem previsão de ­conserto.

Francisco explica que com a redução de materiais, consequentemente, o trabalho diminuiu e o número de pessoal também.

“O faturamento atual gira em torno de R$300 a 400 reais mensais para cada cooperado. Antes, chegava a R$1.100. O lugar tem capacidade para receber diariamente 10 toneladas de material reciclado, mas não chega nem a metade”, explica ele.

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A Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Assistência Social (Seas), informou que atualmente não há trabalho específico com os catadores.