Paratinga: uma ponte para o ecoturismo em São Vicente

Cachoeiras reúnem mais de 6 mil pessoas; Prefeitura quer desenvolver projeto com a comunidade

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23 JAN 2017Por Diário do Litoral11h57
Cachoeira conhecida como ‘escorregadeira’ é uma das mais visitadas; local fica lotado aos finais de semanaFoto: Daniela Origuela/DL

Escondidas às margens da Serra do Mar, na Área Continental de São Vicente, três cachoeiras chegam a reunir mais de seis mil pessoas por final de semana ensolarado. Não há estrutura para os visitantes. A falta de segurança e os acidentes são constantes. Em meio aos problemas, a comunidade oferece serviços ao público e trabalha para manter o espaço livre da degradação. Na última semana, equipes da Prefeitura visitaram a região e manifestaram a intenção de desenvolver projeto de educação ambiental e turístico naquela localidade.

“Tem tanta coisa para se fazer no Meio Ambiente que temos uma demanda excessiva de projetos. Estamos desenvolvendo uma incubadora de projetos que vai ficar responsável por fazer uma apuração mais detalhada. Para essa região de trilhas e cachoeiras temos a ideia de fazer um trabalho de educação ambiental junto à comunidade”, destacou Vitor Vitório, secretário municipal de Meio Ambiente. 

Segundo a secretária adjunta de Meio Ambiente, Silmara Casadei, que tem experiência no trabalho sustentável de coleta seletiva e com catadores no Parque Ambiental Sambaiatuba (na área do antigo lixão), são necessários estudos e parcerias para viabilizar o projeto e empoderamento da comunidade. 

“As comunidades já estão aqui, inclusive em área que seria de preservação. Precisamos trabalhar urgente para fazer o congelamento disso para que não haja mais invasões. Temos que entrar em contato com os coordenadores do parque estadual Serra do Mar. Vamos sentar e pensar um projeto para cá, mas com certeza tem que ser envolvendo as comunidades. Elas têm que se empoderar desse espaço. A degradação é grande e, às vezes, a falta de conhecimento aliada à algumas atitudes faz com que a coisa piore cada vez mais. É um trabalho de formiguinha, mas acredito que dá para fazer muita coisa”, afirmou ­Silmara.

"Essa foi a primeira visita de reconhecimento do local. O governo tem a intenção de potencializar o ecoturismo na cidade. Verificamos que as trilhas e cachoeiras de Paratinga, até por reunir milhares de pessoas e ter uma comunidade que sobrevive dessas visitas, devem ser incluídas no projeto de tornar São Vicente sustentável e rota desse tipo de turismo no Brasil", afirmou o secretario de Turismo, Henrique Marx.

Comunidade

Em Paratinga, logo que chega, o visitante encontra a cachoeira conhecida como ‘escorregadeira’. O acesso se dá por baixo do viaduto por onde passa a linha férrea. O Diário do Litoral esteve no local em dia de semana e nublado, mas, aos finais de semana, a quantidade de bicicletas, motos e carros estacionados naquela região é muito grande. São pessoas, na maioria jovens, da própria Área Continental e de bairros da Praia Grande. 

“Estou em Paratinga há dois anos. Montei um bar que é de onde eu tiro o meu sustento. Final de semana tem muita gente. Lota tudo. No meu bar ofereço tilápia, camarão, porquinho, cerveja e guaraná”, disse o comerciante Carlos Eduardo da Silva Cordeiro Gaspar, de 33 anos. 

Em frente ao bar há uma placa indicando as porções disponíveis. Logo mais à frente outra fala que é proibido jogar lixo. A sujeira que os visitantes deixam espalhada nos dias de muita frequência incomoda o comerciante. “Tento conscientizar as pessoas para não jogarem lixo. Coloco plaquinha e tudo. O problema que sofro mais é a falta de saco de lixo, de tambores para o lixo e da prefeitura recolher o lixo”, afirmou Eduardo, enquanto recolhe materiais espalhados ao lado de uma pequena lagoa. 

O morador levou a equipe da prefeitura e a Reportagem para conhecer as demais quedas d’água. O acesso se dá por trilhas. No caminho sítios, bares fechados e o barulho do trem de carga que passa na ponte férrea que fica por cima de um curso d’água que vem da serra. A água desemboca no Rio Branco. Em toda aquela região, que tem parte sob os cuidados do Parque Estadual Serra do Mar, há vestígios de ruínas históricas. “Fui estudar a história daqui. Os escravos passavam por aqui, sabia? Eles traziam banana lá de cima. Lá em cima na cachoeira tem uma roda gigante e um trilho que eles desciam banana”, afirmou.