São Vicente
Entre motos empurradas e lixo na enxurrada, bairro sofre com enchentes crônicas; "Ficou pior no último um ano e meio", diz moradora
Ruas intransitáveis e carros submersos reacendem cobrança por soluções definitivas / Nathalia Alves/DL
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As fortes chuvas que atingiram a Baixada Santista na última semana deixaram ruas alagadas e moradores em situação de risco. Em São Vicente, o bairro Jóquei Clube voltou a enfrentar um problema antigo: a recorrência de enchentes que dificultam a rotina da população.
Conhecida pela vulnerabilidade e pelo histórico de alagamentos, a região sofre sempre que o volume de chuva aumenta. Moradores relatam que precisam “dar um jeitinho” para realizar tarefas básicas, como ir ao trabalho, à escola ou ao mercado.
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Na última quinta-feira (26), diversas vias ficaram intransitáveis. Motociclistas empurravam motos pela água, pedestres se apoiavam uns nos outros para atravessar as ruas, enquanto carros ficaram parcialmente submersos e o lixo se misturava à enxurrada.
Em entrevista ao jornal, uma moradora afirmou que a situação tem piorado. “Se chove, a gente já espera. Para alguns é impossível sair de casa. Não era bom, mas ficou pior no último um ano e meio”, disse.
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Entre os fatores apontados por moradores está a ocupação irregular em áreas de mangue, o que compromete o escoamento da água. Com chuvas intensas e maré elevada, o volume acaba retornando para as ruas.
Em nota, a Prefeitura de São Vicente informou que tem realizado investimentos para minimizar os impactos das enchentes. Entre as ações, destaca a reestruturação do canal da Avenida Eduardo Souto, na Cidade Náutica, com ampliação da capacidade de captação de água, beneficiando também o Jóquei Clube e bairros vizinhos, como Náutica, Parque Tancredo Neves e Vila Fátima.
O município cita ainda obras de recuperação e implantação de paredes laterais no canal de drenagem (750 metros de extensão), ampliação das travessias de drenagem na Avenida Sambaiatuba e no Caminho da Divisa, além de melhorias no sistema de microdrenagem da Avenida Lourival Moreira do Amaral.
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A administração informou que elaborou um Plano de Macro e Microdrenagem, com investimento estimado em cerca de R$ 1 bilhão, e que busca recursos junto a governos e instituições financeiras. Também destacou a atuação do Plano Preventivo da Defesa Civil, com monitoramento de áreas de risco.
Além dos prejuízos materiais, os alagamentos elevam o risco de doenças infecciosas. O Ministério da Saúde alerta para a possibilidade de contaminação por leptospirose, transmitida pela urina de animais infectados, especialmente ratos, em contato com a água contaminada.
Outro risco é o aumento de casos de dengue, já que o mosquito Aedes aegypti se prolifera em locais com água parada. O cenário também favorece a transmissão de chikungunya e zika.
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Enquanto as obras avançam e novos recursos são buscados, moradores do Jóquei Clube seguem cobrando soluções definitivas para um problema que, a cada chuva forte, volta a se repetir.