Homens tentam caçar criatura misteriosa que sai do mar para barbarizar em São Vicente / Imagem realista gerada por IA/DL
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Hoje, as praias de São Vicente, no litoral paulista, são sinônimo de lazer e sol. Mas nos primeiros anos da colonização do Brasil, o mar que banha a cidade mais antiga do país era visto com desconfiança e medo. Muito antes das ressacas ou da poluição, o maior terror dos colonos portugueses em 1564 tinha nome, forma e dentes: o Ipupiara.
Este não é apenas um conto de pescador moderno. O relato da aparição de uma criatura marinha monstruosa na orla vicentina foi documentado por cronistas sérios da época, como Pero de Magalhães Gândavo e até pelo Padre José de Anchieta. Para os habitantes da pequena vila no século XVI, o perigo não era uma lenda, mas uma ameaça física que rondava a arrebentação.
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Segundo os registros históricos, o pânico se instalou quando a criatura emergiu das águas. Descrito como um ser de feições humanoides, mas com nadadeiras, corpo coberto de pelos e um odor insuportável, o Ipupiara (que em tupi significa "o que mora n'água" ou demônio d'água) fez uma vítima fatal.
A crônica conta que o colono Baltasar Ferreira estava na praia quando foi surpreendido pelo monstro. A criatura o teria atacado com um "abraço" esmagador, quebrando seus ossos e levando-o à morte antes que qualquer ajuda pudesse chegar. A notícia do ataque correu pela vila, gerando um estado de sítio: ninguém ousava chegar perto da água.
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A histeria só teve fim com a intervenção de uma figura histórica de peso: Brás Cubas, fundador da vizinha Santos e capitão-mor da capitania. Liderando um grupo armado, ele teria caçado a criatura na praia. O desfecho foi sangrento: Brás Cubas teria matado o Ipupiara com um golpe de espada.
Para provar que o pesadelo havia acabado, o corpo do animal foi arrastado até a praça pública, onde ficou exposto para o alívio (e horror) da população local.
Hoje, historiadores e biólogos acreditam que o temido Ipupiara era, na verdade, um animal da fauna marinha desconhecido pelos europeus recém-chegados. As teorias mais aceitas apontam para um lobo-marinho ou, mais provavelmente, um peixe-boi-marinho, animal de grande porte e feições que, sob a ótica do medo e da ignorância da época, foram interpretadas como monstruosas.
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Visitando o centro histórico de São Vicente hoje, é fascinante imaginar que aquelas mesmas areias foram palco do primeiro grande relato de "monstro marinho" documentado na história do Brasil.