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São Vicente

Há 114 anos os primeiros japoneses chegavam ao porto de Santos

No dia 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru trazia 781 imigrantes, que ansiavam por uma vida melhor

Uma dessas famílias é a do microempresário no ramo de fabricação de pastel, em São Vicente, Paulo Keiti Tamashiro / Divulgação/PMSV

No dia 18 de junho de 1908, os primeiros 781 imigrantes japoneses, trazidos pelo navio Kasato Maru, iniciaram a vida no Brasil. Ao todo 165 famílias desembarcaram na esperança de trabalho e contribuir para o desenvolvimento econômico do país.

Essa contribuição se reflete em São Vicente, com muitas famílias de imigrantes que, até hoje atuam no comércio, na política e nas carreiras autônomas, sempre com dedicação e disciplina.

Uma dessas famílias é a do microempresário no ramo de fabricação de pastel, em São Vicente, Paulo Keiti Tamashiro. “Meus pais nasceram na cidade de Okinawa e, ao desembarcarem no porto de Santos, foram trabalhar na lavoura em uma colônia localizada na cidade de Ibiúna, interior de São Paulo”.

Keiti conta que os pais já tinham uma filha, com um ano de idade, quando chegaram ao Brasil e, após trabalharem no interior de São Paulo, foram para o Guarujá, onde tinham família, para atuarem na roça. “Foi quando eu nasci. Sou Guarujaense, mas agora vivo em São Vicente, sendo que fui o primeiro comerciante no ramo de pastelaria.”

Hoje a família de Keiti está na quarta geração e tem mais de cem integrantes.

Dos 781 japoneses que vieram no navio Kasato Maru, 325 pertencem à Okinawa, formada por mais de 150 ilhas no Mar da China Oriental, entre Taiwan e Japão continental. Até fevereiro de 2020, a população estava em 1,457 milhões.

Uma das famílias mais antigas é a família Takagochi e quem conta a trajetória dos avós, que chegaram ao Brasil em 1910, vindos de Okayama, é a professora aposentada Takako Ueda Sento Se, 72 anos.

“Meus avós vieram no segundo grupo de imigrantes e cada um era casado e já tinha filhos. Quando perderam seus respectivos companheiros, eles formaram uma família”.

A professora conta que os avós tiveram cinco filhos, que tiveram os nomes de Sadaka, Kenhiti, Toschie, Tomio e Tamaye. Ao todo são 54 integrantes descendentes do casal Takagochi, que teve o primeiro filho de japonês a se casar com uma brasileira.

Outros pioneiros em São Vicente são os Yumoto, seguindo a tradição da pesca, onde iniciaram a vida na rua que, posteriormente, veio a ser denominada “Rua Japão”.

Na política, o ex-prefeito de São Vicente, Koyu Iha, comenta que a contribuição do povo japonês para o Brasil foi muito grande no comércio, hortifrutigranjeiros, no intelectual e na cultura.

Koyu, 82 anos, foi o primeiro vereador e prefeito com descendência japonesa e é o irmão mais velho de onze filhos de Kotoku Iha e Setsu Iha. “Em 1922, meu pai imigrou do Japão para o Brasil e inaugurou uma fábrica de macarrão, depois de ter passado por vários empregos”.

Ele lembra, que, após o governo brasileiro declarar guerra às potências do Eixo, formadas por Alemanha, Itália e Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, a família foi obrigada a se mudar para Lins, no interior do estado, após receber uma ordem do governo brasileiro para deixar Santos, uma vez que a cidade passou a ser considerada um local estratégico pelo Estado em meio ao conflito.

Hoje em dia, o Município vicentino também pode contar com políticos descendentes de imigrantes, como o secretário de Comércio, Indústria e Negócios Portuários, Rogério Tadachi Iha e o vereador Jhonny Sasaki.

Cidades-irmãs

No mês de agosto de 2023 será comemorado os 45 anos de convênio entre a cidade de Naha, localizada na Província de Okinawa e São Vicente.
 
De acordo com Nayene Carmo, professora da rede de São Vicente e responsável, desde o falecimento do Seitetsu Iha, pelas demandas do convênio entre Cidades-Irmãs, pela prefeitura de Naha-Okinawa, a prefeitura de Naha já está em fase de organização das comemorações deste momento.

Patricia Naomi Iga, servidora municipal conta que, a fim de difundir a cultura japonesa no Município, a Associação Nipo-Brasileira de São Vicente, desde o ano de 2000, ofereceu comidas típicas japonesas no quiosque, em frente ao Jardim Japonês, onde funcionava o Horto Municipal (hoje fechado). “Sem sede própria, hoje em dia, a Associação formada por descendente, tais como as famílias Aoki, Ajifu, Hashizume, Yasunaka, Maeshiro, Igai, Aguena, Nishimi, Takahashi, Taguchi, Kobashigawa, Tsuji, Tsuruda, entre outras, pretende realizar eventos culturais e oficinas para reunir novamente as famílias e interessados”.

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