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Escolas de São Vicente podem ter ‘dois anos em um’ em 2021, diz prefeito

Pedro Gouvêa não descarta a possibilidade de ensino presencial voltar apenas no próximo ano

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30 JUL 2020Por Caroline Souza16h00
Pedro Gouvêa garantiu que o retorno será feito com segurança e sem comprometer qualquer condição de saúde pública em São VicenteFoto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

O prefeito de São Vicente, Pedro Gouvêa, disse que o ensino nas escolas municipais pode ter “dois anos em um” em 2021. Isso porque, segundo ele, não há uma data para o retorno das aulas em 2020 e existe a possibilidade das aulas presenciais só retornarem no próximo ano. As afirmações foram feitas nesta quinta-feira (30), em entrevista à rádio Manhã de Notícias, da Rádio Nova FM.

“Estamos criando uma série de protocolos, conversando, discutindo, mas é uma sinalização por parte do Estado. Nós ainda não temos uma data. Estamos em discussão, fazendo um planejamento, verificando a viabilidade, não tem nada definido. É preciso ter muito cuidado nesse momento”, explicou.

Gouvêa garantiu que o retorno será feito com segurança e sem comprometer qualquer condição de saúde pública em São Vicente. “Vamos fazer isso com o pé no chão, quando estivermos seguros de que temos um plano seguro e que não compromete as condições de saúde pública".

O prefeito não descartou a possibilidade de as aulas não retornarem esse ano e explicou como seria a dinâmica em 2021. "Essa semana conversei com o Roberta Cicarelli, presidente do Sintramem (Sindicato dos Trabalhadores no Magistério e na Educação Municipal de São Vicente), e ela falou: 'a gente sabe da capacidade de superação dos nossos professores, da nossa rede de ensino. E a gente tem percebido que, muito provavelmente, essa carga toda terá de ser distribuída no ano de 2021'. Na verdade, a gente provavelmente vai ter de fazer dois anos em um”, esclareceu. “Se tudo voltar à normalidade, a gente vai ter de fazer que o ano de 2021 seja especial na área da educação, com bastante investimento, para que seja possível correr atrás desse prejuízo”, completou.

Para ele, muita coisa na área do ensino vai mudar. “Esse período foi positivo no sentido de abrir muito a cabeça de muita gente, principalmente dos profissionais da educação, a respeito da internet. Todo mundo se sentiu obrigado a se lançar nesse mundo. A gente anunciava isso há anos, mas nós não estávamos totalmente inseridos nesse processo. Hoje, todos estão acreditando muito nisso”.

Questionado sobre a viabilidade do protocolo apresentado pelo Governo do Estado, Gouvêa disse que “é um projeto perfeito para um mundo perfeito”.  Segundo o prefeito, essa condição foge da realidade do ensino público. “As instituições de ensino privado terão muito mais condições de se adequar. Tenho visto escolas particulares se preparando, adotando todas as medidas e acho uma delícia ver essa capacidade de reorganização. Algumas escolas talvez até tenham condições, mas há outras que ainda têm três períodos de aula. Então, não é a realidade do ensino público”.

Gouvêa falou ainda sobre a migração de estudantes da rede particular para a rede pública que deve ocorrer no próximo ano. “A gente vai sentir isso de maneira intensa no próximo ano, a partir do processo de matrícula. Eu me preocupo muito. Por isso eu penso que, talvez, seja preferível manter um processo mais remoto, mas garantindo a saúde de todos. A questão das escolas está sendo muito discutida, e vai ser trabalhada dentro da nossa realidade”, finalizou.