Como é feito o bloquete que cobre as ruas?

No primeiro passo, as fôrmas são untadas com óleo diesel. Em seguida, o cimento é despejado e permanece enformado durante sete dias, porém, a secagem completa só ocorre em 15 dias. Cada peça pesa de 15 a 20 Kg.

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25 MAR 2018Por Vanessa Pimentel10h18
Segundo Máximo, a receita ideal foi conseguida através dos conhecimentos de um antigo engenheiro da prefeitura.Segundo Máximo, a receita ideal foi conseguida através dos conhecimentos de um antigo engenheiro da prefeitura.Foto: Rodrigo Montaldi/DL

Quando o bloquete da rua de uma cidade solta ou as tampas retangulares dos bueiros quebram, é obrigação da prefeitura arrumar. Quando o trabalho é realizado, em poucos minutos um buraco ou uma rua sem asfalto ganham cara nova. Mas, quem produz esse material?

Em São Vicente, Máximo Maia é o responsável técnico pela fábrica de artefatos de concreto que produz esse tipo de produto toda vez que alguma via carece de reparos, um buraco precisa ser tampado ou uma rua deixará de ser de terra. 

Ele e mais três funcionários ficam alocados próximo à subprefeitura, no bairro Jardim Rio Branco e, despercebidos, trabalham pesado para tentar suprir a demanda do município. 

“O povo reclama quando os blocos estão quebrados ou quando os bueiros estão sem tampa, mas acho que ninguém para pra pensar sobre o nosso trabalho, né? Não reparam”, comenta Máximo. 

De fato, na correria do dia a dia, em meio aos hábitos quase mecânicos, questionar “quem faz o chão que a gente pisa?” parece coisa de desocupado, mas não deixa de ser curioso.

Todo o processo parece com uma ‘receita de bolo’. No primeiro passo, as fôrmas são untadas com óleo diesel. Em seguida, o cimento é despejado e permanece enformado durante sete dias, porém, a secagem completa só ocorre em 15 dias. Cada peça pesa de 15 a 20 Kg. 

“Fazemos cerca de duas receitas por dia para não forçar a coluna. Se passar disso, no dia seguinte tem funcionário que não consegue nem levantar”, explica Máximo.

E a demanda é grande, já que as ruas da Área Continental da cidade e o entorno da Praça Brasil, no Parque das Bandeiras, vêm recebendo novos sextavados. 

Para as tampas de bueiros retangulares, o processo é parecido, mas com mudanças nas medidas dos ingredientes. Como a fábrica de artefatos de concreto é instalada em meio ao bairro, a própria população já avisa os funcionários quando alguma rua está precisando de reparo. 

Receita ideal

Segundo Máximo, a receita ideal foi conseguida através dos conhecimentos de um antigo engenheiro da prefeitura. Depois de muita observação e testes, o profissional percebeu que para aumentar a vida útil do asfalto da cidade devido às condições do solo, era necessário diminuir a quantidade de areia e acrescentar pó de pedra. 

Desde que a receita dos bloquetes mudou, a qualidade das peças melhorou, segundo o funcionário. Entre as vantagens estão: o bloquete sextavado é o mais mais resistente de todos os bloquetes pela sua forma e medida, por isso é muito utilizado em pavimentação para tráfego pesado; a execução é de baixo custo, fácil de instalar e permite melhor permeabilidade.