Comércio fecha com abandono do Gonzaguinha em São Vicente

Sem ocupação, quiosques recém-construídos se transformaram em abrigo para pessoas em situação de rua

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19 JUN 2016Por Rafaella Martinez10h00

Em setembro de 2013, a Prefeitura de São Vicente anunciou a revitalização da orla da praia do Gonzaguinha, que previa a troca do piso do calçadão e construção de novos quiosques, partindo da Praça Tom Jobim até a Rua 11 de Junho. Com previsão de término em 12 meses, quase três anos se passaram sem que a obra tenha sido completamente entregue.

Na orla do Gonzaguinha, quiosques novos se mesclam aos antigos, ainda de madeira. Parte deles está desocupada e se transformou em abrigo para pessoas em situação de rua. Nesses equipamentos, a Reportagem encontrou roupas, cobertores, utensílios pessoais e carrinhos de ­supermercado.

Com o abandono da região, os moradores têm evitado o local. “Moramos aqui perto, mas sempre que possível damos a volta para não termos que passar por aqui em nenhuma hora do dia. Está sempre perigoso. A noite consegue ser ainda pior, pois a gente não sabe quem está escondido dentro desses quiosques. Pode ser alguém disposto a fazer o mal”, destacou a aposentada Amélia de Paula, de 72 anos, que caminhava a passos apressados pelo calçadão do Gonzaguinha ao lado do marido, Manoel Rocha de 76 anos.

Orçada em mais de R$ 3,8 milhões, a obra é de responsabilidade da Secretaria de Obras e Meio Ambiente, em convênio com a Agência Metropolitana da Baixada Santista (AGEM). Em visita ao local no início da semana, a Reportagem encontrou pessoas trabalhando nas obras do posto de salvamento, embora o término da construção do equipamento ainda não seja vislumbrado.

Reforma.A revitalização da orla previa, em seu projeto inicial, a demolição e construção de novos quiosques, construção de sanitários públicos, nova iluminação, paisagismo com jardins, bancos e árvores em cada intervalo de quiosques e a construção do novo posto de salvamento dos bombeiros.

Questionada sobre os problemas apontados, a secretaria de Obras de São Vicente informou que as obras estão em andamento e deverão ser entregues em novembro.

Sobre a ociosidade de alguns quiosques e a existência de equipamentos de madeira, a Administração informou que a empresa contratada entregou as chaves de oito novos quiosques, que foram repassadas à secretaria do Comércio para a entrega aos permissionários. Três chaves já foram entregues e as demais quando os quiosques forem concluídos. Todos os quiosques de madeira serão demolidos e os que ainda estão no local serão utilizados até a construção dos novos.

Questionada sobre a ocupação dos quiosques por pessoas em situação de rua e o papel do serviço social para esse público, a Administração disse que a Guarda Municipal tem feito rondas no local e a Secretaria de Assistência Social (SEAS) atende em média 200 pessoas em situação de rua por mês nos centros especializados.

Comércios fecham as portas em virtude do abandono da região

Inaugurado em julho de 2014, um shopping localizado em frente ao local onde está instalado o Marco Padrão fechou as portas há dois meses.

O empreendimento, que possuía lojas de diversos segmentos, gerava em torno de 200 empregos formais. Moradores do entorno afirmam que um dos motivos para o  encerramento das atividades foi a falta de iluminação e policiamento no local, o que afastava os clientes. A Reportagem entrou em contato com o responsável pelo empreendimento, mas não teve retorno.

A crítica apresentada pelos moradores é a mesma que a do professor de futevôlei Rodrigo Fernandes, o ‘Mala’. As aulas que Mala lecionava para 40 alunos na faixa de areia do Gonzaguinha foram suspensas há um mês pelos mesmos motivos.

“Reclamamos para a prefeitura da escuridão e eles informaram que roubaram dois metros de fio, por isso as luzes estão apagadas. Mas a situação já está assim há mais de um mês. Eles sempre dizem que vão arrumar e nada acontece. Estamos perdendo alunos e oportunidades na nossa cidade”, destacou o professor.

Ele também citou a falta de policiamento e o aumento do número de pessoas em situação de rua no local. “Infelizmente, hoje, em São Vicente, tudo o que tem cobertura vira abrigo. Sem contar que o Gonzaguinha também se transformou em um ponto perigoso sem a iluminação e com o abandono. A ‘sorte’ é que é uma cidade bonita por natureza, pois se fosse depender do poder público São Vicente estaria perdida”, finalizou Mala.

Questionada, a Administração disse que os problemas de iluminação foram encaminhandos à empresa competente. Em relação à segurança, a Guarda Civil Municipal informou que, além do policiamento preventivo exercido pela Polícia Militar, a GCM exerce prevenção com patrulhamento na Praça Tom Jobim, Posto de Atendimento, bem como mantém viatura estacionada 24 horas/dia na Praça 22 de Janeiro.