Cardoso: ‘A Câmara não é um ‘puxadinho’ do Executivo’

Presidente do Legislativo vicentino, Wilson Cardoso (PSB) diz que sua gestão será voltada para a transparência dos atos e aproximação da população à Casa de Leis

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05 FEV 2017Por Diário do Litoral10h00
Ele é o primeiro presidente da Câmara de São Vicente com domicílio na Área Continental da cidadeFoto: Divulgação

Ele é o primeiro presidente da Câmara de São Vicente com domicílio na Área Continental da cidade. Vereador de primeiro mandato, o comerciante Wilson Cardoso (PSB), de 33 anos, encara o desafio de comandar a primeira Câmara das Américas. Durante a gestão frente ao Legislativo vicentino, o parlamentar pretende dar maior transparência aos atos e aproximar a população da Casa de Leis. 

“São dois desafios: o primeiro de ganhar a eleição e ser vereador e o segundo de ser presidente. Entro com a missão de fazer uma Câmara transparente e atuante. Temos que trazer a população para participar e interagir. A população ainda tem o preconceito e se mantém distante e não acompanha muito”, disse Cardoso.

Segundo o parlamentar, ainda há muitos mitos com relação à presidência. “Temos que abrir as portas para a população. Essa é a casa do povo. Tem a mistificação do acesso à presidência, que tem que passar por cinco portas, mas temos que desmitificar isso. O presidente não é diferente. Pelo contrário, tem mais trabalho. O trabalho que se tem é de administrar a casa, mas nada que não se dê conta. É dormir mais tarde e acordar mais cedo”, afirmou o vereador. 

Para chamar a atenção da população e tornar mais transparentes os atos do Legislativo, Cardoso conta com a força das redes sociais. “Serão os melhores instrumentos para trazer a população para a Câmara. O Facebook, o Twitter e o site. No Facebook se consegue atingir todas as classes sociais. Passar a Ordem do Dia, projetos importantes, convidar e dialogar com a comunidade”, ressaltou.

Administração

Um dos primeiros atos de Cardoso frente à presidência foi retomar as sessões às 18 horas. No ano passado, as reuniões semanais dos vereadores foram alteradas para as 15 horas. “Às 15 horas é legal porque não onera a Câmara. Não podemos criticar a antiga gestão, pelo contrário. Quando eles criaram foi para não onerar. Às 18 horas onera um pouco porque tem que pagar hora extra aos funcionários. Mas fizemos um estudo e não custa tanto. Antes de mudar para as 18 horas fizemos esse estudo”, destacou. 

Cardoso se baseia na sua experiência profissional para administrar a Câmara. “Esse é o meu primeiro mandato. Os presidentes geralmente já têm experiência, já passaram por mandato. O que tem me ajudando muito é a experiência na administração do comércio. São 18 anos administrando. A gente trabalha com panificação. O lucro é pequeno e tem que saber fazer uso daquele lucro. Cortar e enxugar para que tenha lucro. A Câmara é uma empresa e tem que administrar. E administrar o dinheiro público é mais uma responsabilidade. A coisa pública não pode se fazer de qualquer jeito. Um exemplo: eu tenho um carro e não tenho muito cuidado ao usá-lo, agora se eu pego o carro de um amigo eu tenho de tomar conta porque não é meu. A coisa pública é mais ou menos isso”, afirmou. 

Outra tarefa do novo presidente da Câmara de São Vicente é adequar a Casa aos apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo. Entre eles a devolução dos funcionários da Companhia de Desenvolvimento de São Vicente (Codesavi), empresa de economia mista, que presta serviços de limpeza ao Legislativo. 

“Os principais apontamentos: devolução do pessoal da Codesavi, adequações na estrutura física do prédio, compra de carro próprio e devolução do carro da Prefeitura e licitar combustível (que é pago atualmente pelo Executivo). Esses são os apontamentos mais importantes. Em 30 dias de gestão já estamos corrigindo”, destacou Cardoso. Os serviços de limpeza da Câmara serão feitos por funcionários de empresa terceirizada. O processo para contratação já está em estudo.

Independência

Apesar de o prefeito Pedro Gouvêa (PMDB) contar com o apoio dos 15 vereadores, o presidente da Câmara reforça que os poderes são independentes e que a Casa vai atuar pela cidade, inclusive manifestando-se contrariamente aos projetos. 

“Vamos ser parceiros do Executivo, desde que seja bom para a cidade e para o munícipe. A Câmara não é um ‘puxadinho’ do Executivo. Não é. Nós temos independência. Se for algo que não seja de bom grado para o munícipe, tenha certeza que aquela tribuna vai pegar fogo porque os vereadores que estão aqui têm independência. Nós somos parceiros desde que seja bom para a cidade. Caso contrário, tem que ser discutido e melhorado. O vereador tem a tribuna para questionar, indicar, requerer, discutir, votar contra ou a favor”, afirmou. 

O parlamentar destacou a parceria entre os dois poderes. “Estamos em um momento que temos que ser parceiros do Executivo. Assim como o Executivo tem que ser nosso parceiro. Mas vai chegar um momento em que vamos entrar em divergência. Isso é questão de tempo”.