'Agosto Dourado' tem início em São Vicente com capacitação sobre aleitamento materno

Profissionais da Rede de Saúde de São Vicente se reuniram, nesta sexta-feira (2), para rever conceitos.

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03 AGO 2019Por Da Reportagem11h10
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Considerado como padrão ouro da alimentação, o aleitamento materno é o protagonista do "Agosto Dourado", mês onde questões sobre a amamentação são postas em pauta. Com isso, na tarde desta sexta-feira (2), a Secretaria de Saúde de São Vicente (Sesau) deu início às programações do mês com uma capacitação à equipe de responsáveis técnicos das Unidades Básicas de Saúde da Cidade.

O encontro ocorreu no auditório da sede administrativa da Sesau, onde foram revistos conceitos técnicos e situações que envolvem o período de amamentação. Além disso, habilidades de aconselhamento, comunicação e acolhimento foram reforçadas para os profissionais de saúde, visto que são fundamentais para o dia a dia dos mesmos.

O tema do ano, "Empoderar mães e pais, favorecer a amamentação: hoje e para o futuro", suas perspectivas e objetivos, também foram trabalhados no treinamento. Promovido pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (Waba, na sigla em inglês), pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o assunto está sendo promovido em mais de 150 países.

"O aleitamento materno é o padrão ouro da alimentação e isso ninguém tem dúvida. Mas é um tema que a gente precisa trabalhar no dia a dia e estar sempre reforçando sua importância. Aparentemente, o que deveria ser muito instintivo e natural por sermos mamíferos, não é. É um ato que deve ser apoiado e incentivado", afirma a médica pediatra, que atua na Coordenadoria da Saúde da Criança por meio da Secretaria de Saúde de São Vicente, Ana Lucia Passarelli.

"A mulher precisa de informações e apoios práticos e emocionais para amamentar. Além de incentivos no seu local de trabalho, como licença maternidade estendida, ter horários flexíveis quando volta à rotina, empresas que forneçam creches e salas para amamentação. São ajudas importantíssimas pra um momento tão delicado e de tanta sensibilidade para a mãe. É toda uma rede de apoio", complementa.

A médica, que ministrou a capacitação desta sexta-feira, também é membro do Departamento de Aleitamento Materno na Sociedade de Pediatria de São Paulo e da Rede Social de Amamentação da Região da Costa da Mata Atlântica.

Para ela, é ótimo fornecer capacitações do tipo para os enfermeiros, que têm um contato direto com as mulheres que buscam as UBS do Município. "Além de aprimorarem a capacidade técnica, de aconselhamento e acolhimento do paciente, também multiplicam as informações para suas equipes de saúde de médicos, auxiliares e enfermeiros".

A profissional também ressalta que tudo que a criança precisa está no leite materno e que o aleitamento é uma troca de saúde entre a mãe e o bebê. "Estamos diante de um alimento gratuito, que é rico em anticorpos e muitos outros aspectos. Então é importantíssimo que esse alimento, padrão ouro para o bebê, seja de empoderamento da mulher, da família e da sociedade".

A promoção da amamentação também traz resultados positivos para a sociedade e para o meio ambiente. "É saúde pública com menos gastos, com recursos sendo economizados. É menos água, menos mamadeira, menos gás... Reduz uma série de interferências para o meio ambiente e produz menos lixo. Acho que essa conscientização já melhorou muito no Brasil, mas ainda temos muito o que avançar".

Atualizar conhecimento – Maria Teresa, 57 anos, é enfermeira há 20 e atua na Unidade Básica do Sambaiatuba. Apesar de já ter participado de outras palestras e capacitações sobre o assunto, para ela, nunca é demais estar em outra. "É sempre importante estar se atualizando. Como nós trabalhamos com muitas mulheres, mães, gestantes e adolescentes, temos essa função de estar orientando sempre. Então, quando aprendemos alguma novidade, a gente sempre leva as informações para a rotina e passa para as pacientes", diz.

"O Agosto Dourado é muito importante para a sociedade. Todo ano a gente faz essa conscientização e sabemos que quanto mais bebês receberem o leite materno, teremos crianças menos doentes e mulheres mais sadias. Além de ser importante para o bebê, é importante para saúde da mulher", complementa a enfermeira.

Enfermeira há 38 anos e atualmente atuando na UBS Parque das Bandeiras, Eunice Teixeira Barbosa, 70 anos, diz que tudo que aprende sobre a amamentação se torna cada vez mais importante e que as coisas sempre vão atualizando. "É muito importante promover informações sobre amamentação. Porque você vê uma criança mais feliz, uma mãe mais feliz. Nosso serviço se torna muito gratificante quando as mães vão atrás das nossas conversas, do nosso diálogo. Eu tenho muita gestante jovem, e eu acho muito gratificante poder auxiliá-las", relata.

Kianny Sanches, de 26 anos, é enfermeira em São Vicente há cerca de três anos e atua na Unidade de Saúde da Mulher, no Quarentenário. Foi sua primeira vez em uma capacitação sobre aleitamento materno e ela já visa preparar rodas de conversa com as puérperas da UBS que trabalha, utilizando as informações que lhe foram agregadas nesta capacitação.

"Para o nosso dia a dia, trabalhar bem a parte do acolhimento é essencial. Acolher as mãezinhas, dar as orientações corretas, estar sempre disposta para tirar as duvidas delas. Isso faz toda a diferença".

E este trabalho não é exclusivo de mulheres. O enfermeiro, há cinco anos, Carlos Flavio de Paula, de 38 anos e que trabalha na Unidade Rio Branco II e III, é a prova disso. "Nós quebramos muitos paradigmas como homens nesse meio. Até um tempo atrás, o homem não era tão bem visto na enfermagem como é hoje. Então para mim é muito gratificante".

Além disso, ele se mostrou muito animado com a capacitação dada no início deste Agosto Dourado. "Para mim está sendo muito importante a capacitação. Nós trabalhamos esses assuntos desde que entramos na rede, mas o treinamento de hoje foi bastante diferenciado", diz.

"Tem grávidas que nunca ouviram falar da importância do aleitamento materno. Tem muitas mães que chegam na Unidade, procurando pelo pré-natal, mas caem de paraquedas no assunto. Mas, depois de conversarem conosco elas se envolvem e nós vamos orientando-as. A mãe sempre sai diferente, com conhecimentos a mais", conta.

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