Vereadores discutem situação do hospital da Zona Noroeste

Debate em torno do fechamento da unidade, durante o último sábado, movimentou sessão ontem

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14 FEV 2017Por Diário do Litoral11h00
Vereadores pediram por maior gestão e criticaram ato realizado por funcionáriosFoto: Matheus Tagé/DL

O fechamento do Complexo Hospitalar da Zona Noroeste por aproximadamente 30 minutos, no último sábado (11), tomou conta das discussões no início da sessão de ontem da Câmara de Santos.

Um grupo que trabalhava no turno da noite no hospital colocou um aviso na porta da unidade avisando que o pronto-socorro estava fechado por falta de funcionários para tocar o plantão.

A confusão só foi solucionada após funcionários de outras unidades serem deslocados para o Hospital da Zona Noroeste.

O vereador Fabiano Reis (PR) disse que foi “tirado de casa” devido ao grande número de reclamações e foi ao local para constatar os fatos. Ele criticou a postura dos servidores que fecharam o hospital.

“Pela legislação, pela obrigação, pelo código de ética até dos responsáveis envolvidos, é impensável esse ato de ‘descoragem’ que fizeram com toda uma população”.
Para o republicano, o que aconteceu foi um descaso com quem aguardava atendimento.

“Eu vi, conversei com a coordenadora. O pronto-socorro estava numa capacidade mediana. É inconcebível uma atitude dessas pessoas que se dizem profissionais, que não são. O que eu vi foi o descaso com a população. Eu entendo, sei das reivindicações, dos problemas das horas extras, com corte nas horas extras por um consenso de equilibrar as dívidas públicas. Mas chegar no ponto de fechar um ­hospital?”.

Líder do governo, Ademir Pestana (PSDB) disse que a unidade não fechou, uma vez que o documento fixado na porta era apócrifo, sem assinatura dos responsáveis pela unidade ou pela Secretaria Municipal de Saúde. O vereador ainda fez uma defesa do ­Executivo.

“Não adianta a gente querer criticar a Secretaria de Saúde, agora na pessoa do Fábio Ferraz. Não podemos esquecer que o hospital da Zona Noroeste dobrou de 450 atendimentos, que é sua média, para 900 atendimentos. Hoje, o hospital está com 50% da sua ocupação de pessoas de outros municípios. São dados que têm que ser levados em ­consideração”.

O tucano cobrou uma investigação para que se apure quem foi o responsável pela mensagem e aproveitou a situação para defender a utilização de organização social (OS) na gestão de unidades de saúde.

“Tem dificuldades? Tem. É duro pagar hora extra? É. Mas quando o prefeito manda um projeto dizendo que precisamos de OS para que não aconteça isso aí, a população passa a reivindicar o contrário. Então, o prefeito está no caminho certo. Se tivesse lá uma OS, isso não teria ­acontecido”.

Benedito Furtado (PSB) condicionou o fato à falta de gestão.

“Desde muito tempo eu venho insistindo com o governo para que a gente mude a gestão dos prontos-socorros municipais para que tenhamos gestores nesses espaços. Se a gente vai durante o dia, talvez você encontre o administrador. À noite não tem ninguém. É a casa da Maria Joana. Não tem quem responda. Os funcionários estão jogados lá dentro. Não tem alguém como tem na UPA. Se tem um administrador, obviamente, não teria ocorrido isso”.

Tribuna Cidadã

Ex-vereador, o médico Evaldo Stanislau utilizou a Tribuna Cidadã para falar sobre o tema como representante do Grupo Esperança, do qual é diretor-técnico.
Stanislau acredita estar havendo uma inversão de prioridades ao se discutir quem colocou a mensagem, mas não o motivo.

“Vejo uma grande vontade de apurar o ocorrido, quem é que fechou, mas muito pouca vontade de apurar por que fechou. Estamos invertendo as prioridades”.

O médico cobrou uma maior atuação por parte do secretário da Saúde, Fábio Ferraz. 

“Secretário, venho aqui como médico e como cidadão preocupado com caos na nossa saúde. O novo é bom, é interessante. Mas precisamos cuidar do nosso funcionalismo, estimular os funcionários da saúde. Precisamos recuperar e resgatar a saúde de Santos, que já foi e tem tudo para ser exemplo. Precisamos de mais gestão”.