Banner gripe

Vendedor de tapioca faz sucesso há mais de 40 anos na Zona Noroeste

Autointitulado como o 'Tapioqueiro Chora Nenê', ele canta para gerações e sua rotina por Santos começou ainda em 1976.

Comentar
Compartilhar
15 ABR 2019Por LG Rodrigues07h44
Prestes a completar 43 anos de trabalho, 'Tapioqueiro Chora Nenê' guarda a primeira vez que foi personagem do Diário, em 1999.Foto: LG Rodrigues/DL

'Chora que a mãe paga'. Se você por um caso vive na Zona Noroeste de Santos, mais precisamente na região dos bairros Jardim Castelo e Bom Retiro, com certeza já ouviu esse bordão entoado em alto e bom som pelas ruas da vizinhança.

De bicicleta antiga - mas muito bem conservada, diga-se de passagem - e buzina na mão, o 'Seu Oséias' faz uma viagem diária pelas ruas anunciando para as crianças, e os adultos também, que chegou a hora de comer o doce há mais tempo vendido por um ambulante pelas ruas da boa e velha ZN.

Autointitulado como o 'Tapioqueiro Chora Nenê', ele canta para gerações e sua rotina por Santos começou ainda em 1976.

"Vou completar 43 anos de trabalho no próximo sábado de aleluia, já devo ter atendido pra mais de 100 mil pessoas por essas bandas".

A trajetória do tapioqueiro de 74 anos em Santos começou oficialmente no dia 21 de janeiro de 1957, após ele deixar a cidade de Tupã, localizada a quase 600 km da Baixada Santista. Uma vez em terras santistas, Oséias decidiu começar a vender as tapiocas feitas por sua esposa e de lá pra cá, só foi sucesso.

SUCESSO

A história de como o tapioqueiro criou a canção não é muito diferente da de outros milhares de brasileiros que precisam ser criativos para ganhar o pão de cada dia.

"Ninguém no Brasil inteiro fazia isso. Ninguém cantava uma música, ninguém rimava um verso e foi aí que peguei minha buzina e comecei a andar de bicicleta e cantar."

Oséias diz que quando começou a trabalhar vendendo pelas ruas da cidade atendia clientes que hoje já são avós e até bisavós.

"Vi um monte de geração. Atendi adolescente que hoje já cuida dos netos. Aqueles que me chamavam de tio quando eu passava hoje vêm com os filhos e me chamam de vovô da tapioca".

Apesar do sucesso na Zona Noroeste, e de ter perdido as contas de quantos quilômetros já rodou por essas ruas, Oséias conta que foi obrigado a reduzir o trajeto por conta da idade.

"Moro na Vila Telma e antigamente eu rodava a Zona Noroeste inteira, mas hoje eu passo pelo Jardim Castelo, Divineia, Areia Branca e Dale Coutinho."

TAPIOCA E QUEBRA-QUEIXO

Embora a terra baiana seja mencionada em seus versos enquanto roda pela ZN, se engana quem acredita que o aposentado e a esposa aprenderam a receita da tapioca no nordeste.

"Um conhecido nos ensinou aqui em Santos todo o modo de preparar e servir. Mas o sabor não, o sabor gostoso veio de Deus que nos ajudou desde sempre."

Quem quer provar a tapioca do 'seu' Oséias porém tem que se deslocar até a ZN e procurar o som da buzina e da voz cantante de seu dono.

Infelizmente o tapioqueiro não faz encomendas e hoje vende mais de 20 tapiocas por dia.

"O dia que ficar famoso, vou dobrar o preço de tudo".

E olha que não seria nenhum exagero dizer que o Oséias é famoso. Entre as vizinhanças pelas quais ele passa, todo mundo o reconhece e já não é de hoje. Tanta popularidade levou o vendedor a virar matéria até mesmo aqui no Diário do Litoral ainda em 1999. Orgulhoso de ter estampado uma das páginas do jornal, ele ainda guarda com carinho a edição do DL em que apareceu há exatos 20 anos.

E se engana aquele que acredita que o homem pensa em parar. Os planos dele após completar 43 anos de trabalho é continuar na luta sempre cantando alegre e vendendo toda a tapioca que faz em casa e ajudou a sustentar sua família por mais de quatro décadas.

"Eu não me aposento disso aqui não, se eu parar vou acabar morrendo, por isso vou continuar até quando Deus me permitir".

Portanto, se você estiver pelas ruas da ZN e ouvir o Oséias cantando, atenda ao pedido da canção e se tiver um dinheiro, divida com ele.

Colunas

Contraponto