Audiência na Câmara de Santos revela: 95% das obstruções de rede em 2025 foram causadas por lixo, mas população exige ressarcimento por falta d'água / Divulgação
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Moradores, vereadores e representantes da Prefeitura se reuniram na Câmara de Santos na última quarta-feira (25) para falar sobre os serviços da Sabesp na cidade. O encontro foi marcado por reclamações e cobranças.
Enquanto a empresa apresentou números de investimento e metas para o futuro, a população levou queixas do dia a dia: mau cheiro, vazamentos, esgoto transbordando e falta de água.
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O gerente de manutenção da Sabesp, André Gonçalves, explicou que a empresa está com um novo contrato desde 2024. Segundo ele, a meta é levar saneamento para toda a cidade até 2029, quatro anos antes do prazo exigido por lei.
Ele também afirmou que os investimentos da companhia em Santos aumentaram. Atualmente, são R$ 230 por habitante, ante R$ 79 antes do novo contrato.
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Outro ponto destacado foi a autorização para atuar em áreas antes não atendidas, como as palafitas do Dique da Vila Gilda e núcleos da Zona Noroeste.
Quem participou da audiência mostrou insatisfação. Entre os principais problemas apontados:
Mau cheiro constante na Avenida Conselheiro Nébias
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Vazamentos frequentes nos bairros Marapé e José Menino
Transbordamento de esgoto no Saboó quando chove
Falta de água em condomínios grandes durante a temporada
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Uma mulher que tem um restaurante na orla fez um desabafo. Ela questionou se a rede de esgoto dá conta dos novos prédios que estão sendo construídos e disse que as calçadas ficam em estado de sujeira. "É um vaso sanitário aberto na nossa porta", comparou.
Alguns moradores também pediram que a empresa devolva o dinheiro gasto com caminhões-pipa durante os períodos de falta de água.
O secretário de Infraestrutura, Fabrício Cardoso, afirmou que a Prefeitura está fiscalizando mais os serviços da Sabesp. Segundo ele, embora a empresa tenha mais dinheiro depois da privatização, as obras feitas por terceirizadas deixam a desejar.
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Os representantes da empresa admitiram que algumas empreiteiras já foram multadas por serviços mal feitos. Eles disseram que estão notificando as empresas responsáveis por atrasos e por problemas no recapeamento de ruas e calçadas.
A Sabesp também citou dificuldades técnicas. O solo de Santos tem o lençol freático muito alto, o que encarece e complica as obras. Outro problema apontado foi o vandalismo: furtos de fiação paralisam estações de bombeamento na Zona Noroeste.
Além disso, o uso errado da rede de esgoto foi destacado. Segundo a empresa, só em 2025 já foram feitas mais de 14 mil desobstruções, e 95% delas foram causadas por lixo jogado nos canos.
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O vereador Sérgio Santana (PL), que organizou e presidiu a audiência, disse que vai transformar as reclamações em requerimentos oficiais para a Sabesp. Ele também anunciou que vai receber moradores em seu gabinete para tratar de cobranças abusivas e suspeitas de problemas nos hidrômetros digitais.
"Hoje a Sabesp tem mais dinheiro do que tinha antes. Nossa cobrança vai ser à altura disso", afirmou o vereador. "Não vamos aceitar obras que começam e não terminam".