Urbanista defende túnel da Zona Noroeste

Carriço acredita que acesso traria mobilidade e desenvolvimento econômico

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12 JAN 2021Por Carlos Ratton07h00
Túnel poderia desafogar o trânsito da Nossa Senhora de FátimaFoto: Nair Bueno/Diário do Litoral

A reportagem do último domingo do Diário do Litoral dando conta que o túnel da Zona Noroeste de Santos se tornou uma verdadeira "lenda urbana" devido à falta de empenho de inúmeras administrações municipais foi compartilhada ontem pelo arquiteto e urbanista José Marques Carriço.

Ele não só acompanhou de perto a "falta de empenho" para realizar um dos maiores sonhos de boa parte dos santistas, como ainda acredita que obra seria muito importante em caráter metropolitano, principalmente acompanhada de corredor de ônibus e ciclovia.

Doutor em Planejamento Urbano e Regional, professor e pesquisador do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Direito Ambiental e Internacional e do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Santos (UniSantos), Carriço lembra que o primeiro projeto de túnel - conectando as zonas noroeste e leste de Santos - foi elaborado no final da década de 40, por equipe coordenada pelo urbanista Prestes Maia.

"Ele também projetou o túnel Rubens Ferreira Martins. O traçado partia do Saboó, na altura do cemitério, conectando a recém inaugurada Via Anchieta com o bairro do Jabaquara, criando uma nova entrada para a cidade", explica o professor.

Em 1994, no Governo do prefeito David Capistrano (PT), Carriço participou da revisão do plano de prestes Maia, sendo alterado o traçado proposto, conectando o São Jorge, na divisa de Santos com São Vicente, com o Marapé na altura Rua Carvalho de Mendonça.

"A proposta era de que o túnel tivesse um caráter metropolitano, pois muitos moradores de São Vicente trabalhavam na zona leste de Santos, dinâmica que não se alterou até hoje. Na época prevíamos uma faixa exclusiva para ônibus", completa.

Como a reportagem de domingo salientou, o professor recorda que, no Governo Beto Mansur, foi contratada uma empresa para fazer o projeto básico do traçado, mas nem o projeto executivo, nem a obra foram realizados. Nesta época, a Prefeitura de São Vicente permitiu construções na divisa, inviabilizando parte do traçado proposto em 1994.

"No primeiro mandato do prefeito Paulo Alexandre, a Engecorps foi contratada para detalhar o projeto e foram elaborados novas alternativas de acessos em ambas as desembocaduras. Eram previstas desapropriações do lado do Marapé. Neste período participei das discussões junto com a equipe técnica da Secretaria de Desenvolvimento urbano (Sedurb), que tinha uma proposta de uso e ocupação do solo articulada com um plano de mobilidade urbana, que procuravam potencializar os impactos positivos dos projetos e mitigar os negativos", conta.

O arquiteto urbanista afirma que, apesar de todo o dinheiro gasto em projetos e estudos, nem os túneis, nem o plano urbanístico saíram do papel, frustrando a equipe, com prejuízo ao desenvolvimento regional. "No segundo mandato de Paulo Alexandre, o túnel do maciço central saiu da pauta de prioridades da Prefeitura, o que desperdiçou uma oportunidade de articulação deste projeto com o da Nova Entrada de Santos, que previa um conjunto de corredores de ônibus", comenta.

Finalizando, Carriço lamenta que 70 anos após a primeira proposta de traçado, milhares de moradores de São Vicente e da Zona Noroeste continuam sendo obrigados a dar uma enorme volta ou enfrentar a penosa travessia pelos morros, para acessar a Zona Leste santista.

"Onde se concentra, segundo o Censo Demográfico 2010, quase 50% dos empregos da Baixada Santista. Além da omissão da Prefeitura de Santos, salta aos olhos o desinteresse da Prefeitura de São Vicente e do próprio Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb)", finaliza.

O último orçamento feito deu conta que o túnel custaria R$ 456,3 milhões. A Prefeitura chegou anunciar um estudo ambiental adequado para obter as licenças para a execução da obra. Com isso, seria possível abrir a licitação para contratar os projetos básico, executivo e de obra.