Unimed Santos é acusada de protelar assistência

Família recorre à Justiça pelo direito a transporte e tratamento

Sheila Rodrigues está precisando de transferência urgente para SP

Sheila Rodrigues está precisando de transferência urgente para SP | Arquivo Pessoal

A Unimed de Santos está sendo acusada por familiares de Sheila Rodrigues de Oliveira, de 48 anos, mãe de três filhos e já avó, internada há 45 dias na Casa de Saúde em Santos, de protelar decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (SJ-SP) que a obriga a custear o transporte e todo o procedimento cirúrgico necessário ao tratamento da paciente.

Continua após a publicidade

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Segundo familiares, a empresa chegou a enviar uma ambulância para permitir a transferência para a Santa Casa de Misericórdia de Santos, mas Sheila precisa ser assistida em um hospital de São Paulo (Capital), indicado pelo médico responsável por ela, cujo atendimento é especializado.

Continua após a publicidade

O tio de Sheila, Alexandre Augusto Sobrinho, revela que a família está aos prantos e já tentou de tudo para amenizar o sofrimento da parente. “Situação dela e essa aí. Sua vontade de viver é grande e também sua fé em Deus, que a vem mantendo viva, apesar do descaso e negligência da Unimed. É uma desumanidade!”, afirma.

Segundo apurado pela Reportagem, após cirurgia, foi constado que Sheila não tem mais intestino delgado e os médicos alertaram a família sobre a gravidade de sua saúde.

Continua após a publicidade

“Pesquisamos com amigos e descobrimos que este caso existe transplante desde 2012. Conseguimos conversar com médico especialista lá no Hospital Samaritano. Desde então, estamos pedindo transferência, inclusive, pela Justiça”, completa Sobrinho, revelando que a Unimed estaria preferindo pagar a multa judicial ao invés de agir.

Deise Rodrigues revela que a irmã está internada desde 14 de agosto. Chegou a voltar para casa, ficou um período e retornou para a internação em primeiro de setembro. “A Sheila apresenta quadro grave de falência intestinal com fístula de alto débito e necessidade de suporte de Nutrição Parenteral Total em ambiente de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela tem que passar por múltiplos procedimentos até poder ser realimentada novamente”, conta.

Continua após a publicidade

ATÉ ACEITAM

A família de Sheila revela uma questão desanimadora. “A maioria dos hospitais em que tentamos fazer a internação da Sheila até aceitariam a Unimed Santos, desde que a migração fosse feita para a Unimed Nacional. Ou seja, a Unimed Santos é criadora de problemas em todos esses hospitais. Por isso a não aceitação desse plano. Todas as vezes em que se pergunta aos hospitais de ponta se há leitos, somos informados de que não existe. Mas, informalmente, quando se pergunta pelos leitos caso usemos a Central Nacional da Unimed, eles passam a existir”, afirma o tio.

Continua após a publicidade

O juiz Ricardo Fernandes Pimenta Justo recebeu da Unimed a comprovação que não há vaga no Hospital Samaritano, como alega a família, mas ratificou que, diante do risco iminente de agravamento da moléstia que acomete Sheila, que pode ser leva à óbito, deu 48 horas para a Unimed providenciar transporte e todo o procedimento cirúrgico necessário ao tratamento, sob pena de multa diária de cinco mil até o limite máximo de R$ 100 mil.

UNIMED

Continua após a publicidade

Procurada, a Unimed de Santos confirmou que já foi disponibilizada à Sheila a remoção para hospital, com vaga garantida e recurso necessário para o tratamento, não havendo aceite por parte dos familiares para transferência, no caso para a Santa Casa.

A Diretoria de Provimento de Saúde da Unimed ressalta que atua há 55 anos no campo da saúde privada, “e evidentemente só se sustenta há tanto tempo no mercado porque valoriza a transparência, a excelência e, sobretudo, o respeito aos seus beneficiários, bem como o cumprimento de decisões judiciais”.