Travessia de balsas opera com metade da frota prometida por Alckmin

Governador disse que oito embarcações estariam em operação, mas empresa mantém quatro em média.

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17 JAN 2017Por Da Reportagem10h00
Segundo a Dersa, problemas na organização do trânsito no viário de Guarujá, teriam causado a imensa fila de espera de usuários que aguardavam para fazer a travessiaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

O centro de Guarujá se tornou um verdadeiro caos entre o final de tarde do último domingo e a madrugada de segunda-feira. E o motivo já é velho e conhecido de milhares de usuários: falta de embarcações que operam a travessia do canal do Estuário, entre o município e a vizinha Santos. O detalhe é que, desta vez, segundo usuários e confirmado por funcionários da empresa responsável pelo sistema, apenas uma balsa funcionava enquanto sete estavam em manutenção.

O resultado não poderia ser outro: muita reclamação, buzinaços e transtornos para agentes de trânsito e para a Guarda Municipal do município, que teve que enviar uma equipe para retirar motoristas que tentavam furar a fila, que chegou, por volta das 18 horas de domingo, a atingir a Avenida Leomil, antecedendo o Viaduto Floriberto Mariano. A Reportagem percebeu vários tumultos no percurso, protagonizados por motoristas mais irritados. Em média, os usuários tiveram que encarar quatro horas de espera para atravessar 900 metros de canal. 

Na fila preferencial, a situação não era muito diferente e se estendeu até as 10 horas de segunda, com uma espera mínima de 50 minutos. A Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) não coloca embarcações extras para suprir as quebradas e para atender o aumento natural de usuários nos finais de semana e feriados. É muito comum as pessoas se depararem com os painéis de comunicação da empresa dando conta de apenas quatro balsas em operação, quando o certo seriam oito. Uma usuária chegou a fotografar o painel no último sábado, conforme publicado nesta reportagem. 

Em dezembro último, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), durante a inauguração do Hospital dos Estivadores, disse que as balsas operariam com força total na temporada. As palavras do governador de São Paulo foram ratificadas pela direção da Dersa. No entanto, sempre que há menos balsa operando, a empresa justifica com a força da maré pelo tempo de espera, principalmente do lado de Guarujá.

Responsabilidade

A Dersa informou que não procede a informação de que sete balsas estavam em manutenção e garante que seis embarcações operavam normalmente na noite do último domingo.

Segundo a empresa, o excesso de veículos e problemas na organização do trânsito no viário municipal do lado do Guarujá contribuíram para o aumento da fila.

“Mais uma vez, cabe esclarecer que cabe à Dersa somente a organização dos veículos em sua área de circunscrição, ou seja, o bolsão de embarque. Ao longo do viário municipal, a responsabilidade é do órgão de trânsito do respectivo município”

Para a Dersa, também é equivocada a afirmação de que na maioria das vezes só quatro balsas estão em operação, pois a frota possui oito, sendo que “duas delas passam por manutenções corretivas e voltarão a operar no decorrer desta semana, e todas as embarcações cumprem rigoroso cronograma de manutenções preventivas, mas eventualmente problemas técnicos imprevisíveis podem ocorrer”, revela a empresa.