‘Servidor será prejudicado’, diz presidente do sindicato

Prefeitura de Santos anunciou que o veículo deixará de ser impresso a partir do próximo dia 14

O fim da impressão do Diário Oficial de Santos poderá prejudicar uma parcela significativa do funcionalismo público. Essa é a visão de Flávio Saraiva, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Santos (Sindserv). “Acredito que aproximadamente 50% dos servidores não têm intimidade com a internet e serão prejudicados com o fim da versão impressa do Diário Oficial”, afirma. A consulta aos atos oficiais do Poder Executivo é essencial para esse grupo. 

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Saraiva questiona ainda o fato de determinadas ações do Poder Público precisar, obrigatoriamente, estarem impressas em algum jornal de grande circulação. “Do meu ponto de vista essa medida irá apenas lesar os servidores e a população, diminuindo o acesso à informação. Acredito que o gasto com a publicação será igual ou maior do que é hoje gasto com o D.O.”, acrescenta.

Nas bancas

Aos 44 anos, Márcia Batista não tem o costume de acessar a internet, mas gosta de se manter informada sobre o que acontece na cidade e no Brasil. “Assisto TV, mas meu horário de trabalho não permite com que eu veja os jornais da região. Então dou sempre uma olhadinha na capa dos jornais nas bancas e pego o Diário Oficial para saber o que acontece na cidade”, afirma a auxiliar de serviços gerais. Com  a mudança, Márcia deixará de ter acesso gratuito à informação.

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A Prefeitura de Santos justifica a mudança alegando que a modernização implica em benefícios econômico, ambiental e na universalização do acesso. No entanto, sem o DO, a Administração continuará pagando para que atos oficiais, tais como leis, decretos, portarias e atos de licitação sejam publicados em jornais de grande  circulação, conforme preconiza a legislação vigente. A universalização do acesso também é questionada, visto que nem todos os munícipes possuem acesso irrestrito e gratuito a internet.

Segundo a Administração, a medida contribui com a economia do cofre público. De agosto até 31 de dezembro, a Prefeitura deixará de gastar mais de R$ 500 mil entre impressão e distribuição dos 15 mil exemplares/dia, de segunda a sexta-feira. A manutenção do impresso representaria uma despesa de R$ 1,6 milhão em 2018. No entanto, a economia alardeada representa somente 0,05% do orçamento total do município.

Proprietário de uma banca de jornal na Vila São Jorge, na Zona Noroeste de Santos, Jorge de Souza afirma que a mudança irá impactar a população. “Semana passada uma senhora até brigou comigo, falando que eu estava guardando para distribuir para outras pessoas. Acredito que o público do DO não irá migrar para outras plataformas”, disse.

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Rosana Gomes, dona de uma banca no Canal 1, diz que os clientes já estão reclamando da mudança. “Os mais velhos dizem que o jornal vai fazer falta, mas os servidores públicos também estão indignados, pois precisam ler sempre o D.O.”, conta.

“Parte dos leitores aceita, parte não aceita. A quantidade que estamos recebendo é muito pequena e já estamos recebendo muitas críticas por algo que não é nossa culpa”, conta Luiz Carlos, dono de uma banca em frente à Santa Casa de Santos.

Queda

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Em menos de três anos o Diário Oficial teve sua tiragem reduzida em mais de 50%: quando Paulo Alexandre Barbosa assumiu a Prefeitura, em 2013, o periódico tinha tiragem de 35 mil exemplares, distribuídos em bancas, estabelecimentos públicos e coletivos. No começo de 2015, a quantidade de jornal circulando pelo município passou para 30 mil exemplares. Em meados de 2016 esse número caiu para 25 mil; 20 mil no começo de 2017 e 15 mil em junho deste ano.