Semanas de praias lotadas e aumento de mortes fizeram Baixada voltar à Zona Amarela

Relaxamentos durante o período da pandemia começaram no segundo semestre deste ano e foram acompanhados de inúmeras cenas de imprudências da população e aumento das mortes por Covid-19

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30 NOV 2020Por LG Rodrigues17h03
Praias lotaram até mesmo durante o fim de semana do segundo turno das eleiçõesFoto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

A Baixada Santista regrediu de fase dentro do Plano SP e foi reclassificada para a Zona Amarela. A mudança foi anunciada durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes nesta segunda-feira (30) e ocorre após semanas de aumento de mortes pelo novo coronavírus e flagrantes de praias lotadas por moradores e turistas que ignoraram medidas sanitárias preventivas em todas as nove cidades da Região.

A entrada de Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá, Cubatão, Itanhaém, Bertioga, Mongaguá e Peruíbe na Zona Verde, também chamada de Fase 4 do Plano SP ocorreu no dia 9 de outubro após a Região ter passado por todas as outras 'cores', com exceção da azul, que representa o momento de maior flexibilização.

O Plano SP foi criado pelo Governo do Estado na última semana de maio deste ano e consiste em uma série de etapas nas quais as regiões de São Paulo são classificadas por cores que seguem critérios definidos pelos órgãos de saúde de todo o Estado de São Paulo de acordo com o nível de gravidade que a população e a saúde pública enfrentam em um local devido à pandemia de Covid-19.

Da classificação mais grave, à mais branda, as cidades localizadas na Zona Vermelha são aquelas que estão em alerta máximo e quando apenas serviços essenciais devem funcionar devido ao número elevado de novas contaminações e mortes pelo novo coronavírus. A Zona Laranja se chama de fase de controle, onde há chances de certas flexibilizações, mas com restrições. A Zona Amarela e Verde apresentam aumento gradual da reabertura de certos setores e a Zona Azul, que não chegou a ser atingida por nenhuma região até o momento representa fase de situação controlada, onde será permitida a reabertura de todos os setores enquanto se mantém medidas de distanciamento e higiene.

"Todo nosso foco neste momento deveria ser concentrado nas vacinas, seja a Coronavac do Instituto Butantan, ou de outros países. O brasileiro está exausto do isolamento social, nós reconhecemos, mas precisamos seguir e vamos insistir nas medidas de prevenção até a chegada da vacina. Com claro aumento da instabilidade da pandemia, o Governo do SP decidiu que 100% do Estado de São Paulo vai retornar para a Fase Amarela. É uma medida de prudência", afirmou o governador Doria.

As nove cidades chegaram a não registrar mais do que dez mortes por múltiplas semanas nos meses de agosto, setembro e outubro, mas estes números começaram a voltar a subir já na primeira semana de agosto. No dia 23 de novembro, a Baixada Santista registrou 563 novos casos e totalizou 19 mortes por Covid-19.

"O vírus ainda está presente e mata. Estamos dizendo desde março, isso aqui não é uma 'gripezinha', um 'resfriadinho'. É a pior doença de 100 anos e precisamos da colaboração de todos", afirmou o governador, que também chegou a cobrar um plano de vacinação do Governo Federal.

Ao se analisar os índices de isolamento social, a população da Baixada Santista também demonstrou um abandono da prevenção e começou a sair de casa normalmente, apresentando índices quase idênticos aos registrados no período anterior ao início da pandemia. Na última quinta-feira (26), Santos teve isolamento de apenas 36%, muito longe dos 59% registrados no dia 3 de maio, auge da pandemia, mas mais próximo dos 26% que foram detectados no dia 12 de março, antes da quarentena iniciar.

Ainda durante a coletiva, o secretário da saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, mostrou que os índices demonstram uma alta na média diária de novos casos. As últimas três semanas de novembro chegaram a atingir uma máxima de 5.927 moradores contaminados, esse índice é superior a todos os que foram registrados durante todo o mês de outubro e retomou os perigosos números de setembro, quando se chegou a registrar uma média máxima de 7.380 novas contaminações.

A próxima reclassificação do Plano SP será realizada apenas no dia 4 de janeiro.