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Sem clientes, fechados e com contas, restaurantes pedem socorro na web

Estabelecimentos aderiram a hashtags como #crisenobalcao e #sosrestaurantes para chamar atenção das autoridades

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30 MAR 2020Por LG Rodrigues07h00
Donos de restaurantes fechados tentam achar alternativas para não quebrarFoto: Nair Bueno / Diário do Litoral

Os proprietários de estabelecimentos comerciais como restaurantes, bares e botecos da Baixada Santista foram até as redes sociais para pedir socorro às autoridades na esperança de que eles não necessitem fechar os seus investimentos de maneira permanente e também possam continuar arcando com os salários de seus funcionários.

Atualização: 31/03/2020. Inicialmente, esta matéria continha uma foto de um restaurante cujos proprietários, dois dias após a publicação, negaram fazer parte da campanha que pede ajuda nas redes sociais por mais ações do Governo Estadual e Federal para que não ocorram problemas financeiros. A imagem foi alterada com o objetivo de não retratar mais o estabelecimento citado anteriormente.

Atualmente, a Baixada Santista se encontra cumprindo uma série de medidas firmada por todos os nove prefeitos que integram o Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus. Dentre estas ações se encontram a determinação que todos os bares, restaurantes, botecos, shopping centers, academias e outros estabelecimentos que resultam em aglomeração de pessoas devem ser fechados de maneira permanente e por tempo indeterminado.

Este conjunto de medidas foi criado com o objetivo de tentar conter o avanço do coronavírus na Região, doença esta, a qual, já resultou na morte de ao menos 25 pessoas em todo o País e mais de 10 mil óbitos em todo o planeta.

Uma das categorias mais afetadas pela série de medidas adotadas pelos Governos Estaduais e Municipais, os micro e médios empresários donos de restaurantes e bares da Baixada Santista, temerosos com as contas que seguem se acumulando mesmo sem poder abrir as portas de seus comércios, decidiram ir às redes sociais para reivindicar apoio das autoridades para que eles não ‘quebrem’ e tenham que manter as portas fechadas para sempre.

Dono do Bucéfalus Restaurante & Grill, o empresário Peter Levasier Neto foi um dos muitos proprietários que precisaram encerrar as atividades provisoriamente e tem receio de como fará para arcar com não apenas as contas que chegam, mas também com os honorários de seus funcionários, os quais ele considera sua família.

“É uma situação complicada. Felizmente as contas estão em dia, mas até quando?”, questiona.

Líder de 12 funcionários, ele procura saídas para a situação e diz que, ao menos neste primeiro momento, se viu forçado a dar férias coletivas para todos os profissionais de seu estabelecimento comercial.

“A gente não trabalha com delivery, nunca trabalhou, então tive que dar férias coletivas pros funcionários de 20 dias enquanto espero alguma medida do governo para auxiliar destes 20 dias para frente porque acho que eu, como a maioria dos restaurantes da Região, não têm caixa para aguentar 90 dias fechado, sem receber e pagando funcionários”, afirma.

Apesar de alguns governos Estaduais terem determinado que não realizarão cortes na luz, água e gás pelo período de até três meses, os salários não entraram em nenhum novo recurso anunciado pelas autoridades até o momento. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou a possibilidade de pagar US$ 1 mil.

A medida serviria para ajudar a garantir que as famílias e os trabalhadores possam continuar seguindo com suas obrigações a curto prazo e impedir a completa desaceleração da economia nacional.

“Ontem, no calar da noite, o governo baixou uma MP que você poderia suspender o contrato de trabalho por até 120 dias e não pagar nada, mas como eu deixaria o pessoal na mão numa hora dessas? Sem pagar R$ 1? O Governo não pode fazer isso, ele tem que usar o FAT, afastar esse pessoal pelo seguro desemprego, para ajudar, mas ele acabou tirando o corpo fora e deixou nas costas do micro e pequeno empresário”, explica.

A decisão do Governo Bolsonaro foi recebida com larga desaprovação tanto de empresários quanto de outros membros das esferas Federal e Estadual. A MP acabou sendo revogada pelo próprio presidente horas depois de seu anúncio e nenhuma outra atitude foi tomada em seu lugar para dar garantias de segurança financeira aos brasileiros.

“Passo mais tempo com meus funcionários do que com meus filhos. Você acaba tendo carinho com eles e seria doloroso agir assim com eles. Eu espero que o Governo baixe outra MP para alterar isso porque pior que o caos do vírus, vai ser o caos da população sem dinheiro pra nada”, afirma.

Para tentar reunir esforços e chamar a atenção do Governo, os donos de restaurantes da Baixada Santista e do Brasil se uniram em prol de algumas hashtags como #crisenobalcao e #sosrestaurantes. Em uma das muitas postagens que rodam pela internet, os proprietários destes estabelecimentos pedem, dentre alguns itens: o pagamento de funcionários durante a paralisação; suspensão de todas as obrigações de pagamento de impostos pelos próximos 90 dias; e a criação de uma linha de crédito pelo Estado.

“Acho que eles precisam custear não só os salários dos empregados, mas também os pagamentos dos nossos fornecedores. Estamos esperando alguma injeção de dinheiro no mercado, alguma linha de crédito com taxas mais baixas para passar por esse momento. Nós temos outro agravante, a retomada da economia não vai acontecer da noite pro dia, não vamos reabrir as portas com filas e mais filas na porta. Eu temo que a retomada da economia só vá ocorrer entre outubro e dezembro”, conclui.